O Porsche Taycan chega à linha 2027 com uma novidade que promete dividir opiniões. A marca alemã cedeu à tendência dos esportivos elétricos e equipou o cupê de quatro portas com o sistema E-Shift, um recurso de software que simula oito marchas virtuais. A novidade acompanha uma bateria de maior capacidade e uma central multimídia atualizada para manter o modelo competitivo diante de rivais como o Mercedes-AMG GT 4-Door.
A decisão de adotar um sistema que simula marchas é interessante pelo seu contexto. Em 2024, Lars Kern, piloto de desenvolvimento a Porsche, disse em entrevistas para a imprensa australiana que a marca não tinha interesse em colocar esta tecnologia no Taycan. O argumento era de que isso atrapalharia o desempenho do elétrico.
“Obviamente, analisamos o que a concorrência faz, mas nossa perspectiva é sempre: por que deveríamos piorar algo?”, disse ele. “Quero dizer, porque, em termos de como a potência é transmitida ou aplicada, o motor elétrico é melhor que um motor de combustão interna, então concluímos que não há motivo para simular o que já existia no passado.”
A fabricante obviamente recuou e agora criou um sistema chamado E-Shift para recriar a atmosfera de um motor a combustão. O motorista pode realizar as trocas manuais por meio de borboletas atrás do volante ou deixar o sistema em modo automático. Há um limitador de giro virtual no topo de cada marcha simulada e curvas de torque retrabalhadas para entregar pequenos trancos físicos a cada mudança. Até o ronco artificial do sistema Electric Sport Sound foi recalibrado para acompanhar o “giro” do motor.

Existe uma clara ironia técnica nessa solução. O Porsche Taycan original já é um dos raros elétricos do mundo a usar uma transmissão real de duas marchas no eixo traseiro, projetada para priorizar a aceleração na arrancada e a eficiência em altas velocidades. Esse conjunto mecânico verdadeiro continua ali, operando de forma silenciosa e automática em segundo plano, enquanto o software cria a ilusão das oito velocidades para entreter quem vai ao volante. O recurso é item de série no topo de linha Turbo GT e opcional no restante da gama.
Além do simulador de marchas, a engenharia focou na autonomia e na velocidade de recarga. As versões de entrada Porsche Taycan, Taycan 4 e Taycan 4S passam a adotar como padrão a Performance Battery Plus. Trata-se da bateria de 105 kWh que suporta recarga rápida em corrente contínua (DC) de até 320 kW. O painel agora exibe o estado de saúde da bateria em tempo real e o carregador por indução no console subiu para 25 watts, acelerando a recarga do celular em 1,5 vez.
Por dentro, o painel digital mantém o layout conhecido, mas recebeu o novo cérebro eletrônico do Porsche Communication Management. Com capacidade de processamento cinco vezes maior, o sistema operacional eliminou travamentos e exibe gráficos mais limpos com ícones minimalistas. O comando de voz por inteligência artificial ficou mais natural, permitindo que os ocupantes façam perguntas sequenciais sem a necessidade de repetir o comando de ativação a cada frase.
Nos Estados Unidos, o modelo atualizado parte de 111.900 dólares (cerca de R$ 610.000 na conversão direta), posicionando-se na mesma faixa de preço de um Porsche Panamera híbrido no mercado internacional. As encomendas já estão abertas e as primeiras entregas globais começam no segundo semestre deste ano. A marca ainda não confirmou o lançamento no Brasil.
