A invasão de carros chineses no Brasil trouxe junto a impressão de que elas não possuírem identidade própria, e esse não é um questionamento exclusivo do mercado brasileiro. Para Carlos Castilho, historiador e criador do curso de Design Automotivo da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), tal fenômeno reflete o grande volume de fabricantes asiáticas.
Seja por inspiração em modelos ocidentais, como é o caso de Jetour e Jaecoo, conhecidas popularmente como Land Rover chinesas, ou o design arredondado e ausência de grade frontal em modelos de entrada como Geely EX2, GWM Ora 03 ou o recém-chegado GAC Aion UT.
“O caminho natural é a maioria delas irem à falência. De tudo isso, vão sobrar algumas marcas e certamente, a partir daí, elas vão procurar ter a sua própria identidade”, afirmou durante o QRCast desta quarta-feira (02).
Segundo Castilho, essa não é uma questão exclusiva de marcas nascidas na China: “A gente precisa entender que eles ainda estão procurando se consolidar como marcas. É como aconteceu nos Estados Unidos no começo do século 20, quando existia mais de duas centenas de fabricantes”.

O design automotivo vai muito além do visual pré-determinado de cada modelo que já nasce com a premissa de ser um SUV, sedã ou hatch. Os profissionais precisam levar em consideração todas as linhas para reduzir ao máximo o coeficiente de arrasto aerodinâmico.
A altura de um veículo, por exemplo, não é definida apenas por estética. Antes de tudo, o designer precisa pensar em uma arquitetura que irá manter o carro “colado ao chão” nas curvas, garantindo mais estabilidade e segurança.
E é com a visão de especialista que Castilho dá como exemplos outras industrias, como a japonesa, que também passaram por momentos históricos em que enfrentaram críticas em relação a identidade.

“Nós tivemos até outro dia a Toyota pelejando para ter uma identidade própria. E não foi só ela, todas as marcas passaram por problemas em relação a isso”, relembra o historiador.
Para Carlos Castilho, “a assinatura de uma marca é uma busca constante” e por isso leva-se anos até a concentração de esforços das montadoras resulte na construção de seu próprio apelo visual.
