Márcio Antônio Peixoto, Maricá (RJ)
No uso, o proprietário precisa diferenciar a infiltração da condensação natural do clima. Em dias de grande variação de temperatura ou altíssima umidade relativa do ar, é comum surgir um leve embaçamento nos cantos das lentes. Essa fina névoa desaparece após alguns minutos com as luzes acesas ou sob o calor do sol, pois o conjunto ótico possui pequenos dutos de respiro projetados especificamente para a troca de ar e dissipação térmica.
No entanto, a formação de gotas espessas que escorrem pelo vidro ou o acúmulo de líquido balançando na base da peça caracterizam a infiltração real. Nesses cenários, é necessária a remoção da unidade ótica para secagem em estufa, limpeza e aplicação de novos selantes de poliuretano.
Embaçamento ou infiltração?
O principal motivo para entrar água nos faróis é a má vedação da peça, mas esse não é um problema que vem exclusivamente de fábrica:
“Pequenas infiltrações podem ocorrer quando há desgaste das borrachas de vedação, trincas na lente (causadas por pequenas batidas ou pedras), encaixe incorreto da tampa traseira ou mesmo após a substituição de lâmpadas sem o correto fechamento do conjunto”, explica Juliana Gubel, head de marketing da Phillips Automotiva.
Além disso, pequenas trincas na lente de policarbonato, causadas por impactos de pedras em rodovias ou colisões leves em manobras, abrem caminho para a entrada de água.
A curto prazo, a umidade condensada na lente interna atua como um prisma, espalhando o feixe de luz de maneira irregular e reduzindo a eficiência luminosa noturna.
A longo prazo, o acúmulo de água pode gerar curtos no sistema elétrico, redução da eficiência da iluminação, formação de manchas na lente interna, oxidação dos contatos elétricos e até danos permanentes ao refletor.
A especialista também cita um caso mais extremo, quando a água muito fria entra em contato com a lâmpada muito quente, causando um choque térmico e explodindo, literalmente, a lâmpada.
Em veículos atuais equipados com faróis em LED, onde a substituição de placas individuais oxidadas muitas vezes não é possível, a troca de um conjunto completo danificado pela água alcança o valor de múltiplas revisões anuais do veículo, o que torna a inspeção visual preventiva uma etapa fundamental na garagem.
