Todo mundo sabe que 2026 tem sido um péssimo ano para o mundo do hardware ao passo que os consumidores enfrentam uma onda de preços altos. A boa notícia até então é que a Intel voltou a produzir processadores interessantes, como o Intel Core Ultra 7 270K Plus, uma versão mais robusta da geração Arrow Lake, mas que ainda tem algumas ressalvas.
Nas últimas semanas eu coloquei esse Intel Core Ultra 7 270K Plus na minha máquina de testes e os resultados foram mistos. A Intel volta a se destacar quando o assunto são softwares profissionais, muito ligados ao uso de múltiplos núcleos. Em games, a companhia ainda perde para a AMD e seu sistema X3D.
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Um refresh Plus
Desde quando a Intel adotou o seu sistema de núcleos híbridos com a 12ª geração Alder Lake, a companhia gostava de apostar nos modelos Refresh. Em outras palavras, eram gerações de processadores que mantinham a mesma base conceitual da anterior, mas com um leve aumento em frequências ou alguma melhoria energética.
Em março, a companhia anunciou os Intel Core Ultra 7 270K Plus e o Intel Core Ultra 5 250K Plus. Por mais que eles mantenham o mesmo sobrenome Arrow Lake, essa dupla de processadores é basicamente um Refresh. A diferença é que a Intel resolveu ousar mais nesse lançamento.
Em ambos os casos, a fabricante inseriu quatro núcleos a mais para esses processadores, batendo uma quantidade inédita nas famílias 5 e 7 da empresa. O Core Ultra 7 270K chega com 24 núcleos híbridos (8 + 16) enquanto o Core Ultra 5 250K acompanha 18 núcleos (6 + 12).
Seja como for, esses chips mantêm a mesma arquitetura do restante dos Arrow Lake, ou seja, com um sistema desagregado bem diferente da 14ª geração Raptor Lake. A ideia é que o chip funcione por meio de tiles, pequenos blocos responsáveis por cada parte do chip. Na prática, a empresa insere um tile de computação, um para o SoC, etc.
O tile de Computação é baseado em um esquema de fabricação de 3 nanômetros, desenvolvido pela TSMC. Esse bloco possui o complexo de cores do chip com oito núcleos de performance Lion Cove e até 16 núcleos de eficiência Skymont. Também há um total de 36 MB de cache L3 para comunicação com o processador.
Já o tile de SoC é feito em um processo de 6 nm que contém os controladores de memória e uma parte muito importante do chip: a Unidade de Processamento Neural (NPU). Essa é a parte do chip responsável pela execução de tarefas relacionadas com inteligência artificial e chega com 13 TOPS – a unidade de medida usada para nivelar a potência das NPUs.
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De modo geral, a família de processadores Arrow Lake é tecnicamente muito interessante. Esses modelos trouxeram ganhos importantes em Instruções Por Ciclo (IPC) e eficiência energética. No entanto, o grande gargalo desses Core Ultra é justamente nos games, onde mais importa para o Voxel.
Ultra 7 270K tem 24 núcleos
Desde que essa arquitetura híbrida foi instituída nos processadores da Intel, os modelos Core i7 ou Core Ultra 7 foram gradativamente aumentando a contagem de 12 núcleos para 16 e de 16 para 24 núcleos. É exatamente nessa seara do 24 núcleos que o Intel Core Ultra 7 270K Plus se encontra (8 P-Cores + 16 E-Cores).
Tecnicamente, o 270K Plus é o substituto natural do antigo Intel Core Ultra 7 265K. Não está lembrado dele? Tudo bem, não foi um dos chips mais populares da Intel. A expectativa é que esse novo modelo seja bem interessante aos consumidores e a Intel trouxe um pacote de melhorias.
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As frequências de operação do processador aumentaram em 900 MHz, ou seja, estão marcadas em até 5,5 GHz quando em turbo máximo nos P-Cores. Já nos E-Cores esse valor é bem próximo, de 5,4 GHz. Como já citei, o cache L3 é de 36 MB com a tecnologia Smart Cache.
É interessante pontuar sobre o consumo desse carinha. O Intel Core Ultra 7 270K Plus tem uma potência básica de 125W, mas chega a 250W em operação total. Inclusive, esse é um dos pontos que a Intel mais precisava resolver, já que a 14ª geração ficou conhecida pelo alto índice de aquecimento e consumo energético estratosférico.
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Um detalhe pequeno, mas que é interessante para os entusiastas fica com a questão das memórias RAM. Os novos processadores da Intel possui compatibilidade para memórias de até 7.200 MT/s nativamente no protocolo DDR5. Claro que em placas-mãe mais potentes o usuário pode utilizar o Intel XMP 3.0 para overclockar os módulos.
Ficha técnica do Intel Core Ultra 7 270K Plus
- Número de núcleos: 24
- Nº de Performance-cores (P-cores): 8
- Nº de Efficient-cores (E-cores): 16
- Total de threads: 24
- Frequência turbo max: 5.5 GHz
- Frequência da Tecnologia Intel Turbo Boost Max 3.0: 5.5 GHz
- Frequência turbo máx. do Performance-core: 5.4 GHz
- Cache: 36 MB Intel Smart Cache (L3)
- Cache L2 total: 40 MB
- Litografia da CPU: TSMC N3B
- Potência básica do processador: 125 W
- Energia turbo máxima: 250 W
- Tamanho máximo de memória: 256 GB
- Tipos de memória: Até DDR5 7200 MT/s
- Nome da GPU: Intel Graphics
- Frequência da base gráfica: 300 MHz
- Máxima frequência dinâmica da placa gráfica: 2 GHz
- Xe-cores: 4
- NPU: Sim
- TOPS: 13.
