A solução não é original, mas promete eliminar a chance de problemas com a correia banhada a óleo nos motores 1.2 PureTech, que têm origem na PSA Peugeot Citroën e que é utilizado por dezenas de carros da Stellantis na Europa. A fabricante independente de autopeças Pro Chain desenvolveu um kit de conversão que substitui o sistema original de fábrica por uma corrente de comando metálica.
O componente entrou em pré-venda no mercado europeu, com as primeiras entregas programadas para o segundo semestre de 2026, encerrando a dependência dos donos de carros de marcas como Peugeot, Citroën e Opel em relação às manutenções paliativas da montadora.
A modificação ataca a principal falha de projeto do três-cilindros 1.2. Na concepção original, a correia trabalha em contato com o óleo do cárter. No caso deste motor, a correia sofre degradação química contínua devido à contaminação do lubrificante por vapores de combustível, comum em uso urbano severo.
O esfarelamento do material emborrachado entope o pescador da bomba de óleo. Isso resulta em perda rápida de pressão de lubrificação e consequente travamento do bloco. Embora a Stellantis tenha promovido campanhas de recall e reduzido os intervalos de troca de óleo previstos no manual de manutenção, a frota circulante permanecia sujeita ao colapso mecânico de alto custo. A solução da Pro Chain substitui a correia vulnerável pela durabilidade da corrente de aço.
Sem adaptações no bloco
A engenharia por trás do kit foca em um procedimento de instalação simplificado, o que significa que os mecânicos não precisam realizar usinagem ou alterações estruturais no bloco do motor. A embalagem contém a própria corrente de distribuição, guias direcionais em material compósito, um novo tensor e uma linha de suprimento de óleo dedicada para garantir a lubrificação adequada dos elos da corrente.
A fabricante afirma que a montagem na oficina exige as mesmas ferramentas de sincronismo e o exato tempo de mão de obra cobrados na substituição da correia de fábrica. O sistema atende tanto as configurações aspiradas (utilizadas nas primeiras safras dos Peugeot 208 e Citroën C3 de segunda geração no Brasil) quanto as versões turboalimentadas das séries EB0 e EB2.
A Pro Chain não divulgou o preço de tabela do equipamento. A viabilidade comercial do produto dependerá de um custo inferior ou equivalente a duas trocas de correia originais.
Enquanto as oficinas solucionam o passivo nas ruas, a Stellantis acelera a transição de motores. A montadora já introduziu versões atualizadas do motor 1.2 com corrente de fábrica na Europa, mas a estratégia corporativa aponta para a substituição definitiva da arquitetura de origem francesa. A empresa concentra recursos para que a família de motores Firefly, concebida pela engenharia da Fiat, assuma a base global de propulsão dos seus veículos compactos, seguindo o exemplo do Brasil.
