Agora é oficial. O Renault Kwid E-Tech sai de linha no Brasil apenas sete meses após receber sua primeira atualização visual e de equipamentos. A fabricante francesa confirmou a interrupção das importações do modelo compacto, retirando o veículo de sua plataforma oficial na internet.
O fim da oferta ocorre em um momento de reposicionamento da empresa no país. O objetivo prático da suspensão é evitar a concorrência interna e abrir espaço para o Geely EX2, além de cortar os gastos para importar o Kwid E-Tech. Isso acontece porque a fabricante chinesa adquiriu 26,4% de participação nas operações locais da marca francesa no ano passado.
Antes da confirmação oficial, a ausência do hatch já era percebida no varejo. A QUATRO RODAS antecipou a informação após contatar revendas em seis estados brasileiros, motivada por queixas de consumidores como o leitor Sued Costa. Consultores de vendas e gerentes relatavam não saber qual seria o destino do veículo. Na época, a Renault dizia que o Kwid elétrico ainda estava à venda.
O cenário de incertezas gerou um ambiente desfavorável para quem tentava fechar negócio. Relatos apontavam que as concessionárias se abstinham de aceitar um sinal para reserva. O sumiço afetou o fornecimento em praças estaduais como Amazonas, Bahia, Pernambuco, Piauí e São Paulo. As poucas unidades a pronta entrega, encontradas apenas em Santa Catarina, já constavam como faturadas ou reservadas.

A reestilização do subcompacto teve vida curta, durando pouco mais de um semestre. Os números de mercado explicam bem a razão da saída silenciosa das concessionárias. Mesmo sendo o carro elétrico mais barato do Brasil por muito tempo, o Kwid E-Tech tinha dificuldades para conquistar o público. Nos quatro primeiros meses de 2026, o modelo registrou apenas 215 emplacamentos. Ao longo dos quatro anos no país, o hatch francês acumulou 3.061 unidades faturadas.
Por outro lado, o Geely EX2 vendeu 6.076 unidades no mesmo período, mesmo após esgotar o estoque inicial nos primeiros meses do ano. A falta do carro nas lojas não assustou os interessados, formando uma fila de espera. Já o BYD Dolphin Mini, automóvel elétrico mais vendido do país, comercializou 21.647 unidades no mesmo período (diferença de 21.432 carros ante o francês).

Desde o lançamento, o conjunto propulsor permaneceu sem alterações de calibração. O motor elétrico entrega 65 cv e 11,5 kgfm, gerando tração suficiente para uma aceleração até os 100 km/h em 14,6 segundos. A velocidade máxima tem limite fixado em 130 km/h. A bateria de 26,8 kWh proporciona autonomia de 185 km pelo ciclo oficial do Inmetro.
A engenharia optou por simplificar a estrutura de rodagem, usando pneus convencionais na medida 175/70 R14. Essa arquitetura veicular compartilhada com a configuração a combustão visava baixar os custos recorrentes de revisão. Contudo, a diretriz técnica não foi suficiente para sustentar as vendas e frear a migração do público para projetos de maior eficiência.
As atualizações trouxeram o desenho frontal e traseiro do Dacia Spring europeu. O modelo mede 3,73 m de comprimento, 1,77 m de largura e 1,50 m de altura. A distância entre-eixos tem 2,42 m de extensão. Na cabine, a lista de equipamentos incluiu um quadro de instrumentos digital em tela com sete polegadas.
O sistema de infoentretenimento operava por meio de um painel de dez polegadas. O pacote focado em segurança de condução incorporou itens de assistência variados. O usuário tinha acesso a frenagem autônoma de emergência, sensor eletrônico de fadiga e leitura e reconhecimento de placas de trânsito.
Com o fim do Kwid E-Tech, o único carro de passeio elétrico da marca passa a ser o Megane E-Tech. O SUV ficou em promoção por muito tempo, sendo vendido por R$ 199.990. Porém, a condição especial foi encerrada e o modelo importado da Europa agora custa R$ 279.990.
