A inteligência artificial (IA) deixou de ser uma tendência futurista para se tornar parte da infraestrutura das empresas. Essa foi a principal mensagem do painel “IA além do hype”, realizado nesta quarta-feira, 13, durante o São Paulo Innovation Week.
A conversa reuniu Renato Grau, CEO da Trends News e mediador do debate, Carlos Gamboa, sócio-fundador da Disher VB, e Marcio Aguiar, diretor da divisão enterprise da Nvidia para América Latina.
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Renato começou defendendo que a IA já exige uma mudança mais estrutural na forma como empresas e pessoas se organizam. De acordo com ele, o avanço da tecnologia exige uma “nova arquitetura humana”, combinando cognição, emoção, consciência e interação com agentes digitais.
O mediador também destacou a transformação do mundo físico em ambientes digitais replicados por dados e tokens (usados para identificar, autorizar ou transferir ativos de forma segura, agindo como “fichas” digitais em diversos contextos). “Está tudo tokenizado. Qualquer coisa que você está fazendo, você tem um mundo digital, uma réplica do mundo físico”, disse.
Para Grau, empresas vão precisar aprender a operar em um cenário no qual humanos e sistemas de IA trabalharão de forma integrada.
IA nas empresas e startups
Marcio Aguiar relembrou que a Nvidia atua com IA desde 2012, antes da popularização dos modelos generativos. O executivo explicou que a empresa começou a aprofundar pesquisas após estudantes da Universidade de Toronto utilizarem placas de vídeo da companhia em um projeto de classificação de imagens.
O diretor da Nvidia também buscou desmistificar a ideia de que a IA generativa resume o setor e, para ele, as técnicas mais utilizadas atualmente continuam sendo visão computacional e machine learning. “Todo mundo fala de IA, mas as mais utilizadas no Brasil e no mundo continuam sendo técnicas e de visão computacional”, explicou. Segundo Aguiar, muitas empresas ainda não usam IA generativa em larga escala devido à necessidade de grande capacidade computacional.
Durante o painel, os participantes também discutiram o impacto da IA na criação de startups e produtos digitais. Carlos Gamboa relembrou experiências iniciadas em 2018 com modelos de visão computacional e leitura de documentos não estruturados. De acordo com ele, o avanço dos modelos abertos acelerou drasticamente a transformação do mercado. “Essa mudança que aconteceu é muito recente”, afirmou.
Gamboa relatou que passou a orientar empresas e executivos sobre mudanças culturais necessárias para adoção da IA. “Isso é uma questão cultural”, disse. O executivo disse que muitas companhias ainda utilizam IA apenas em tarefas básicas e que poucas chegaram aos níveis mais avançados de delegação e orquestração de agentes digitais.
Ao longo da conversa, os palestrantes defenderam que líderes empresariais precisam participar diretamente da implementação da IA, em vez de apenas delegar decisões às áreas técnicas. Aguiar afirmou que organizações mais horizontais tendem a se adaptar melhor às mudanças tecnológicas. “A liderança tem que colocar a mão na massa e entender que o jogo é diferente”, declarou.
O executivo da Nvidia também citou uma conversa recente com Luiza Trajano, presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza, para ilustrar como funcionários da operação estão criando soluções com IA dentro das empresas. Segundo ele, colaboradores de áreas operacionais têm se destacado justamente por desenvolver ferramentas para resolver problemas cotidianos.
Nos minutos finais do painel, Gamboa apresentou um modelo dividido em cinco níveis de maturidade no uso de IA, indo desde perguntas simples até a orquestração de múltiplos agentes digitais. Para ele, a maior parte das empresas ainda está nos níveis iniciais. “A maior parte das pessoas está no nível um e dois”, afirmou. O executivo recomendou que as companhias criem pequenos grupos para testar automações e identificar processos repetitivos passíveis de delegação.
Encerrando o debate, Marcio Aguiar afirmou que a IA não deve ser encarada como substituta das pessoas, mas como ferramenta para ampliar produtividade. “A IA não está substituindo aqui ninguém, pelo contrário, a gente está contratando, porque a gente está aumentando a nossa eficiência”, disse.
Para o executivo, as empresas que conseguirem combinar agilidade, abertura cultural e uso estratégico da tecnologia estarão mais preparadas para os próximos ciclos de transformação digital.
O TecMundo está no São Paulo Innovation Week! O SPIW 2026 começa nesta quarta-feira, 13, na capital paulista, reunindo líderes de grandes companhias brasileiras e globais, empresas e startups. Centros de pesquisa, investidores e governos também estarão presentes, participando de debates em tecnologia, ciência, educação, saúde, finanças e muitas outras áreas. Para todos os detalhes acesse o site oficial do evento.
