
A disputa em torno da mais recente pesquisa AtlasIntel/Bloomberg sobre a eleição presidencial de 2026 ganhou um novo capítulo após o instituto rebater formalmente as acusações do PL sobre suposta indução negativa contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O partido acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo a suspensão da divulgação do levantamento, sob argumento de que entrevistados teriam sido expostos ao áudio envolvendo Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro antes de responder às perguntas sobre intenção de voto. A legenda sustenta que isso poderia contaminar os resultados eleitorais.
Em resposta pública e em entrevista à CNN, o CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, afirmou que a estrutura metodológica da pesquisa impedia qualquer interferência do conteúdo audiovisual nas respostas do questionário principal.
“Posso garantir que 100% das respostas foram obtidas a partir de respondentes que foram redirecionados depois da submissão do questionário principal para o áudio”, declarou Roman.
Segundo ele, o teste envolvendo o áudio foi aplicado apenas após a conclusão integral da pesquisa eleitoral. O executivo afirmou ainda que, depois do envio das respostas, o entrevistado não poderia retornar ao formulário para alterar informações.
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Partido questiona “indução” contra Flávio
Na ação apresentada ao TSE, o PL afirma que o questionário teria sido estruturado para criar associação negativa entre Flávio Bolsonaro, o Banco Master e Daniel Vorcaro.
O partido argumenta que parte das perguntas utilizava referências a “fraudes financeiras”, “escândalo do Banco Master” e “envolvimento direto” do senador, o que, segundo a legenda, extrapolaria a função informativa de uma pesquisa eleitoral.
A sigla também questiona o uso do áudio atribuído a Flávio Bolsonaro em conversa com Vorcaro, divulgado após reportagens sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro.
A principal preocupação da campanha do senador é o impacto político da divulgação do conteúdo em meio à queda registrada pelo parlamentar nas intenções de voto.
Ferramenta mede reação ao áudio
A AtlasIntel afirmou que o conteúdo audiovisual fazia parte de uma etapa complementar da pesquisa, realizada por meio da ferramenta Atlas VRC (Video Reaction Curve).
O sistema mede, segundo o instituto, a reação emocional dos entrevistados durante a reprodução de vídeos ou áudios. Os participantes acompanham o conteúdo movendo um indicador em uma escala contínua de aprovação e desaprovação.
Segundo a metodologia apresentada pela empresa, o vídeo só é reproduzido enquanto o entrevistado mantém o botão pressionado, permitindo registrar oscilações de percepção ao longo do material.
“O teste de áudio foi aplicado exclusivamente após a conclusão e submissão integral do questionário principal pelo respondente”, afirmou o instituto em nota.
A Atlas também declarou que não houve “qualquer mecanismo de contaminação entre os dois instrumentos de coleta”.
Reação variou conforme perfil político
Os dados divulgados pela AtlasIntel indicam que a repercussão do áudio variou conforme o perfil político e demográfico dos entrevistados.
Segundo o instituto, eleitores que votaram em Jair Bolsonaro em 2022 reagiram de forma próxima da neutralidade ou levemente positiva ao conteúdo. Já entre eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a avaliação foi predominantemente negativa.
“A fala do Flávio Bolsonaro não repercutiu de forma tão negativa dentro deste eleitorado”, afirmou Andrei Roman ao comentar o comportamento da base bolsonarista.
O instituto destacou, porém, que o maior desgaste apareceu entre eleitores considerados mais voláteis politicamente, especialmente os que votaram branco ou nulo em 2022 e aqueles que não participaram da última eleição presidencial.
Segundo a AtlasIntel, esses grupos registraram os piores índices de avaliação do áudio ao fim da reprodução.
Queda sem migração automática para Lula
A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta terça-feira mostrou Flávio Bolsonaro com 41,8% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra Lula, que aparece com 48,9%. O levantamento apontou queda de seis pontos percentuais do senador em relação ao mês anterior.
Apesar da retração do pré-candidato do PL, a AtlasIntel afirma que o movimento não gerou avanço proporcional do presidente Lula. Segundo a análise do instituto, parte do eleitorado migrou para outros nomes da direita ou ampliou o contingente de indecisos, brancos e nulos.
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