Um engavetamento entre um carro, um caminhão e uma motocicleta interditou a faixa da esquerda do Anel Viário Magalhães Teixeira (SP-083), na manhã desta terça-feira (21), no km 12, em Valinhos, no sentido da Rodovia D. Pedro I (SP-065).
Segundo a Concessionária Rota das Bandeiras, o carro foi parar no acostamento, enquanto o caminhão e a motocicleta permaneceram sobre a faixa da esquerda, que segue interditada.
Motociclista ficou ferido
De acordo com a concessionária, o motociclista sofreu ferimentos leves e recebia atendimento das equipes de resgate no local.
Os motoristas do carro e do caminhão não se feriram.
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Trânsito no Anel Viário
Por causa do acidente e da interdição da faixa da esquerda, o trecho registrava cerca de 2 quilômetros de lentidão na manhã desta terça-feira.
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Entroncamento entre Anel Viário e D. Pedro registra 45 acidentes em 3 anos; especialista explica as causas
O acesso entre o Anel Viário Magalhães Teixeira (SP-083) e a Rodovia Dom Pedro I (SP-065), em Campinas, registrou 45 acidentes entre janeiro de 2023 e junho de 2026, segundo dados da concessionária Rota das Bandeiras.
O trecho, localizado no km 129 da rodovia, acumula uma média de 1,07 ocorrência por mês e é conhecido por motoristas da região pela frequência de colisões.
De acordo com a concessionária, do total de acidentes, 22 não tiveram vítimas, o equivalente a 48% das ocorrências. Outros 22 deixaram pessoas feridas e uma morte foi registrada no período, ocorrida no primeiro semestre deste ano.
Os números mostram uma tendência de crescimento nas ocorrências até 2025. Em 2023, foram registrados nove acidentes. No ano seguinte, o número subiu para 12 e atingiu o pico em 2025, com 18 ocorrências. Já em 2026, até junho, foram contabilizados seis acidentes, dois deles com vítimas feridas e um com vítima fatal.
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Embora os acidentes no acesso específico tenham aumentado entre 2023 e 2025, a concessionária destaca que, considerando todo o trecho entre os quilômetros 127 e 129 da Dom Pedro I, região que engloba o Trevo da Leroy Merlin e o entroncamento com o Anel Viário, houve redução de 45% nas ocorrências no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025. Foram 16 acidentes neste ano, contra 29 registrados nos seis primeiros meses do ano passado.
O que explica tantos acidentes?
Para o engenheiro civil e doutor em Transportes pela Unicamp, Creso Preixoto, não existe um único fator responsável pela concentração de acidentes. Segundo ele, o problema é resultado da combinação entre características da geometria da via, do comportamento dos motoristas e do intenso volume de veículos que circulam pelo local.
Um dos principais pontos, segundo o especialista, é que os motoristas que chegam pelo Anel Viário descem uma rampa antes da convergência com a Dom Pedro. Nesse trajeto, os veículos ganham velocidade e, consequentemente, aumentam a chamada energia cinética, o que dificulta frenagens e amplia a gravidade de eventuais colisões.
“Quanto maior for a velocidade na descida, maior é a energia acumulada pelo veículo. Quando ele chega a um ponto de convergência com intenso fluxo de carros, o risco de sinistros aumenta significativamente”, explica.
Outro fator apontado por Preixoto é a diferença nas condições de tráfego enfrentadas pelos motoristas que chegam ao entroncamento por rotas diferentes.
Quem vem pelo Anel Viário, no sentido Valinhos-Campinas, percorre um trecho com menor intensidade de veículos e, ao acessar a Dom Pedro, encontra um fluxo muito mais intenso – com muitos caminhões. Essa mudança exige rápidas decisões e maior interação com os demais motoristas.
“Há uma mudança brusca no nível de serviço da rodovia. O motorista passa de um ambiente com menor fluxo para outro com tráfego intenso e precisa adaptar sua condução em poucos segundos”, afirma.
Fluxo intenso e dificuldade de inserção aumentam o risco
O professor também destaca que o trecho concentra grande circulação de caminhões, ônibus e veículos leves, o que torna mais difícil a chamada inserção veicular, momento em que um motorista precisa encontrar espaço para entrar na via principal.
Segundo ele, muitos condutores trafegam com distância insuficiente em relação ao veículo da frente, reduzindo as brechas disponíveis para quem tenta acessar a rodovia.
Além disso, dependendo do sentido da convergência, o motorista precisa fazer movimentos maiores para visualizar os veículos que se aproximam, aumentando a ocorrência de pontos cegos.
“A soma entre velocidade elevada, mudança nas condições do tráfego, necessidade de inserção e grande volume de veículos cria um ambiente com potencial maior para acidentes”, resume.
Soluções exigem estudos técnicos
Na avaliação do especialista, medidas para reduzir a velocidade dos veículos podem ajudar a diminuir os acidentes, mas precisam ser adotadas com cautela para não provocar congestionamentos ainda maiores.
Entre as possibilidades estão a implantação de novos radares, dispositivos visuais para indução da redução de velocidade, como faixas transversais pintadas na pista.
Para Preixoto, a alternativa mais eficaz para reduzir o problema seria uma intervenção estrutural capaz de retirar parte do fluxo de veículos da região.
Ele cita como exemplo o projeto de um arco viário suplementar, discutido pelo Governo de São Paulo e por concessionárias, que criaria uma nova ligação entre a região da Dom Pedro e a Rodovia Anhanguera, redistribuindo o tráfego e reduzindo a sobrecarga no entroncamento.
“Hoje, o volume de veículos é muito elevado. Uma obra que redistribua esse tráfego tende a reduzir tanto os congestionamentos quanto o risco de acidentes naquele ponto”, avalia.
O que diz a Rota das Bandeiras
Em nota, a Rota das Bandeiras informou que o trecho é um dos principais acessos a Campinas e concentra um alto volume de veículos, reunindo o tráfego da Rodovia Dom Pedro I, do Anel Viário Magalhães Teixeira e da Rodovia Heitor Penteado.
A concessionária afirmou que, desde o início da concessão, realizou obras para melhorar a segurança e a fluidez na região, como a implantação das vias marginais da Dom Pedro I e a remodelação do Trevo da Leroy Merlin.
A empresa também defendeu que o crescimento da região exige obras estruturais para reduzir o fluxo de veículos. Entre elas está o Contorno Norte, projeto citado também pelo especialista ouvido pela reportagem, que prevê uma nova ligação entre a Dom Pedro I e outras rodovias para desafogar o trânsito no entroncamento. Segundo a Rota, os estudos técnicos foram iniciados, mas estão suspensos temporariamente para ampliar as discussões com o poder público e a sociedade.
Além disso, a concessionária informou que mantém tratativas com a Artesp para viabilizar a implantação de uma terceira faixa de rolamento no Anel Viário Magalhães Teixeira, medida que também busca melhorar a fluidez do trânsito na região.
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