
O advogado-geral da União, Jorge Messias, intensificou a ofensiva sobre a oposição no Senado após PL e Novo terem informado que vão votar contra sua indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF). Nesta quarta-feira, ele se reúne com o líder do PL na Casa, Carlos Portinho (RJ), que já declarou voto contrário ao nome.
O encontro no gabinete do senador será o primeiro entre os dois desde a indicação feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em novembro do ano passado. A agenda ocorre mesmo diante da orientação formal das bancadas contrárias.
— Recebo todos, mesmo os que disse não. É da liturgia do cargo — disse Portinho ao GLOBO.
Em nota conjunta, PL e Novo afirmaram que o momento é de “instabilidade institucional” e que não consideram adequada a nomeação de novos ministros para o Supremo. O texto também cita um “distanciamento crescente” entre a Corte, o Legislativo e a sociedade como justificativa para o fechamento de questão.
CCJ antecipa sabatina de Jorge Messias ao STF para 28 de abril
Mudança atende a pedido de senadores e evita proximidade com feriado
Apesar da resistência, Messias tem buscado ampliar o diálogo e reduzir a rejeição. Nos últimos meses, enviou mensagens a senadores em datas como o Natal e a Páscoa, gesto visto como tentativa de aproximação pessoal e que foi bem avaliado por parte dos parlamentares.
A estratégia também passa pelo apoio de interlocutores com trânsito na oposição. O ministro do STF André Mendonça, indicado por Jair Bolsonaro e que mantém boas relações com senadores bolsonaristas, tem atuado nos bastidores para ajudar a destravar resistências. Em público, ele chegou a elogiar Messias e sinalizar apoio:
— Faço votos de que em breve você possa deixar a AGU por um bom motivo, de estar comigo ali no Supremo Tribunal Federal — disse o ministro no último dia 6.
A avaliação de aliados é que a atuação de Mendonça ajuda a reduzir parte da resistência no campo conservador, ainda que não reverta a orientação formal dos partidos
Messias também aposta no caráter secreto da votação em plenário. Interlocutores afirmam que há senadores que hoje declaram voto contrário, mas poderiam apoiar o nome na urna, sem exposição pública. Sob reserva, um parlamentar questionado pelo GLOBO afirmou que fará isso.
O corpo a corpo, no entanto, gerou ruído com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Ele se incomodou com a participação de Messias em um jantar na semana passada organizado pelo senador Lucas Barreto (PSD-AP), seu adversário político no estado. Aliados no passado, Alcolumbre e Barreto romperam em 2021, quando o presidente da Casa o preteriu nas eleições para a vice-presidência, apoiando Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB).
A leitura do relatório na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), realizada nesta quarta-feira, marcou o início formal da tramitação da indicação. A sabatina foi antecipada para o dia 28 de abril, enquanto o indicado intensifica o corpo a corpo na tentativa de consolidar votos suficientes para aprovação.
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