O lançamento do Hyundai i20 no Brasil provocará um efeito dominó na gama de produtos da marca sul-coreana no Brasil. O novo hatch aventureiro é o primeiro carro de uma nova família de produtos e já estreia com preços muito próximos aos do hatch HB20, ao mesmo tempo que também sinaliza o fim iminente do sedã HB20S.
De acordo com a Hyundai, o HB20 passará por um rearranjo em sua oferta de versões. Isso porque a diferença de preços entre versões equivalentes de HB20 e i20 varia entre R$ 2.500 e R$ 4.700. A versão de entrada Comfort 1.0 MT do i20 (R$ 99.990), por exemplo, custa R$ 3.850 a mais que o HB20 Comfort 1.0 MT (R$ 96.140). Na opção Limited 1.0 MT, o i20 sai por R$ 104.990 frente aos R$ 100.290 do HB20 (diferença de R$ 4.700).
A expectativa é que o Hyundai HB20 perca suas configurações mais caras, especialmente aquelas equipadas com o motor 1.0 turbo e câmbio automático. O modelo, que está na mesma geração há 14 anos, assumiria de vez a vocação de veículo de entrada da marca, voltado a frotistas e clientes mais sensíveis a preço, reforçando sua concorrência com Volkswagen Polo Track e Fiat Argo. Isso é suficiente para o HB20 seguir em linha por mais alguns anos.

O sedã HB20S não terá a mesma sorte. O presidente da Hyundai Motor Brasil, Airton Cousseau, confirmou à QUATRO RODAS que o sedã HB20S vai sair de linha. A produção do sedã compacto ainda não foi encerrada, mas isto acontecerá nos próximos meses.
O fim do Hyundai HB20S poderia ser motivado por uma queda na demanda por sedãs compactos, mas o modelo está em um bom momento de vendas: teve 5.200 unidades emplacadas em maio e nos primeiros meses do ano suas vendas somaram 17.349 unidades, pouco mais da metade do resultado do HB20. Para efeito de comparação, em 2025 as vendas do sedã corresponderam a um terço do resultado do hatch.

A explicação para o fim do sedã poderia ser a necessidade de abrir espaço na fábrica de Piracicaba (SP) para projetos com maior margem de lucro: os novos SUVs que serão originados a partir da plataforma do i20 2027.
A escada formada por Bayon e Creta
O Hyundai i20 funciona como o alicerce de uma arquitetura que ditará o ritmo da Hyundai no Brasil nesta e na próxima década. O novo hatch tem motores que cumprem as normas de emissões brasileiras que entrarão em vigor em 2029 e sua versão híbrida leve está em desenvolvimento.

O mais importante é que a produção nacional do novo i20 pavimenta o lançamento da nova geração do Hyundai Bayon. O modelo é um utilitário compacto de proporções ligeiramente mais esticadas e robustas que o i20, construído sobre a mesma base.
A nacionalização do Bayon servirá para preencher o degrau intermediário do catálogo, a faixa mais disputada dos SUVs compactos, com o objetivo de enfrentar modelos como Volkswagen T-Cross, Chevrolet Tracker, Honda WR-V e HR-V, Toyota Yaris Cross e Nissan Kicks.

Esse movimento de criar um “degrau de acesso” (i20) e um “degrau intermediário” (Bayon) tem um propósito: empurrar o Creta para cima. A próxima geração do utilitário mais vendido da marca assumirá um porte maior e um padrão de acabamento superior para se estabelecer como um SUV médio.

Hoje, o Hyundai Creta até chega a ter algumas medidas internas superiores às de Jeep Compass e Toyota Corolla Cross, que são modelos médios. No entanto, o Creta ainda é pequeno e não tem a mesma sofisticação para justificar os preços das suas versões mais caras, que chegam a superar os R$ 200.000. Também carece de motorização híbrida, algo que o consumidor só encontra no Kona, que custa R$ 214.990.

Esta talvez seja a manobra mais ousada da Hyundai desde o lançamento do HB20, há 14 anos. A fabricante sul-coreana está tentanto abandonar a dependência histórica de um hatch e um SUV compacto com grande volume de vendas para pulverizar suas vendas em quatro modelos distintos, cercando o consumidor nos segmentos mais representativos em vendas.
