
A economia do Chile encolheu no primeiro trimestre, apesar do otimismo de investidores com as propostas pró-mercado do novo governo de José Antonio Kast.
O Produto Interno Bruto (PIB) recuou 0,3% no período de janeiro a março em relação aos três meses anteriores, pior que a mediana de -0,2% prevista por analistas em pesquisa da Bloomberg. Na comparação com um ano antes, houve queda de 0,5%, informou o banco central nesta segunda-feira.
Kast assumiu a presidência em 11 de março prometendo levar o crescimento anual do PIB a 4% até o fim do mandato, ante níveis atuais próximos de 2,5%, por meio de corte de impostos corporativos, estímulos ao investimento e enxugamento da máquina pública. Ainda assim, em poucos dias, seu governo permitiu a maior alta dos preços dos combustíveis desde pelo menos 1980, em meio à escalada do petróleo provocada pela guerra no Oriente Médio. Em resposta, analistas reduziram as projeções de crescimento para este ano e elevaram as apostas de inflação.
“A perspectiva mais ampla continua difícil. Seguimos projetando crescimento do PIB em torno de 1,5% em 2026”, escreveu em relatório Andrés Abadía, economista-chefe para América Latina da Pantheon Macroeconomics. “Condições financeiras mais apertadas, demanda externa ainda fraca e ociosidade no mercado de trabalho continuarão limitando a recuperação, mesmo com a melhora gradual do investimento.”
A atividade de mineração caiu 1,3% no primeiro trimestre em relação aos três meses anteriores, enquanto o restante da economia recuou 0,1%, segundo o banco central.
Projeto do governo
O governo Kast prevê que a economia cresça pouco acima de 2% em 2026, à medida que avança com reformas pró-investimento e corte de gastos, afirmou o ministro da Fazenda, Jorge Quiroz, em entrevista no início do mês.
Um projeto de lei apoiado pelo Executivo, que inclui redução de impostos para empresas e subsídios ao emprego, está em tramitação no Congresso. Quiroz disse esperar que seus pontos centrais sejam aprovados até junho, apesar da fragmentação da base parlamentar.
A economia chilena, uma das mais ricas da América Latina, ainda mostra sinais claros de fraqueza. O desemprego subiu mais do que o esperado no trimestre encerrado em março, para 8,9%, puxado pela perda de vagas formais. Dados oficiais também apontaram continuidade da fraqueza na indústria e na manufatura naquele mês.
Economistas consultados pelo banco central no início de maio projetam crescimento de 2% do PIB neste ano, abaixo da estimativa de 2,5% feita perto do início da guerra no Irã. Eles também veem a inflação anual em 4,3% em dezembro.
Mais recentemente, a inflação em 12 meses acelerou para 4% em abril, com a alta dos combustíveis levando ao maior avanço mensal dos preços ao consumidor desde 2022.
O banco central do Chile manteve a taxa básica de juros em 4,5% ao longo deste ano. A estratégia da autoridade monetária deve ser “reavaliada reunião a reunião” à medida que surjam novas informações, escreveram membros do conselho na ata da decisão de abril, divulgada neste mês.
A queda do PIB no primeiro trimestre foi reforçada pela retração tanto dos investimentos quanto das exportações, segundo Kimberley Sperrfechter, economista sênior de mercados emergentes da Capital Economics.
“A leitura fraca do PIB pode conter algumas das vozes mais duras dentro do banco central, mas acreditamos que os formuladores de política continuarão focados na inflação”, escreveu ela em nota. “Quanto mais tempo os preços de energia permanecerem elevados, maiores as chances de o BCCh caminhar para uma alta de juros.”
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