O mercado automotivo vive uma espécie de guerra fria com relação aos carros eletrificados. Enquanto diversos governos exigem que as fabricantes tenham carros cada vez mais eficientes e menos poluentes, o que as leva para o caminho dos veículos elétricos, as marcas não conseguem produzir um veículo relevante comercialmente que seja elétrico, exceto as chinesas.
Porém, para proteger suas indústrias, os governos mundo afora tarifam as fabricantes chinesas ou exigem fabricação local para que seus produtos sejam vendidos naquele país. Exceto os Estados Unidos, que aplicam taxas de 100% e se utilizam da lei de segurança nacional para evitar que os produtos chineses cheguem ao mercado. Ao menos por enquanto.
Analistas chineses e executivos de fabricantes tradicionais apostam que essa realidade irá mudar em algum momento. Afinal, o México já abriu as portas para fabricantes chinesas, enquanto o Canadá permite a importação de até 49.000 unidades por ano.
Yale Zhang, diretor-geral da consultoria Automotive Foresight, em Xangai, acredita que a pressão virá dos próprios cidadãos americanos, especialmente por ver seus vizinhos se aproveitando de preços mais baixos.
“As montadoras americanas enfrentarão reclamações de consumidores que querem desfrutar de veículos elétricos inteligentes e acessíveis”, disse Zhang ao South China Morning Post.
Segundo dados da Kelley Blue Book, o preço médio de transação de um veículo elétrico novo em agosto de 2025 era de US$ 57.245, enquanto o veículo elétrico mais barato do mercado é o Nissan Leaf na casa dos US$ 30 mil. No México, um BYD Dolphin Mini é oferecido por 399.800 pesos mexicanos, o que equivale a US$ 23.360 em conversão direta.

Na China, onde o mercado é maior e não há necessidade de pagamentos de taxas extras ou importação da maior parte dos insumos, o preço do BYD Dolphin Mini, chamado de Seagull, é de 55.800 yuans, o que representa US$ 8.269 em conversão direta.
Diante desse cenário, o CEO da Ford, Jim Farley, acredita que as montadoras chinesas podem entrar no mercado americano dentro de cinco a dez anos, segundo informações da Reuters. Outras lideranças da marca apontam para a necessidade conseguir vencer as empresas chinesas.
Presidente executivo da empresa, Bill Ford, deixou isso claro ao Wall Street Journal: “Não podemos esperar mantê-los afastados para sempre, e temos que ser capazes de vencê-los em seu próprio jogo”, disse ele, segundo o Wall Street Journal. Até o momento, nenhuma marca conseguiu fazer um carro elétrico atrativo abaixo de US$ 25.000.