Intel Binary Optimization
Uma das grandes novidades para os novos Intel Core Ultra 5 250K Plus e Intel Core Ultra 7 270K é a tecnologia chamada de Intel Binary Optimization. Esse é um recurso que visa melhorar o desempenho de jogos através de uma otimização dinâmica, feita sob medida para cada jogo.
O grande objetivo da otimização é modificar a execução dos códigos da máquina para aproveitar melhor o IPC dos processadores. Dessa forma, a expectativa da Intel é que a taxa de quadros em determinados games aumente.
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Esse é um processo bem trabalhoso para a Intel, pois a fabricante precisa analisar como cada jogo utiliza o processador. Ao realizar a análise dos títulos, a empresa pode identificar eventuais problemas ou gargalos relacionados ao chip e criar um perfil de otimização individual somente para aquela aplicação.
Inclusive, essa individualidade da aplicação é fundamental, pois a alteração dos códigos em tempo real pode disparar sistemas anti-cheat ou de proteção de direitos autorais embutidos nos games. Para acessar a tecnologia, é preciso instalar o aplicativo e configurá-lo para os games que você deseja.
Por questões de falta de tempo, eu ainda não pude testar o Intel Binary Optimization, então vou ficar devendo os possíveis saltos de desempenho desse recurso. A Intel promete até 8% de desempenho adicional, mas testes recentes do TechPowerUp mostraram poucas melhorias em jogos.
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Setup de testes
Sem mais enrolação, é hora de partir para o que realmente importa: os testes. Para esta análise, o Voxel utilizou uma bancada com a GeForce RTX 5080 Founders Edition e uma placa-mãe AORUS Z890 Elite Wi-Fi 7 Ice, também enviada pela Intel. O time azul também enviou um kit de memória RAM, mas preferimos manter os componentes que geralmente utilizamos nas demais reviews.
Benchmarks sintéticos
Testes em games (Full HD)
Testes em games (4K)
Consumo e temperatura
Quando o assunto parte para a temperatura do Intel Core Ultra 7 270K Plus, o lançamento do time azul fica em uma posição mista. Primeiro porque ele é esquentadinho. Certo, ele não é o processador mais quente que você verá, mas está longe de ser o mais frio.
Eu rodei o teste de estresse do Time Spy Extreme com 20 loops para analisar o padrão de temperatura desse carinha. O modelo bate nos 82 ºC, que não é necessariamente absurda, mas é bem mais quente do que outros ótimos processadores, em especial o absurdo Ryzen 9 9950X3D.
Esse gráfico não necessariamente representa um cenário de uso tão real. Por exemplo, em games como Resident Evil Requiem esse carinha ficou abaixo de 70 ºC com o water cooler Corsair RX Titan 360. O número é bom e mostra que a fabricante manteve as temperaturas na coleira.
Quanto ao consumo, o Intel Core Ultra 7 270K Plus me surpreendeu ao puxar somente 145W da fonte de energia. Esse é um consumo médio para um teste como esse e por mais que esteja acima dos Ryzen, não é um aumento dramático.
Vale a pena comprar o Intel Core Ultra 7 270K Plus?
O Intel Core Ultra 7 270K Plus é um processador que aumenta suas capacidades diante dos seus próprios concorrentes em aplicações mais sintéticas, como as de cunho profissional. Esse modelo mantém a forte arquitetura da Intel, mas ainda fica abaixo dos rivais Ryzen em diversos cenários quando o assunto são os games.
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Esse é um bom processador, com boas valências, mas a Intel talvez precise mais do que isso para voltar a se impor como a melhor fabricante de CPUs. Sim, o desempenho em muitos testes sintéticos é melhor, mas nada que deixe o usuário com o pensamento de que a Intel tem o melhor chip.
Nos games, que são o nosso foco aqui, o Core Ultra 7 270K Plus parece não fazer tanto sentido agora. Isso sequer é um problema, afinal de contas a linha 7 da Intel nunca foi a mais indicada para os gamers. Ainda assim, eu queria ter visto um desempenho pelo menos superior aos Raptor Lake.
O que dita a escolha é o preço e o Intel Core Ultra 7 270K Plus flutua perto dos R$ 2.500. Esse é o exato mesmo valor do Ryzen 7 9800X3D. Em games, a escolha é certamente o Ryzen. Para outras aplicações, o Core Ultra 7 270K Plus possui uma vantagem maior e seus 24 núcleos podem torná-lo uma ótima escolha frente aos caros Core Ultra 9 e Ryzen 9 em atividades mais complexas.
Por falar em produtos gamer, nós testamos a GeForce RTX 5070 e colocamos a GPU intermediária para duelar contra sua antecessora. Siga o Voxel no X, Instagram, Facebook e YouTube e assine a nossa newsletter para receber as principais notícias e análises diretamente no seu e-mail.
