
Nos últimos anos, a VTEX adotou uma estratégia voltada à aquisição de empresas, com a compra mais recente sendo a da Newtail, startup brasileira especializada em retail media, em janeiro de 2025. Mas o apetite da empresa por M&As parece ter esfriado, dando lugar a uma postura mais focada no próprio negócio em 2026.
Para o cofundador Geraldo Thomaz, durante coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (16), no VTEX Day, “comprar empresa agora seria falta de foco”. Ainda segundo o executivo, a companhia optou por pausar o ritmo de aquisições para concentrar esforços na reinvenção do negócio a partir da inteligência artificial.
“Essa é a grande oportunidade do momento. Comprar uma empresa agora pode distrair a gente em vez de gerar oportunidade. Então, o nosso foco e estratégia atual está em fazer a transformação das empresas no paradigma novo. E se a gente transformar mais rápido que os concorrentes, vamos voltar a comprar empresas”, complementa.
O esforço dentro do campo de inteligência artificial tem sido tanto que a VTEX apresentou, durante o evento, novas soluções organizadas em três frentes principais: o VTEX Commerce Platform (focado em gestão do comércio), o VTEX CX Platform (experiência do cliente) e o VTEX Ads Platform (monetização). A proposta marca uma mudança estrutural na companhia, que passa a integrar a IA como base de toda a operação.
A ideia é que agentes de inteligência artificial passem a atuar de forma mais autônoma da operação interna ao contato com o consumidor. Na prática, isso deve destravar produtividade, simplificar processos e tornar as experiências mais personalizadas, ao mesmo tempo em que abre espaço para novas fontes de receita.
Onde entra a VTEX na era da IA?
Mas a questão que não quer calar: com a implementação da inteligência artificial, como fica o papel da VTEX em um cenário cada vez mais dominado por agentes e ferramentas que permitem a qualquer empresa criar suas próprias soluções? O cofundador Mariano Gomide de Faria afirmou que, apesar da facilidade crescente para desenvolver software, isso não deve reduzir o espaço das empresas do setor — pelo contrário.
Segundo o executivo, a tendência é que o número de empresas de software aumente, já que a inteligência artificial reduz barreiras e amplia o acesso ao desenvolvimento. Ainda assim, ele pondera que criar soluções pontuais é diferente de sustentar uma operação robusta, especialmente quando entram em jogo fatores como segurança, compliance e responsabilidade, aspectos críticos para grandes varejistas e marcas globais.
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“A gente acredita que a VTEX é a camada transacional que conecta marcas e varejistas aos consumidores, em todos os canais, do B2C ao B2B. Com a proliferação de modelos de IA e o aumento do tráfego, é agora que as marcas e o varejo se sobressaem. Conhecer o que entregar, a quem entregar e a que preço entregar, isso será sempre uma função do varejo e da marca. Esse valor não será eliminado pela inteligência artificial”, diz.
A VTEX abriu capital em 2021 na Bolsa de Nova York (NYSE), com a ambição de se tornar a plataforma básica para o comércio eletrônico global.
A empresa encerrou o quarto trimestre de 2025 com resultados robustos, impulsionados pelo avanço de suas operações globais e pela maior eficiência operacional. O volume bruto de mercadorias (GMV) somou US$ 6,3 bilhões no período, crescimento de 17,2% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, enquanto a receita total subiu 10,5%, alcançando US$ 68 milhões. O principal motor desse desempenho continuou sendo a receita de assinaturas, que respondeu por 98,1% do faturamento e atingiu US$ 66,7 milhões, em alta de 12,2%.
No acumulado do ano, a estratégia de foco em grandes clientes também ganhou força, com 158 empresas gerando receita recorrente anual (ARR) superior a US$ 250 mil, ao mesmo tempo em que a expansão internacional manteve ritmo acelerado, com alta de 21,6% na receita de assinaturas fora dos mercados principais da América Latina.
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