A inovação corporativa precisa deixar de ser tratada como vitrine e passar a entregar resultados concretos para o negócio. Esse foi o fio-condutor do painel “O que faz a inovação funcionar”, realizado no São Paulo Innovation Week, nesta quinta-feira, 14, que reuniu Caroline Capitani, VP de estratégia de inovação da ilegra; Paulo Emediato, head of growth e comms do Inovabra; e Marcos Gurgel, global director of innovation e new ventures da Wellhub.
Em formato de bate-papo, os três executivos discutiram os gargalos enfrentados por empresas que tentam acelerar programas de inovação, especialmente em um cenário de pressão por eficiência, redução de investimentos e avanço da inteligência artificial (IA). Entre os temas abordados estiveram inovação aberta, métricas corporativas, governança, cultura organizacional e relação entre startups e grandes empresas.
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Logo no início da conversa, Paulo Emediato afirmou que a inovação aberta passa por uma transformação estrutural. Segundo ele, o modelo criado há cerca de duas décadas começou a perder força após anos focado mais em iniciativas e indicadores de atividade do que em resultados efetivos para os negócios. “A inovação aberta tá morta, mas é vida longa à inovação, só que a inovação de um outro jeito”, disse.
O executivo afirmou que a mudança no cenário econômico, com menos capital disponível e maior cobrança por retorno financeiro, obrigou empresas a revisarem seus programas. “A agenda de hoje é de eficiência. IA é muito legal, mas como é que eu gero impacto com essa história no negócio?”, afirmou. Para ele, métricas subjetivas ligadas apenas à cultura de inovação já não são suficientes.
Inovação sob pressão por resultados
Marcos Gurgel reforçou a percepção de perda de eficiência dos programas corporativos e explicou que indicadores globais apontam queda na satisfação das empresas com sua capacidade de inovar. O executivo citou ainda cortes em equipes e orçamentos de inovação nos últimos dois anos. “A gente está entregando menos valor para o acionista final do que diz respeito ao produto desenvolvido nos últimos 2 anos”, afirmou.
Na avaliação de Caroline Capitani, as empresas que conseguem avançar são aquelas que tratam inovação como questão de competitividade e não apenas de imagem institucional. “Inovação deixou de ser um aspecto de vitrine corporativo, de branding”, disse. Ela destacou que companhias bem-sucedidas possuem estratégia clara, conexão com áreas operacionais e capacidade de tomar decisões rápidas.
Durante o painel, os participantes também criticaram o excesso de foco em eventos, provas de conceito e métricas de volume sem continuidade prática. Caroline afirmou que muitas empresas “têm muita atividade, mas pouca absorção”. Segundo ela, iniciativas acabam travando após a fase inicial por falta de definição sobre orçamento e responsabilidades.
Outro ponto discutido foi a relação entre startups e grandes corporações. Gurgel afirmou que o principal problema não é a diferença de velocidade entre os dois lados, mas as assimetrias de decisão, incentivos e fluxo de caixa. “A gente está “namorando” muito pouco, a gente está correndo para o abraço que diz respeito ao “casamento””, afirmou, ao comparar relações corporativas com relacionamentos pessoais.
Desafios da IA nas empresas
Paulo Emediato argumentou que a tecnologia pode acelerar tarefas operacionais, mas não substitui a experiência prática. “A IA não consegue te entregar a experiência vivida. Ela consegue te entregar o vocabulário sobre o tema”, afirmou. Segundo ele, profissionais de inovação precisam sair do ambiente corporativo para entender problemas reais de clientes, startups e equipes.
No encerramento do painel, os participantes deram dicas para empresas que desejam melhorar suas estratégias de inovação. Caroline destacou a importância de definir responsáveis pelas decisões e envolver áreas como jurídico e compliance desde o início dos projetos. Já Emediato recomendou foco na experiência do cliente e maior proximidade com startups e usuários finais.
Gurgel encerrou o debate com críticas ao que chamou de “Projeto Verão” da inovação corporativa, em referência a iniciativas rápidas e sem continuidade. “Chega de “Projeto Verão” nas empresas, não adianta comprar soluções sem inovar de verdade. Isso não se sustenta”, afirmou. Para ele, empresas precisam abandonar o comportamento guiado por tendências e investir em execução consistente de longo prazo.
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