Gestores e ex-gestores do Instituto de Previdência Social dos Servidores Públicos de Cajamar, na Grande São Paulo, são alvo da operação “Off-Balance”, deflagrada pela Polícia Federal de Campinas na manhã desta quarta-feira (13). A investigação apura aplicações irregulares de R$ 107 milhões, equivalente a cerca de 19,56% do patrimônio líquido do regime próprio de previdência do município, em títulos ligados aos bancos Master e Daycoval.
A apuração envolve aplicações financeiras consideradas de alto risco realizadas entre agosto de 2023 e março de 2024, em letras financeiras do Banco Master. A principal suspeita é de gestão temerária dos recursos públicos previdenciários, com falhas graves de governança, ausência de análise técnica adequada, deficiência na avaliação de riscos e possível direcionamento das aplicações financeiras, especialmente em favor do Banco Master.
Na prática, os recursos que deveriam garantir o pagamento futuro das aposentadorias e pensões dos servidores públicos de Cajamar foram aplicados em operações de crédito suspeitas de descumprirem normas e regulamentações do sistema financeiro e da previdência.
Os bancos Master e Daycoval não são investigados nesta operação.
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Quem são os investigados
Entre os alvos da investigação estão:
- Luiz Henrique Miranda Teixeira, que ocupou o cargo de diretor-executivo entre julho de 2023 e dezembro de 2025
- Marcelo Ribas de Oliveira, presidente do Comitê de Investimentos e diretor de Benefícios
- Milton Marques Dias, diretor administrativo e financeiro, responsável pela gestão dos recursos do RPPS e integrante do Comitê de Investimentos
- Rafael Petroziello, membro do comitê que participou das deliberações e assinou autorizações de aplicações financeiras ligadas aos aportes sob investigação.
A reportagem busca contato com as defesas dos citados. Os investigados poderão responder pelos crimes de gestão temerária e gestão fraudulenta.
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Investimentos suspeitos em bancos
Segundo a PF, cerca de R$ 107 milhões do patrimônio do regime previdenciário de Cajamar foram direcionados para quatro investimentos considerados suspeitos pela PF, sendo R$ 87 milhões vinculados ao Banco Master, que foi liquidado pelo Banco Central e ainda é alvo de investigação, e outros R$ 20 milhões ao Banco Daycoval.
A Justiça Federal determinou o cumprimento de medidas cautelares contra os investigados, incluindo:
- bloqueio de bens;
- afastamento das funções públicas;
- mandados de busca e apreensão.
Ao todo, policiais federais cumprem seis mandados nas cidades de Cajamar, Boituva e São Paulo.
Durante as ações, foram apreendidos documentos, computadores e materiais eletrônicos que serão analisados para reforçar a produção de provas.

Relação com outras investigações
Segundo a PF, os investimentos ocorreram durante a gestão do então prefeito de Cajamar, Danilo Joan (PP), apontado como aliado do senador Ciro Nogueira (PP-PI), alvo da última fase da Operação Compliance Zero, que investiga o Banco Master e sua rede de influência.
Apesar das semelhanças no modo de operação e das instituições financeiras envolvidas, a Polícia Federal informou que a ofensiva desta quarta-feira não é um desdobramento da operação realizada há duas semanas em Santo Antônio de Posse. As duas investigações tramitaram em paralelo.
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Significado da operação “Off-Balance”
A PF informou que o nome da operação faz referência ao “desequilíbrio” entre a gestão prudente dos recursos previdenciários e a adoção de riscos considerados inadequados para a segurança financeira do fundo de aposentadoria dos servidores municipais.
O que dizem os citados
A reportagem da EPTV solicitou posicionamento à Prefeitura de Cajamar. O espaço segue aberto.
Banco Daycoval
Em nota, o Banco Daycoval afirmou que a aquisição das letras financeiras mencionadas na investigação ocorreu no mercado secundário, sem participação direta da instituição.
“O Banco Daycoval esclarece que a aquisição das Letras Financeiras mencionadas na investigação ocorreu no mercado secundário, sem nenhuma participação do banco. O banco reforça ainda que atuou exclusivamente como emissor dos títulos, negociando seus títulos com agentes do mercado financeiro, dentro das condições regulares de mercado, não tendo conhecimento das condições em que foram negociados com terceiros. Reitera que todas as suas operações seguem rigorosamente os mais elevados padrões de compliance, governança e boas práticas do sistema financeiro, em conformidade com a regulamentação vigente”.

*Com informações da Agência Estado
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