A Prefeitura de Campinas anunciou nesta quarta-feira (15) a construção de uma nova alça de acesso entre a Avenida Dr. José Roberto Magalhães Teixeira (Marginal do Piçarrão) e a Avenida das Amoreiras, na altura da Rua Francisco Bueno de Lacerda, no Parque Itália.
Com investimento de R$ 1.249.862,17, a obra deve começar em até 10 dias e tem como objetivo melhorar a fluidez do trânsito em uma das regiões com maior circulação de veículos da cidade.
A intervenção será possível após o município vencer uma ação judicial que garantiu a reintegração de posse de uma área pública de aproximadamente 280 metros quadrados, ocupada irregularmente por uma empresa. O processo tramitou por mais de três anos até a decisão favorável à Prefeitura.
De acordo com o prefeito Dário Saadi (Republicanos), o novo acesso vai oferecer uma alternativa aos motoristas que trafegam pela Marginal do Piçarrão no sentido Centro, reduzindo o tempo de deslocamento e melhorando a mobilidade urbana na região.
“Hoje, quem passa pelo Piçarrão no sentido Centro tem como única opção de acesso o Túnel Joá Penteado. Isso vai mudar. Com essa alça de acesso para a Avenida das Amoreiras, as pessoas vão ganhar tempo em seus deslocamentos, o que é sempre muito importante”, afirmou.
A obra será executada pela empresa vencedora da licitação. Do valor total do investimento, R$ 481.104 são provenientes de uma emenda parlamentar federal.
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O que será feito?
Além da construção da nova ligação entre a Marginal do Piçarrão e a Avenida das Amoreiras, o projeto prevê o prolongamento da Rua Francisco Bueno de Lacerda. A Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) ficará responsável pela implantação da sinalização viária no local.
Entre os serviços previstos estão:
- Investimento total de R$ 1.249.862,17;
- Repasse federal de R$ 481.104;
- Pavimentação de 280 metros de extensão, totalizando 1.953,90 m²;
- Implantação de 93,14 metros de galerias de drenagem.
Região recebe mais de 57 mil veículos por dia
De acordo com levantamento da Emdec, a Marginal do Piçarrão registra intenso fluxo de veículos. No sentido Centro, passam cerca de 34 mil veículos por dia útil. Já no sentido bairro, a média é de 23 mil veículos por dia, considerando dados coletados em junho deste ano.
A expectativa da Prefeitura é que a nova alça distribua melhor o tráfego e ofereça uma alternativa ao acesso atualmente concentrado no Túnel Joá Penteado.
Obras fazem parte de pacote de melhorias viárias
De acordo com a Prefeitura, a nova ligação integra um conjunto de intervenções em andamento na região.
Entre elas estão a ampliação das pontes da avenida Prestes Maia sobre o Córrego Piçarrão, no Jardim do Trevo, para aumentar a capacidade de tráfego, além das obras de canalização do córrego, drenagem e pavimentação na Rua São Luís do Paraitinga, no São Bernardo.
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VOCÊ VIU? Campinas tem potencial para ter até 78 km de novas linhas de BRT e VLT, aponta estudo
A Região Metropolitana de Campinas (RMC) tem potencial para praticamente dobrar a capacidade da atual rede de transporte coletivo. Um estudo elaborado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pelo Ministério das Cidades aponta que a malha poderia passar dos atuais 83 quilômetros para 161 quilômetros, com investimentos estimados entre R$ 6,47 bilhões e R$ 7,76 bilhões.
Segundo o Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU), a expansão atenderia cerca de 348,48 mil passageiros por dia e será viabilizada por meio da implantação de seis projetos, que incluem novas linhas de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) e corredores de Bus Rapid Transit (BRT).
Expansão prevê redução no tempo de viagem
Além da ampliação da infraestrutura, o levantamento estima impactos positivos para a mobilidade em Campinas. Entre eles estão a redução de 14% no tempo médio de deslocamento da população e a prevenção de aproximadamente 477 vítimas de acidentes de trânsito por ano.
O ENMU reúne um diagnóstico da mobilidade urbana nas 21 regiões metropolitanas mais populosas do Brasil e apresenta uma carteira de projetos para orientar a expansão e a modernização dos sistemas de transporte coletivo de média e alta capacidade.
Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o estudo reúne diagnósticos, propostas e projetos para orientar a expansão e a qualificação do transporte público coletivo nas principais regiões metropolitanas do país.

Emdec diz que acompanha estudos e destaca projeto estadual de VLT
Procurada pela reportagem, a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) informou que, desde o início dos trabalhos, em 2024, equipes técnicas da Diretoria de Planejamento e Transporte participam da elaboração do estudo, enviando relatórios e pareceres para subsidiar as análises.
A Secretaria de Transportes e a Emdec afirmaram que consideram bem-vindas as propostas que contribuam para melhorar a mobilidade urbana e reduzir as dificuldades enfrentadas nos deslocamentos na cidade. O órgão também informou que está à disposição para discutir as sugestões apresentadas e realizar eventuais ajustes para garantir a viabilidade e o sucesso da implantação dos projetos.
A Emdec destacou ainda que já existe um projeto de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) para Campinas sob responsabilidade do Governo do Estado de São Paulo, independente das propostas apresentadas pelo estudo do Ministério das Cidades e do BNDES.
Estudo reúne 187 projetos em todo o país
O relatório final do estudo reúne um banco de dados com 187 projetos de mobilidade urbana, somando mais de 3 mil quilômetros de metrôs, BRTs, trens e VLTs. Cada proposta foi analisada com base em mais de 100 indicadores técnicos, econômicos, financeiros, socioambientais e urbanísticos, permitindo definir prioridades de investimento.
Entre os critérios avaliados estão o impacto na redução de emissões de poluentes e gases de efeito estufa, diminuição de acidentes, demanda de passageiros e necessidade de investimentos.

Projetos podem gerar mais de 1 milhão de empregos
Em todo o país, os projetos mapeados têm potencial para evitar cerca de 27 mil vítimas de acidentes de trânsito, reduzir em aproximadamente 3 milhões de toneladas por ano as emissões de dióxido de carbono (CO₂), diminuir em 11% o custo das viagens e reduzir em 16% o tempo médio de deslocamento da população.
O estudo também aponta benefícios econômicos, com potencial para gerar mais de 1 milhão de empregos e estimular a produção de até 7.600 ônibus elétricos e 2.400 veículos metro ferroviários.
Desenvolvido entre 2024 e 2026, o Estudo Nacional de Mobilidade Urbana considera projeções populacionais e de demanda para os próximos 30 anos. A proposta é fornecer suporte técnico para que estados e municípios possam estruturar projetos capazes de melhorar os deslocamentos diários, ampliar o acesso da população a serviços essenciais e tornar o transporte público mais eficiente e sustentável.
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