
WASHINGTON — Quando a notícia chegou à sede da CIA, em Langley, na Virgínia, na sexta-feira, de que o Irã havia derrubado um caça americano e dois oficiais da Força Aérea tinham se ejetado em território inimigo, a cúpula de inteligência dos Estados Unidos entrou em modo de emergência.
O piloto do F-15E Strike Eagle foi resgatado relativamente rápido, mas o segundo tripulante — um oficial de sistemas de armas — não foi localizado de imediato. Começou então uma corrida contra o tempo para encontrá-lo antes das forças iranianas.
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A CIA, que tradicionalmente atua em operações para resgatar pilotos americanos atrás das linhas inimigas, montou um plano de enganação para ganhar tempo e tentar afastar os iranianos da área onde o militar poderia estar, segundo um alto funcionário do governo. Ele e outras fontes falaram sob condição de anonimato, já que se trata de uma operação sensível de resgate e de coleta de inteligência.
Inicialmente, os Estados Unidos não sabiam exatamente onde o oficial estava, apenas que ele havia se deslocado do ponto em que o assento ejetor caiu. Também tinham informações de que ele estava ferido, o que aumentava a urgência da missão.
Os detalhes do plano de distração não foram revelados, nem o grau de sucesso exato. Mas a ideia central, segundo o funcionário, foi espalhar dentro do Irã a informação de que o militar já teria sido encontrado e estaria sendo levado para fora do país em um comboio terrestre. A expectativa era desviar a atenção das tropas iranianas da região onde ele realmente se escondia para as estradas de saída.
De acordo com essa fonte, a ação da CIA pareceu, de fato, gerar confusão e incerteza entre as forças iranianas que participavam das buscas.
O militar conseguiu escapar por mais de 24 horas, chegando a subir uma encosta de cerca de 2,1 mil metros de altitude e se esconder em uma fenda na rocha.
Pilotos de caça e oficiais de armamentos da Força Aérea usam um localizador e um dispositivo de comunicação segura para falar com equipes de resgate. Mas eles são treinados a não emitir sinal o tempo todo e a limitar o uso desse equipamento, justamente para evitar que forças inimigas também consigam rastrear sua posição.
Um alto funcionário do governo se recusou a detalhar que tipo de tecnologia a CIA usou para localizar o militar, apenas disse que se trata de um equipamento exclusivo da agência.
Assim que ele foi encontrado, a CIA repassou as coordenadas ao Pentágono e à Casa Branca, que acionaram o plano de retirada do oficial — uma operação que envolveu centenas de integrantes de forças especiais e outros militares.
As forças americanas começaram a bombardear a região para manter os iranianos afastados. Conforme os comandos dos EUA se aproximavam do local onde o militar estava escondido, eles efetuaram disparos para impedir o avanço das tropas iranianas em direção ao ponto de resgate, mas não houve confronto direto, segundo um oficial militar americano. Isso pode ser um sinal de que o plano de enganação ajudou a afastar parte das forças iranianas.
Depois de resgatado, o militar ferido foi levado de avião para o Kuwait, onde recebeu atendimento médico.
c.2026 The New York Times Company
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