Morta a tiros pelo marido durante a comemoração do próprio casamento, em Campinas, Nájylla Duenas Nascimento, de 34 anos, havia celebrado a união horas antes do crime. Em mensagens enviadas a uma prima na véspera, a vítima escreveu: “Quem diria que um dia ia me casar”.
O feminicídio aconteceu na tarde de sábado (9), poucas horas depois de o casal oficializar a união no cartório. O autor do crime é o guarda municipal Daniel Barbosa Marinho, de 55 anos, que foi preso em flagrante. Ele integrava a corporação desde 1998 e atuava internamente em uma das bases operacionais da Guarda Municipal de Campinas. Após o crime, foi afastado do cargo.
Segundo uma prima da vítima, o relacionamento era marcado por brigas constantes e um comportamento de controle por parte de Daniel. “Onde ela ia, ele tinha que estar junto” –veja mais abaixo.
Nájylla foi enterrada nesta segunda-feira (11). Ela deixa três filhos de um relacionamento anterior: um adolescente de 15 anos e duas meninas, de 12 e 8 anos. As crianças estavam na festa e presenciaram o crime.
Em nota, a defesa de Daniel afirmou que acompanhará o caso confiando na investigação técnica e imparcial, destacando que ele se apresentou espontaneamente e colaborará com as apurações.
O advogado disse ainda que buscará a liberdade provisória e que “o que realmente ocorreu será debatido pela defesa nos autos” – leia o texto completo abaixo.
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Discussão terminou em tiros durante a festa de casamento
Segundo o boletim de ocorrência, o crime ocorreu após uma discussão entre o casal durante a comemoração do casamento. Familiares relataram que os dois entraram em luta corporal durante a festa.
Ainda de acordo com o registro policial, parentes conseguiram retirar as crianças do local, mas Daniel deixou a casa e retornou armado com a arma de trabalho.
O guarda municipal teria agredido Nájylla com uma coronhada antes de atirar contra ela. Testemunhas disseram que ele deixou o imóvel e voltou pouco depois, efetuando novos disparos.
A vítima foi socorrida pelo Samu, mas não resistiu aos ferimentos.
O delegado assistente da 2ª DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) de Campinas, Vinícius Pires dos Santos, afirmou que a perícia identificou ao menos cinco disparos.
“Inicialmente, conforme a perícia, ela foi atingida por três disparos na região do tórax, um na região do antebraço e um na região do dedo mínimo. Principalmente os disparos na região da mão e dedo mínimo podem indicar uma tentativa de defesa frente à agressão”,
disse o delegado.
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“Onde ela ia, ele tinha que estar junto”, diz prima

A prima da vítima, Caroline Cristine Duenas, afirmou que o relacionamento era marcado por brigas frequentes e por um comportamento controlador por parte de Daniel.
“Ela ia num salão de beleza. Ela ia fazer uma unha. Ele tinha que estar junto. Ele tinha que estar no meio. Se tivesse, tipo, eu e ela conversando aqui, ele tinha que estar no meio pra escutar o que ela tava fazendo.”
Apesar das discussões constantes, Caroline afirmou que o casal parecia viver um período de estabilidade nos últimos meses.
“Eles sempre tiveram uma relação conturbada. Sempre brigaram. Só que fazia desde janeiro que eles não brigavam mais. Já tinha uns quatro meses que eles não brigavam, não bebiam, não faziam nada. Estavam de bem, aí casaram, aconteceu isso.”
Família relata histórico de violência

A mãe da vítima, Rosilaine Alves Duenas, de 49 anos, afirmou que Daniel apresentava comportamento agressivo quando consumia bebida alcoólica.
Segundo ela, a filha havia sido alertada sobre as agressões, mas decidiu continuar no relacionamento.
“Não é fácil, meu filho. Só Deus”, disse Rosilaine, abalada, na véspera do Dia das Mães.
A mãe contou ainda que Nájylla realizava o sonho de cursar Direito em uma faculdade on-line.
“Espero justiça pela minha filha.”
Nájylla era a mais velha de quatro irmãos. A família, que mora no Paraná, viajou para Campinas no domingo (10) para acompanhar a liberação do corpo e os preparativos do velório.
Guarda acionou a própria corporação após o crime

Segundo a Guarda Municipal de Campinas, o próprio Daniel Barbosa Marinho acionou a corporação após o feminicídio durante o casamento. Ele foi encaminhado para a 2ª DDM, onde permaneceu preso. A prisão foi convertida em preventiva.
Este é o segundo caso de feminicídio registrado em Campinas em 2026.
Em nota, a Guarda Municipal lamentou o crime e reafirmou o compromisso da corporação no combate à violência contra a mulher.
A Corregedoria instaurou procedimento administrativo disciplinar e determinou o afastamento preventivo do agente por 90 dias. O processo pode resultar na demissão do servidor.
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Defesa diz que aguardará conclusão das investigações
Em nota, a defesa de Daniel afirmou que acompanhará o caso confiando na “apuração técnica e imparcial” das circunstâncias.
O advogado destacou que o guarda municipal se apresentou espontaneamente, não tentou fugir e colaborará com as investigações.
A defesa informou ainda que buscará a liberdade provisória do acusado e afirmou que a versão apresentada por Daniel será debatida no processo após a conclusão dos laudos periciais.
Veja a nota completa:
“O que posso dizer sobre o ocorrido, enquanto defensor do Daniel, é que estarei acompanhando atentamente o caso e confiando plenamente na apuração técnica (pericial) e imparcial das circunstâncias.
O procedimento ainda se encontra em fase investigativa, sendo indispensável a preservação de todos as garantias constitucionais da defesa, que é assegurado a todos os cidadãos.
Daniel se apresentou espontaneamente, em momento algum imaginou fuga, se apresentou ao comando da guarda municipal e colaborará com as investigações.
Na data de ontem, em audiência de custódia, se apresentou ao Juiz de Direito, o qual entendeu por manter sua prisão baseado tão somente na gravidade do crime, não se discutindo neste momento a motivação ou qualquer argumento defensivo/acusatório; trata-se de um procedimento de garantia individual de verificação da regularidade da prisão.
Ainda insistiremos na liberdade provisória por entender que se trata de pessoa com direito constitucional assegurado de responder em liberdade, sendo guarda municipal desde 1998 e idôneo, sendo que o malsinado ato será clarificado nos autos oportunamente.
A dinâmica dos fatos, o que realmente ocorreu será debatido pela defesa nos autos, e duramente através das garantias da ampla defesa.
Mas, em respeito a memória da vítima e dos familiares envolvidos, este defensor não fará exposição de detalhes da versão apresentada por Daniel e circunstâncias factuais que possui, evitando julgamento precipitado da tese defensiva a ser exposta no processo, mesmo porque ainda temos que aguardar laudos periciais do local dos fatos, inclusive de laudo de corpo delito, disparos e demais diligências que são de suma importância para estruturar a tese defensiva.
Atuarei de forma firme e responsável, buscando que todos os fatos sejam devidamente esclarecidos dentro da legalidade e do equilíbrio.
É uma ocorrência extremamente sensível e grave, em especial por se tratar de feminicídio, que tem assolado nosso país, com pena que foi endurecida, portanto é fundamental que no devido processo legal se possa também lançar o olhar na ampla defesa para ao final se fazer justiça”.
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