Na internet, há quem o chame de “mini Fox”, “meio Fox”, “Ox” e até “Squirrel” (esquilo, em inglês). O nome oficial ainda não foi definido, mas esse carrinho já tem destino certo: as pistas de arrancada paulistas.
O projeto é obra de Erick Cassol, de 27 anos, que comanda a preparadora Lessan Special Scaps ao lado do pai, que também é piloto de arrancada. Os mais atentos já devem ter percebido que, do Volkswagen Fox, o carro só resta a aparência — ou metade dela —, afinal, trata-se de um velho simulador de autoescola.
O equipamento foi encontrado por Erick em um ferro-velho que ele costuma frequentar em busca de peças para a oficina, mas o proprietário fez jogo duro. “Eu vi ele (o simulador) lá, mas o dono não quis me vender. Disse que já tinha dono e estava guardando.”
Foram oito meses “namorando” o simulador, até que o terreno onde o ferro-velho funcionava foi vendido e o proprietário precisou se desfazer dele. O preço? R$ 2.000 por um aparelho em plenas condições, apesar do tempo parado. “A gente ligou na tomada e funcionava. Só não tinha a tela”, explica Erick.

Claro que, em uma oficina que prepara carros para competições de arrancada, o simulador não seria usado com o mesmo propósito de uma autoescola. Trabalhando com o pai desde os 12 anos, Erick logo visualizou aquela estrutura sendo transformada em um “drag junior”, categoria de carros de arrancada menores e pilotados por crianças. “Não tinha outra para esse projeto. Era só fazer uma gaiola e colocar um motor que ia ficar top”, lembra.

Toda a parte eletrônica do simulador foi descartada, restando apenas a estrutura. A primeira etapa foi construir uma gaiola, criando a base para adaptar o motor, que ficou na traseira. Para se adequar melhor ao projeto, o escolhido foi um motor de 250 cm³ da Yamaha Lander.
“Eu não queria colocar um motor para deixar o projeto muito ‘cabuloso’, muito agressivo, porque as crianças vão querer entrar e andar. Então preferi fazer o projeto funcionar primeiro e depois evoluir”, conta.
A transmissão precisou ser totalmente adaptada, já que Erick queria manter o sistema original do carro. O mesmo vale para a direção, preservando não só a estrutura do simulador, como também o interior, com painel, volante, pedais e alavanca de câmbio.

“O motor eu peguei fechado da moto. As outras adaptações eu fiz todas: caixa de direção, barras, cabos… você vai ajustando tudo para funcionar. É um quebra-cabeça difícil de montar”, pondera.
Freios e suspensão também vieram do mundo das motos, justamente por se adaptarem melhor às dimensões do simulador. A asa traseira foi uma criação do próprio Erick, para dar ao carro a cara de um carro de arrancada. Ele também recebeu nova pintura para esconder a faixa amarela de autoescola, recortes na carroceria para receber as rodas da GR, adesivos da oficina de Erick, wheelie bar (rodinhas para evitar que os carros de arrancada empinem) e até para-quedas, que auxiliam na frenagem.

Segundo ele, o carro está praticamente pronto, faltando apenas a parte elétrica — considerada a mais complicada. A ideia é fazê-lo ligar na chave original do simulador. Com a ajuda de um amigo, o influenciador Neguinho do Passat, essa etapa já está em andamento em uma oficina parceira. O objetivo é deixá-lo pronto para a SpidCup, evento que acontece entre 22 e 24 de maio, em Itatiba (SP).

Mas o Meio Fox ainda não vai correr. Em um primeiro momento, Erick pretende usá-lo como veículo de apoio para puxar seus carros de competição. Ainda assim, já pensa em evoluções para, no futuro, colocá-lo nas pistas.
“Todos os nossos carros são turbinados, então não faz sentido não turbinar ele também”, brinca Erick. “Já tenho até uma turbina, mas minha vontade é colocar um motor elétrico na frente para deixá-lo mais moderno.”

Dividindo o tempo entre a oficina e o projeto, Erick estima que levou cerca de um ano e meio para chegar ao estágio atual. Ele não calcula o valor investido, já que contou com a ajuda de amigos. Ainda assim, o carrinho já vale como um usado: segundo ele, já houve oferta de R$ 40.000, mesmo sem estar totalmente pronto.
