Cibercriminosos estão usando chamadas de voz no Microsoft Teams para aplicar golpes em funcionários e assumir o controle de computadores corporativos. O alerta partiu de relatórios recentes de empresas de segurança digital como Palo Alto Networks e Sophos. A ação não decorre de falhas técnicas na plataforma, e sim da manipulação psicológica dos alvos para obter acesso aos sistemas.
A tática, batizada de “vishing” (junção de voz e phishing), foi documentada na operação “Spring Ring”, identificada pela Unit 42, divisão de inteligência da Palo Alto Networks. Entre janeiro e abril, os golpistas miraram mais de 150 trabalhadores em ao menos dez organizações pelo mundo. Os criminosos criam contas externas no Teams com nomes genéricos como “help desk” ou “assistência de TI” e iniciam uma conversa que rapidamente vira uma ligação de áudio direta.
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Durante a chamada, o invasor convence o funcionário de que uma manutenção de rotina ou atualização de emergência é necessária. A vítima recebe instruções para abrir ferramentas comuns de suporte remoto do Windows, como o Quick Assist, ou para baixar programas equivalentes. Assim que o acesso é liberado, os criminosos executam comandos nos bastidores, instalam programas espiões e tentam capturar permissões administrativas para avançar por toda a rede da companhia.
“A Spring Ring não explorou uma vulnerabilidade no Microsoft Teams. Os invasores convenceram os funcionários a abrir ferramentas legítimas de suporte remoto ou a executar programas, para depois entregar o código malicioso e tentar roubar identidades”, afirmou Mika Aalto, cofundador e presidente da empresa de segurança Hoxhunt.
Nova “onda” do crime digital
O avanço desse formato de golpe reflete uma migração do crime digital para plataformas corporativas de comunicação interna, ambientes em que os colaboradores costumam baixar a guarda.
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Dados da Palo Alto Networks apontam que os alertas vinculados a ferramentas de colaboração saltaram de 30% para 42% no primeiro quadrimestre deste ano. A consultoria KnowBe4 registrou alta de 41% nos ataques via Teams entre outubro de 2025 e março de 2026, impulsionada pelo recurso que autoriza contatos com usuários externos à organização.
Em sintonia, investigações da Sophos identificaram ofensiva semelhante na campanha STAC4749, voltada a empresas dos Estados Unidos e do Canadá. Os golpistas também usaram chamadas no Teams e programas de suporte remoto para abrir caminho a invasões mais destrutivas. Em pelo menos três casos rastreados pela companhia, a porta de entrada via suporte falso serviu para a instalação do Chaos, um tipo de vírus que bloqueia arquivos da empresa e exige resgate em dinheiro para a liberação.
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Um dos principais obstáculos no combate a essas fraudes é o excesso de confiança dos trabalhadores. Assim revela uma pesquisa da Darktrace conduzida com mil profissionais de escritório nos Estados Unidos, em que 80% dos entrevistados acreditavam ser capazes de reconhecer golpes digitais na rotina. No entanto, quando submetidos a testes práticos com mensagens reais, apenas 32% identificaram tentativas de fraude com exatidão.
O cofundador da Hoxhunt alerta que treinamentos teóricos em slides não preparam equipes para a pressão de um falso técnico na linha telefônica. “Em algum momento, o telefone precisa tocar”, afirmou. Já Aviv Nahum, cofundador da Above Security, destaca que a defesa exige validação ativa: “O modelo de segurança precisa passar de ‘isso parece real?’ para ‘posso verificar de forma independente se essa pessoa é quem diz ser?'”.
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A orientação prática dos especialistas é desligar o chamado inesperado e confirmar o contato pelos canais internos oficiais antes de autorizar qualquer acesso.
Por falar em segurança no universo digital, falha em login da Lenovo expõe 5 mil contas do Dropbox em ataque cibernético. Siga o TecMundo no X, Instagram, Facebook e YouTube e assine a nossa newsletter para receber as principais notícias e análises diretamente no seu e-mail.
