Cinco dias após o acidente com um Porsche, que matou dois jovens em Campinas, a família de Lívia Bevilacqua, de 20 anos, ainda aguarda a liberação do corpo da estudante para realizar o velório e o sepultamento. A jovem estava no banco de passageiro do veículo que bateu contra uma árvore e explodiu na última sexta-feira (11), na rodovia Francisco Von Zuben.
A demora na liberação tem causado indignação e sofrimento aos familiares, que afirmam ter cumprido todas as exigências solicitadas pela Polícia Civil e pelo Instituto Médico-Legal (IML), sem que houvesse avanço no processo. Enquanto o corpo do motorista, Arthur Rodrigues de Souza, também de 20 anos, foi liberado ainda no sábado (12), o de Lívia segue sob análise.
Família de Lívia diz que fez tudo o que foi pedido
De acordo com os pais, a família forneceu imagens, documentos, exames e informações solicitadas pela polícia para acelerar a identificação. Entre os materiais entregues estariam fotos, imagens de câmeras de segurança, raio-X da arcada dentária. Mesmo assim, até o momento, não houve retorno oficial sobre a liberação.
A mãe, Danila Bevilacqua Batista, tem visitado o local do acidente desde domingo (12), quando soube dos detalhes da morte da filha. Em entrevista à EPTV Campinas, ela disse que leva flores ao ponto onde o carro bateu e afirma viver um “ante-luto” pela falta de uma despedida digna.
“Estou sofrendo essa perda e não tenho essa vivência física para poder enterrar ela, me despedir dela”, afirmou.
O pai, Adilson Silvio Batista, também relatou a angústia de tentar localizar vestígios da filha no local do acidente e disse ter ido ao IML em busca de confirmação. Segundo ele, a família só quer conseguir realizar o funeral.
“No IML, pedi pra ver, pra ter certeza que era minha filha. Chegando lá, tive a certeza que era pela roupa do corpo e, até então, estamos nessa angústia de liberação do corpo, mas não conseguimos”, lamentou.

O acidente
Lívia estava no veículo, guiado por Arthur. Segundo imagens obtidas pela família, ela saiu de casa por volta das 19h e depois apareceu com o motorista na entrada de um bar em Campinas, por volta das 23h10. Menos de dez minutos depois, o carro bateu em uma árvore e explodiu. Nenhum dos ocupantes sobreviveu.
A família afirma que só ficou sabendo do acidente na manhã de sábado, cerca de dez horas após a ocorrência. A partir daí, começou a busca por informações e pela liberação do corpo.
“A partir daí começou a angústia. Vim ao local aqui do acidente e procurei por ela ou por vestígios. Achei um pedaço de roupa dela, achei dois celulares, que não sabia identificar no momento e fui pra delegacia”, relatou o pai.
O que dizem as autoridades
A Superintendência da Polícia Técnico-Científica informou que a identificação de vítimas segue procedimentos técnicos e exigências legais, como exame de arcada dentária, coleta de material biológico e outros exames periciais, quando necessários. Segundo o órgão, o corpo só é liberado à família após a conclusão desses procedimentos.
A secretaria de Segurança Pública também informou que a atualização do boletim de ocorrência com o nome de Lívia como vítima fatal ajuda a qualificar a ocorrência, mas não substitui a identificação médico-legal do corpo.
O caso segue em investigação por meio de inquérito policial, que apura as circunstâncias do acidente.
*Com informações de Gustavo Biano/ EPTV Campinas
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