Um novo golpe contra usuários de celulares Android junta duas ferramentas maliciosas para roubar dados bancários e realizar compras no nome das vítimas. O esquema utiliza o programa SpyNote, conhecido por dar acesso remoto ao telefone, e um novo vírus batizado de WindRelay, que transforma o celular da vítima em uma máquina de cartão para transferir pagamentos por aproximação em tempo real.
O alerta foi emitido pela empresa de cibersegurança Group-IB após a análise de um caso recente. Na ocasião, o criminoso ligou para a vítima e fingiu ser um funcionário do banco. Com a justificativa de resolver um problema na conta, o golpista orientou a pessoa a baixar um aplicativo falso e a conceder permissões de acessibilidade ao sistema do celular. Para transmitir confiança e diminuir a desconfiança do usuário, o app exibia o nome da própria vítima na tela de instalação.
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Com o controle do celular garantido à distância pelo SpyNote, o invasor instalou o vírus WindRelay sem que o usuário percebesse qualquer movimentação estranha na tela. Em seguida, o criminoso usou o acesso remoto para abrir o aplicativo do banco e contratar um empréstimo em nome da vítima. Logo, orientou a pessoa a encostar o cartão físico na traseira do próprio telefone e digitar a senha para supostamente validar o procedimento de segurança.
Intercepção em tempo real e avanço do crime
É no momento da aproximação que a tecnologia NFC, responsável pelos pagamentos sem contato, é utilizada. Afinal, o WindRelay capturou as informações transmitidas pelo chip do cartão e enviou os dados de autenticação em tempo real para o aparelho do criminoso. Com posse desses dados instantâneos, o golpista usou um dispositivo próprio para realizar compras presenciais em uma maquininha física distante, como se o cartão da vítima estivesse sendo passado naquele local.
Segundo o relatório técnico da Group-IB, toda a operação ocorreu durante uma única ligação de apenas 13 minutos. “A combinação entre a ferramenta de acesso remoto e o vírus de aproximação mostra que o novo programa não é usado de forma isolada, mas sim como parte de um conjunto integrado de ferramentas para invadir o aparelho e sacar o dinheiro imediatamente”, destacou a equipe de analistas da Group-IB, no relatório oficial sobre o caso.
Ao contrário de outros ataques cibernéticos que exigem a transmissão e exibição da tela do celular, essa fraude funcionou por meio do controle silencioso das funções do aparelho combinado com a manipulação direta do usuário durante a chamada. Entre novembro de 2025 e julho deste ano, os especialistas identificaram quase duas dezenas de amostras do vírus WindRelay vinculadas a servidores de comando dos invasores. Os alvos principais concentraram-se em países europeus, como Chéquia, Eslováquia e Eslovênia.
O avanço da modalidade acende o alerta para o mercado global. Dados da empresa de cibersegurança Kaspersky, citados no levantamento da Group-IB, indicam que os ataques usando a tecnologia NFC em celulares Android cresceram 188% nos primeiros quatro meses de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025, somando mais de 35 mil tentativas bloqueadas na janela analisada.
Para evitar cair nessa fraude, a orientação dos especialistas da Group-IB é nunca instalar aplicativos fora da loja oficial Google Play nem conceder permissões avançadas de acessibilidade a programas desconhecidos. Caso receba uma ligação do banco com solicitações urgentes ou pedidos para baixar ferramentas de validação no celular, a recomendação é desligar a chamada imediatamente e entrar em contato com a instituição financeira por meio dos números oficiais informados no site da empresa.
Por falar em vulnerabilidades no universo digital, um golpe simula cobrança de taxas da Receita Federal para roubar Pix. Siga o TecMundo no X, Instagram, Facebook e YouTube e assine a nossa newsletter para receber as principais notícias e análises diretamente no seu e-mail.
