Encarar a própria morte não costuma ser uma coisa fácil, mas a professora Célia Maria Cassiano, de Campinas, fez isso em paz, segundo relatou em um vídeo, publicado nas redes sociais, antes de passar nesta semana pelo procedimento de morte assistida na Suíça.
Com a voz tranquila e um semblante sereno, Célia contou que foi diagnosticada, há cerca de um ano e meio, com a Doença do Neurônio Motor (DNM), um grupo de distúrbios neurodegenerativos progressivos que destroem os nervos responsáveis pelo controle muscular, resultando em fraqueza, atrofia e paralisia.
Por causa do avanço da doença e pelo agravamento das limitações físicas no dia a dia, ela decidiu pela morte assistida para preservar sua dignidade.
“Eu resolvi exercer o meu direito de escolher quando colocar um fim na minha vida”, disse no vídeo.
A professora descreveu a progressão da doença e relatou perda significativa de autonomia. Segundo ela, já dependia de três pessoas para tarefas básicas, como ir ao banheiro. “Você não sabe o que é precisar e se sentir incapaz”, declarou Célia.
Formada em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde também se tornou mestre em Multimeios, Célia atuou em cursos de comunicação e no Sesc de Campinas. Veja o vídeo de despedida:
Receba notícias do acidade on Campinas no WhatsApp e fique por dentro de tudo! Basta acessar o link aqui!
Preparação
A professora também contou que os últimos seis meses foram dedicados à organização da viagem e dos trâmites necessários para a realização do procedimento no exterior. Célia afirmou que encontrou dificuldades para obter ajuda no Brasil e, para conseguir a documentação, disse ter omitido o real motivo da viagem, alegando que participaria de um tratamento experimental. Ela pediu desculpas por não revelar a verdadeira motivação para obter os documentos.
No vídeo, também explicou como seria o procedimento, destacando que não sentiria dor. “Eu não aguentaria ficar nem um dia a mais, porque eu estou sofrendo”, afirmou.
“Eu vivi uma vida deliciosa”, confessou a professora.
Nos dias que antecederam a morte, a professora relatou ter vivido momentos que classificou como especiais. Disse que visitou museus, restaurantes e paisagens, descrevendo o período como uma despedida significativa. “Foram os melhores dias da minha vida”, declarou. Os momentos fecharam uma “vida deliciosa”, como ela mesma descreveu.
Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Campinas e região por meio do WhatsApp do acidade on Campinas: (19) 97159-8294.
Morte assistida no Brasil
Célia também chamou atenção para o acesso restrito ao procedimento, destacando que a possibilidade de escolha depende de condições financeiras e acesso à informação. “Eu sou uma privilegiada por estar aqui, porque é muito caro e muito trabalhoso”, disse.
Ao final, defendeu o debate sobre o tema no Brasil e a criação de legislação que permita a escolha por uma morte digna. “Não é uma obrigação, é uma escolha para quem assim o desejar”, afirmou.
“Vou em paz, fiquem em paz”
Célia Maria Cassiano
LEIA MAIS
Hospital Estadual de Sumaré identifica 14 pacientes com superbactéria KPC
Campinas tem fábrica de café famosa no bairro São Bernardo que produz até 300 toneladas por mês; conheça
O post Professora de Campinas deixa vídeo antes de passar por morte assistida na Suíça: “Vou em paz, fiquem em paz” apareceu primeiro em ACidade ON Campinas.
