O nome inspirado em um avião supersônico de alta altitude não é por acaso. O Hennessey Blackbird acaba de ser revelado como uma afronta à atual geração de hipercarros pesados e eletrificados. O esportivo abre mão de motores auxiliares, baterias de alta capacidade e painéis escondidos por telas para priorizar o envolvimento mecânico, utilizando uma receita cada vez mais rara: tração traseira, câmbio manual de seis marchas e um grande motor V8 aspirado.
A decisão de seguir um caminho purista tenta resgatar o comportamento dinâmico dos esportivos do passado. Enquanto as rivais europeias recorrem a sistemas híbridos para baixar o tempo de volta em circuitos, a empresa texana focou na experiência do motorista. O projeto priorizou manter o peso abaixo dos 1.360 kg, utilizando uma nova estrutura monocoque e carroceria moldadas em fibra de carbono.
Motor sem turbos e cabine analógica
Para garantir respostas imediatas ao acelerador, o cupê utiliza um motor V8 6.2 naturalmente aspirado, desenvolvido em parceria com a Ilmor Engineering. Ao abolir os turbocompressores, a fabricante aceitou entregar menos potência bruta que seu antecessor, o Venom F5, para ganhar linearidade na entrega de força. O conjunto mecânico gera até 862 cv e trabalha em regimes acima de 9.000 rpm.
A força é enviada exclusivamente às rodas traseiras por meio um câmbio manual de seis marchas cuja alavanca tem trilhos expostos. Pelos números informados pela empresa, o modelo acelera de 0 a 100 km/h em 2,5 s e alcança os 354 km/h de velocidade máxima. A dirigibilidade é amparada por uma suspensão adaptativa e pneus Michelin Pilot Sport Cup 2.
O purismo mecânico se repete dentro da cabine. Não há central multimídia, painel de instrumentos digital ou comandos sensíveis ao toque. O motorista encontra apenas uma chave física, botões analógicos e um grande conta-giros central. As funções de navegação são feitas pelo celular do próprio condutor, que fica guardado em um compartimento no painel, garantindo que o desenho não envelheça com a rápida obsolescência das telas.
Aerodinâmica de avião e preço milionário
O desenho da carroceria carrega forte inspiração no caça militar Lockheed SR-71 Blackbird, de quem herda o nome. A referência aeroespacial fica evidente nas barbatanas verticais traseiras. Elas se erguem automaticamente ao atingir 114 km/h para criar estabilidade direcional, adotando uma inclinação exata de 71 graus. A saída quádrupla de escape em formato de diamante também remete aos aviões supersônicos.
Diferente de outros projetos do segmento focados apenas em autódromos, o esportivo foi pensado para suportar viagens longas. A cabine ganhou isolamento acústico aprimorado, portas do tipo asa de gaivota para facilitar o acesso e compartimentos com espaço para duas malas de mão.
Contudo, a marca cobra um preço altíssimo. A produção será restrita a 71 unidades, com as primeiras entregas previstas apenas para 2029. Cada exemplar custará a partir de US$ 2,5 milhões, valor que equivale a R$ 13,7 milhões na conversão direta. Trata-se de uma quantia suficiente para comprar mais de dez unidades do Porsche 911 GT3 no mercado brasileiro, colocando o americano em um patamar de nicho altamente restrito.
