Quem depende do transporte público para trabalhar, estudar ou realizar atividades do dia a dia enfrenta uma rotina marcada por atrasos, superlotação e insegurança nos ônibus intermunicipais da RMC (Região Metropolitana de Campinas). Embora a Artesp (Agência de Transporte do Estado de São Paulo) tenha registrado 159 reclamações oficiais sobre linhas intermunicipais da região em 2026, passageiros ouvidos pela EPTV afirmam que os problemas são muito mais frequentes do que os números indicam.
Segundo a agência, as principais queixas recebidas envolvem atrasos e adiantamentos de veículos, superlotação dos ônibus e mudanças ou descumprimento dos horários programados. Na prática, porém, usuários relatam enfrentar esses transtornos diariamente.
Viagens lotadas e espera de até uma hora
Na manhã desta quarta-feira (15), passageiros da linha 659, que liga Sumaré ao Terminal Intermodal Metropolitano de Campinas, enfrentaram mais uma vez ônibus completamente lotados.
Imagens registradas pelos próprios usuários mostram passageiros espremidos dentro dos veículos durante um trajeto que dura cerca de 46 minutos. Além da superlotação, moradores relataram atrasos de até uma hora e dificuldades para conseguir embarcar.
Para quem depende exclusivamente da linha para chegar ao trabalho, os problemas acabam gerando prejuízos financeiros e até riscos ao emprego.
A diarista Luciana Mendes Souza Leblon conta que precisou recorrer a um carro por aplicativo para não perder o dia de trabalho.
“Hoje tive que vir trabalhar de Uber porque o ônibus só tem esse, vem muito cheio. Gastei R$ 47 de Uber e faço faxina. Não é possível isso.”
Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Campinas e região por meio do WhatsApp do acidade on Campinas: (19) 97159-8294.
Passageiros relatam ferimentos e risco durante as viagens
Além do desconforto, usuários afirmam que a lotação excessiva tem provocado situações de risco dentro dos ônibus.
A cozinheira Sílvia Lombas relata que a quantidade de veículos não acompanha a demanda dos passageiros.
“Das 6h às 7h é um ônibus para muita gente. Eu moro no último bairro e os ônibus que vêm atrás cortam. Então a gente chega atrasado no serviço. É um descaso. Já prendi meu braço. Está um perigo.“
Idosos e pessoas com problemas de saúde enfrentam dificuldades
Segundo a cuidadora de idosos Joyce Maria Rodrigues, que utiliza a linha, a situação é ainda mais delicada para passageiros com limitações físicas.
“Os idosos vêm de pé, todo mundo vem sentado no degrau da escada, vem sentado no chão. A gente vem apertado, gente com parafuso no pé, com problema de coluna. Tem gente que vem até chorando dentro do ônibus. Só tem esse ônibus.”
LEIA TAMBÉM: Forte massa de ar polar traz temperaturas de até 3°C para SP; veja onde
Pontos ignorados
A doméstica Cleide Aparecida de Oliveira afirma que a lotação é tão grande que, em alguns momentos, os motoristas deixam de parar para embarque de novos passageiros.
“Motorista corta ponto porque não tem condições. Ônibus superlotado, quebra, cai vidro. Está complicado. Eu ando quatro pontos para conseguir pegar esse ônibus.”
Com isso, muitos usuários precisam caminhar distâncias maiores ou sair de casa ainda mais cedo para tentar garantir um lugar no veículo.

Número de reclamações não reflete a realidade, dizem usuários
Embora a Artesp tenha contabilizado 159 reclamações oficiais relacionadas às linhas intermunicipais da região em 2026, os passageiros afirmam que muitos usuários não registram formalmente as ocorrências, mesmo enfrentando os problemas diariamente.
Os relatos colhidos pela EPTV mostram que as queixas vão além de atrasos e lotação. Passageiros descrevem uma rotina de insegurança, desconforto e medo de chegar atrasado ao trabalho ou até mesmo se machucar durante a viagem.
Receba notícias do acidade on Campinas no WhatsApp e fique por dentro de tudo! Basta acessar o link aqui!
O que diz a Artesp
A Artesp informou que os ônibus intermunicipais são fiscalizados pela agência e que acompanha a operação das linhas da Região Metropolitana de Campinas, com monitoramento intensificado dos serviços prestados na região de Sumaré.
Segundo o órgão, as fiscalizações são realizadas continuamente e, quando são identificadas irregularidades, são adotadas medidas administrativas e aplicadas sanções contratuais.
A agência informou ainda que o consórcio responsável pela linha 659 foi notificado para apresentar um plano de ação corretiva destinado à regularização do serviço prestado.
Por fim, a Artesp afirmou que continuará acompanhando a operação da linha e adotando as medidas cabíveis para garantir a qualidade do transporte oferecido aos passageiros.

*Com informações de Helen Sacconi/EPTV Campinas
O post “Tem gente chorando dentro do ônibus”: passageiros reclamam de superlotação e atrasos em linha apareceu primeiro em ACidade ON Campinas.
