O serviço de tapa-buraco tornou-se o principal motivo de queixas dos moradores de Campinas junto à Prefeitura no primeiro semestre de 2026. Dados obtidos pela reportagem da EPTV Campinas por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) apontam que, entre 1º de janeiro e 31 de julho, o canal 156 do município registrou 2.639 solicitações relacionadas a problemas na pavimentação das vias públicas.
O volume representa uma média de 12,3 pedidos por dia no período. Em comparação com os anos anteriores, o número de chamados em 2026 teve um crescimento expressivo: em 2025, a média diária no município foi de 9,5 solicitações.
Aumento dos chamados no 156
O aumento não se restringe à demanda por asfalto. A alta nos pedidos gerais dirigidos ao serviço 156 também chamou a atenção. Nos primeiros sete meses de 2026, a Prefeitura contabilizou 45.845 chamados no total, superando todo o volume acumulado em 2024, quando foram registradas 45.059 solicitações. Em 2025, o total de demandas gerais do município atingiu 69.469 atendimentos.
Principais queixas da população no 156
Os dados obtidos via LAI detalham as demandas com maior volume de chamados registrados na central da Prefeitura neste ano:
- Tapa-buraco – 2.639
- Corte e extração de árvores – 2.528
- Poda de árvores – 2.191
- Limpeza de terreno particular – 1.634
- Barulho e poluição sonora – 1.335
Buracos nas principais vias de Campinas
Flagrantes realizados pela equipe de reportagem da EPTV Campinas mostram vias importantes da cidade tomadas por falhas na pista, trincas na capa asfáltica e remendos de reparações anteriores.
Na Avenida Francisco de Paula Souza, no trecho que dá acesso ao Cemitério da Saudade, motoristas enfrentam valetas acompanhadas de buracos. Na Rua Frederico Ozanan, crateras foram registradas no eixo direto de passagem dos veículos.
A situação também atinge o Jardim do Trevo, na Avenida Monsenhor João Batista Ladeira, a Rua Tatuí, além de um dos corredores mais movimentados do município, a Avenida das Amoreiras, no Parque Industrial, onde há trechos com o asfalto deformado e deslocado no leito da via.
As falhas na infraestrutura urbana afetam a rotina e causam prejuízos financeiros aos condutores da cidade.
“Não existe manutenção e, quando é feito o serviço, é de péssima qualidade”, afirma o comerciante Carlos Domingues.
“É difícil passar por uma rua que não tenha buraco. Aqui em Campinas é buraco em cima de buraco”, relata o aposentado Gilberto Callegari.
“É muito buraco, o asfalto é muito ruim, às vezes quebra o carro”, reclama o reciclador Robson de Oliveira.
O prejuízo é confirmado pelo churrasqueiro Éverton Lima, morador da cidade. “Eu já tive que arrumar a suspensão do carro algumas vezes por causa disso. Pneu cortou também”, lamenta.

O que diz a Prefeitura
Procurada pela reportagem, a Secretaria de Serviços Públicos de Campinas informou que realizaria vistorias ainda no dia da notificação nos locais indicados para avaliar as condições do pavimento e adotar as medidas necessárias.
Sobre o crescimento no volume de chamados pelo canal 156, a pasta justificou que o volume de chuvas registrado na cidade em 2026 ficou acima da média histórica, fator que acelera o desgaste natural do asfalto.
A administração municipal declarou ainda que analisa todos os chamados recebidos e estabelece a prioridade de atendimento com base em critérios técnicos, concedendo atenção prioritária às vias por onde trafegam os veículos do sistema de transporte público municipal.
*Com informações de Victor Hugo Bittencourt/ EPTV Campinas
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