A repercussão do furto de material biológico de um laboratório da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) trouxe à tona denúncias de falta de estrutura na FEA (Faculdade de Engenharia de Alimentos), onde atua a professora Soledad Palameta Miller, investigada no caso.
De acordo com as investigações, foram levadas ao menos 24 cepas de vírus, incluindo dengue, zika, chikungunya, coronavírus humano e vírus da gripe. A apuração aponta a professora e pesquisadora Soledad Palameta Miller e o marido, o veterinário Michael Edward Miller, como suspeitos. (Relembre o caso abaixo).
Docentes da unidade afirmam que a pesquisadora presa pela Polícia Federal (PF) suspeita de furto do material, não contava com um espaço adequado para desenvolver suas atividades, o que, segundo eles, afeta diretamente as condições de trabalho no local.
O professor da Faculdade de Engenharia de Alimentos, Julian Martínez, ouvido pela reportagem da EPTV afirma que não foi proporcionado para a pesquisadora um espaço adequado.
– O que sei é que a professora procurou levar o material para outro laboratório que dispõe de um espaço físico apropriado. Não lhe foi proporcionado esse espaço na FEA.
Já Glaucia Maria Pastores, professora da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp, diz que a unidade não tem laboratório para esse tipo de estudo.
– Quando nós pensamos em novos docentes, eles vão precisar de seus laboratórios e isso não está pronto. Isso é objeto de discussão dentro do Departamento para ter essa condição de receber novos docentes e pesquisadores.
– Infelizmente a vaga foi aberta, ela foí contratada, mas o laboratório não está pronto.
O Ministério Publico abriu um procedimento para apurar se a Unicamp falhou em controle e fiscalização de material sensível. A professora chegou a ser presa na semana passada, mas responde ao processo em liberdade.
O que diz a Unicamp sobre o laboratório
Procurada, a Unicamp informou, em nota, que instaurou uma investigação interna e que mantém um processo contínuo de expansão da infraestrutura acadêmica.
A instituição afirmou ainda que realiza investimentos permanentes em prédios, laboratórios e equipamentos científicos, mas não respondeu diretamente sobre as denúncias de falta de estrutura na Faculdade de Engenharia de Alimentos.
Em relação ao furto do material biológico, a Unicamp divulgou neste domingo (29) uma nota afirmando que trata-se de um caso isolado (clique aqui para ler mais)
Relembre o caso
O furto ocorreu no Laboratório de Virologia do IB (Instituto de Biologia), uma área classificada como nível 3 de biossegurança (NB-3), o mais alto em operação no Brasil para agentes infecciosos.
De acordo com as investigações, foram levadas ao menos 24 cepas de vírus, incluindo dengue, zika, chikungunya, coronavírus humano e vírus da gripe.
A Polícia Federal (PF) concedeu uma entrevista na última sexta-feira (27) para falar sobre o furto de material biológico que ocorreu em um laboratório do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp. De acordo com o Delegado Chefe da PF em Campinas, André Almeida de Azevedo Ribeiro, a professora doutora Soledad Palemeta Miller, da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da universidade, presa em flagrante na última segunda-feira (23), também é investigada por fraude processual, já que descartou parte das amostras.
“Após a busca à residência, ela retorna à Unicamp e descarta o material que poderia representar o descarte de materialidade probatória do ponto de vista investigativo-criminal”, disse o delegado.
A PF foi notificada do desaparecimento das amostras no sábado (21) e cumpriu mandados de busca e apreensão na casa de Soledad e em dois locais da Unicamp. Após a visita dos policiais federais, a professora retornou aos laboratórios no mesmo dia e descartou parte das amostras. Na segunda-feira, a Unicamp interditou temporariamente todos os laboratórios da FEA.
Na terça-feira (24), a Justiça concedeu liberdade provisória à Soledad, que terá que cumprir as seguintes exigências:
- Comparecer à Justiça todo mês
- Pagar fiança de 2 salários mínimos
- Proibida de deixar Campinas por mais de cinco dias
- Proibida de sair do país sem autorização
- Proibida de acessar laboratórios envolvidos
Ela vai responder em liberdade pelos crimes de furto, transporte irregular de material geneticamente modificado e por expor a saúde pública a risco.
Também de acordo com a PF, o marido dela, Michael Edward Miller, que é aluno do IB, também é investigado.
“Vamos investigar todas as imagens, todos os vídeos apreendidos, para poder delimitar quem são as pessoas que participaram”, afirmou o delegado, que também descartou a hipótese de terrorismo biológico.
Cronologia
- 13/02 – Caixas com amostras de vírus somem do laboratório nível NB3
- 21/03 – PF cumpre mandados de busca e apreensão na casa de Soledad e em dois locais da Unicamp. Professora retorna ao laboratório do IB com um aluna, que abriu o local.
- 23/03 – Soledad é vista de novo nos laboratórios e instalações da FEA são interditadas. PF encontra material furtado e percebe que parte havia sido descartada. A professora é presa em flagrante pela PF
- 24/03 – Liberdade provisória é concedida à Soledad
H1N1 e H3N2 estão entre as amostras furtadas.
Amostras dos vírus H1N1 eH3N2, responsáveis pela gripe tipo A, estavam entre os materiais biológicos retirados indevidamente do Laboratório de Virologia do IB, de acordo com apuração da reportagem do g1 Campinas. A instalação é de nível de biossegurança 3 (NB-3)
De acordo com as investigações, os micro-organismos foram levados sem autorização para outros laboratórios dentro da própria universidade e permaneceram desaparecidos por cerca de 40 dias.
A PF informou que não há risco à população, já que as amostras não saíram do ambiente controlado da universidade, tendo sido transferidas apenas entre laboratórios internos da Unicamp. O material
*Com informações da EPTV Campinas
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