O avanço nas vendas de carros elétricos chineses criou um gargalo logístico em nível global. Faltam navios do tipo Ro-Ro, embarcações que funcionam como grandes edifícios de garagem flutuantes dedicados ao transporte de veículos. Para não travar a importação de carros para o Brasil, a Leapmotor começou a importar seus carros como carga.
A solução encontrada foi a modalidade flat rack. Nesse sistema, os automóveis não entram rodando nas rampas do navio. Eles são posicionados e fixados em pranchas de metal, que depois são içadas por guindastes como se fossem contêineres tradicionais. Desta forma, os veículos podem ser transportados nos porões de navios cargueiros convencionais.
Toda a operação de desembarque acontece em Itaguaí (RJ), no terminal Sepetiba Tecon, administrado em parceria com a Cosco. De acordo com a fabricante, a operação inicial trouxe 700 carros acomodados em cerca de 270 pranchas. Desde então, o volume já superou 1.800 veículos importados por este método.
Fuga da inflação do frete
Nos últimos anos, a exportação em massa a partir da China fez o valor dos fretes em navios Ro-Ro disparar. Além da escassez das próprias embarcações, existe um problema estrutural nessa rota comercial. Como o Brasil praticamente não exporta carros para a Ásia, os navios Ro-Ro precisam fazer a viagem de volta completamente vazios e isso aumenta o custo da operação.
O uso de pranchas e contêineres contorna todas essas questões. Por utilizarem navios cargueiros convencionais, as embarcações conseguem realizar a logística reversa. Após deixarem os carros no Rio de Janeiro, podem retornar à China abastecidos com commodities, minérios ou outros maquinários brasileiros, diluindo o custo da viagem.
A prática já é utilizada na América do Sul por países como Chile e Equador, além de algumas operações menores no porto de Vila Velha (ES), por onde marcas como GWM e BYD, por exemplo, já importam usando flat racks.
Estrutura aproveitada da Stellantis

Depois que os guindastes retiram as pranchas do navio cargueiro, os carros são soltos e embarcados nas carretas cegonha convencionais. O destino são as fábricas da Stellantis localizadas em Porto Real (RJ) e Juiz de Fora (MG), onde ocorre o PDI (inspeção pré-entrega). Os veículos são revisados, passam por atualizações de software e recebem a preparação final antes de serem despachados para as concessionárias aproveitando a rede logística já montada para escoar os modelos Citroën, Fiat, Jeep e Peugeot.
A nova estratégia portuária, porém, não elimina totalmente o uso dos navios Ro-Ro. A Stellantis continua contratando as embarcações tradicionais de forma paralela, até mesmo porque um navio Ro-Ro pode transportar até 7.000 veículos de uma vez. O objetivo é garantir flexibilidade para abastecer o mercado sem ficar refém de eventuais filas no modal automotivo.
