A greve dos servidores técnico-administrativos da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) ganhou um novo capítulo. A reitoria anunciou o encerramento das negociações com a categoria após a decisão do Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp (STU) de manter a paralisação iniciada em 11 de maio. Com isso, as conversas foram interrompidas sem acordo, e o movimento grevista segue por tempo indeterminado.
A decisão foi comunicada pela universidade em uma carta aberta divulgada na sexta-feira (26), um dia depois de assembleia dos servidores aprovar a continuidade da greve e defender a retomada das negociações.
Segundo a administração da universidade, o processo de negociação chegou ao limite das possibilidades financeiras, administrativas e acadêmicas da instituição.
“O processo de negociação alcançou os limites institucionais decorrentes das responsabilidades financeiras, administrativas e acadêmicas que orientam a atuação da Universidade”, afirmou a reitoria em nota.
A universidade também destacou que a proposta apresentada aos servidores estava condicionada ao encerramento da greve.
Leia também: Protesto de terceirizados da Replan bloqueia Rodovia Zeferino Vaz
STU critica rompimento das negociações com a Unicamp
O Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp classificou como unilateral a decisão da reitoria de interromper o diálogo. Segundo a entidade, uma nova mesa de negociação já estava prevista para o dia 1º de julho e deveria ser mantida.
Em nota, o sindicato informou que as propostas apresentadas pela universidade continuam insuficientes para atender às reivindicações da categoria.
“As respostas apresentadas até o momento e a postura da reitoria diante das reivindicações não demonstram disposição para avançar em pautas fundamentais para a valorização das trabalhadoras e dos trabalhadores”, informou o STU.
Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Campinas e região por meio do WhatsApp do acidade on Campinas: (19) 97159-8294.
Com o impasse, os servidores permanecem em greve. Professores e estudantes, que também aderiram ao movimento no início da mobilização, já encerraram suas paralisações após acordos firmados com a universidade.
O que a Unicamp propôs
Durante as negociações, a reitoria apresentou uma proposta considerada ampliada em relação à inicial. Entre os principais pontos estão:
- reajuste do vale-alimentação de R$ 1.950 para R$ 2.000, equiparando o benefício ao praticado pela Unesp, sem pagamento retroativo;
- aumento do vale-refeição de R$ 43 para R$ 50 por dia, também sem retroatividade;
- reajuste de 10% no auxílio-saúde, passando para R$ 990 mensais a partir de janeiro de 2027, condicionado ao desempenho da arrecadação do ICMS-QPE;
- abertura de reuniões para discutir a pauta específica dos servidores, condicionada ao fim da greve.
A universidade também informou que o reajuste salarial de 3,92%, definido pelo Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) em negociação com o Fórum das Seis, será levado para aprovação do Conselho Universitário em reunião extraordinária marcada para 7 de julho.

O que reivindicam os servidores
Os trabalhadores consideram a proposta insuficiente. O STU reduziu a reivindicação inicial de reajuste salarial de 15,97% para 7,52%, mas manteve a cobrança por uma valorização maior dos benefícios.
Receba notícias do acidade on Campinas no WhatsApp e fique por dentro de tudo! Basta acessar o link aqui!
Entre as principais reivindicações estão:
- reajuste salarial de 7,52%;
- aumento superior ao proposto para vale-alimentação;
- reajuste do vale-refeição;
- ampliação do auxílio-saúde;
- pagamento das progressões funcionais;
- valorização da carreira;
- melhorias no transporte fretado;
- garantia de direitos das pessoas com deficiência (PCDs);
- revisão da situação dos trabalhadores terceirizados;
- suspensão do processo de autarquização da área da saúde da universidade;
- reconhecimento do período da pandemia para contagem de tempo de serviço, medida conhecida como “Descongela Já”.
Reitoria cita déficit superior a R$ 570 milhões
Ao justificar o encerramento das negociações, a Unicamp afirmou enfrentar um cenário de forte restrição orçamentária.
Segundo a universidade, o orçamento de 2026 projeta déficit superior a R$ 570 milhões, podendo alcançar cerca de R$ 656 milhões após a incorporação dos impactos do reajuste salarial já concedido. Ainda de acordo com a instituição, a ampliação da proposta apresentada aos servidores representa um impacto financeiro estimado em aproximadamente R$ 13 milhões por ano.
A administração afirmou que precisa equilibrar a valorização dos servidores com a sustentabilidade financeira da universidade e a manutenção das atividades de ensino, pesquisa, extensão e assistência à sociedade.
O post Unicamp encerra negociações com servidores e greve continua após impasse sobre reajustes e benefícios apareceu primeiro em ACidade ON Campinas.
