
(Bloomberg) — A Porsche AG concordou em vender sua participação na joint venture que detém a marca de supercarros Bugatti para um consórcio liderado pela HOF Capital, fundo cofundado por um herdeiro da bilionária família Sawiris, do Egito.
A gestora de private equity BlueFive Capital, sediada em Abu Dhabi, entrará como a maior investidora do consórcio, que também incluirá um grupo de investidores institucionais dos EUA e da União Europeia, de acordo com comunicados divulgados na sexta-feira.
Desde 2021, a Bugatti opera como uma joint venture na qual a Porsche detinha 45% de participação e o Rimac Group, da Croácia, 55%. Com esta transação, a Porsche se desfará totalmente de sua participação acionária na Bugatti Rimac e de sua fatia de 20,6% no Rimac Group.
A Bloomberg News informou em dezembro que a HOF Capital, cofundada por Onsi Sawiris, filho do bilionário Naguib Sawiris, e a BlueFive Capital, administrada pelo ex-executivo da Investcorp Hazem Ben-Gacem, estavam em negociações para adquirir a participação da Porsche na Bugatti Rimac. Naquele momento, pessoas a par do assunto disseram que o negócio poderia ser avaliado em mais de € 1 bilhão (US$ 1,2 bilhão). Os comunicados de sexta-feira não informaram o valor da transação.
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Um porta-voz da Porsche, que é controlada pela Volkswagen AG, não quis comentar.
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Há muito vista como o auge da extravagância em engenharia, a Bugatti já foi a menor marca da Volkswagen, com vendas anuais de cerca de 80 carros. Em 1998, foi revivida sob o comando do ex-presidente Ferdinand Piëch, depois de praticamente desaparecer nos anos 1950. Devido aos altos custos de desenvolvimento e aos volumes reduzidos, o Veyron de 16 cilindros — o primeiro modelo da Bugatti sob controle da VW — foi considerado um dos maiores “destruidores de dinheiro” da indústria automotiva.
A Volkswagen decidiu incorporar a marca Bugatti em uma joint venture com sua própria marca de carros esportivos Porsche e a Rimac cinco anos atrás. Na época, isso deu um fôlego extra à Bugatti, uma fabricante francesa de nicho.
A VW se desfez da marca em grande parte por causa das sinergias insuficientes entre a montadora de luxo sob medida e seu negócio de alto volume.
A saída da Porsche da Bugatti faz parte de um esforço mais amplo dos acionistas familiares da Volkswagen — as famílias Porsche e Piëch — para ajustar o tamanho da carteira de ativos da fabricante do 911, enquanto a companhia enfrenta o fraco interesse por veículos elétricos de luxo e turbulências tecnológicas e geopolíticas em mercados-chave. A VW, também sob pressão para aumentar a lucratividade e simplificar seu amplo portfólio de operações, trabalha simultaneamente na venda de sua fabricante de motores e bombas de calor, a Everllence.
A VW reduziu a lista de candidatos para a próxima fase de ofertas pela Everllence, com os acionistas familiares da montadora demonstrando interesse em manter uma participação na unidade por meio de sua holding listada em bolsa. Um consórcio liderado pela gestora de private equity EQT AB, que inclui a holding familiar Porsche Automobil Holding SE, é um dos vários candidatos pré-selecionados, informou a Bloomberg News nesta semana.
O mais recente negócio envolvendo a Bugatti também destaca como investidores do Oriente Médio, já prolíficos em aquisições há anos, continuam a alocar capital apesar das turbulências causadas pela guerra com o Irã.
Na semana passada, a Emirates International Investment Co., de Abu Dhabi, adquiriu uma participação minoritária na rede Joe & the Juice, em uma avaliação de US$ 1,8 bilhão, enquanto a Axight comprou participação em uma gestora australiana de ativos alternativos avaliada em US$ 2,1 bilhões. No início deste mês, uma unidade do conglomerado do xeique Tahnoon bin Zayed Al Nahyan adquiriu uma participação majoritária no império de hospitalidade de Richard Caring, que inclui marcas britânicas como a rede de restaurantes Ivy.
Mesmo antes de EUA e Irã concordarem com um cessar-fogo no início de abril, fundos soberanos da região, da Arábia Saudita ao Catar, vinham alocando bilhões de dólares em transações.
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