A Volkswagen estuda uma alternativa pouco convencional para aproveitar sua capacidade ociosa na Alemanha: fabricar modelos de marcas chinesas em suas próprias instalações. A proposta ainda não foi oficializada pela montadora, mas ganhou tração após declarações de um dos principais representantes do estado da Baixa Saxônia, acionista com poder de voto no grupo.
A estratégia foi revelada por Olaf Lies, ministro-presidente da Baixa Saxônia, estado que detém 20% das ações da Volkswagen. Em entrevista à agência DPA, o político explicou que a produção local de veículos originários da China ajudaria a manter as linhas de montagem operacionais, além de preservar os empregos nas unidades alemãs.

Na visão de Lies, transferir parte dessa produção para a Europa elevaria a utilização das fábricas do grupo e abriria espaço financeiro para novos projetos de inovação. A medida também seria uma resposta à ofensiva asiática, evitando que as marcas chinesas construam novas instalações no continente enquanto as fábricas da Volkswagen seguem abaixo da capacidade.
A movimentação ocorre em um momento crítico para a fabricante alemã. Após revelar um severo plano de redução de custos no fim de 2024, a empresa precisou apresentar novas medidas de reestruturação na última semana para adequar sua estrutura produtiva e estancar a queda de lucratividade.

Entre as ações previstas estariam o corte de até 100 mil postos de trabalho e o encerramento gradual das atividades em quatro fábricas na Alemanha. Unidades como as de Hanover, Zwickau, Emden e Neckarsulm devem interromper as operações à medida que os veículos feitos nelas saírem de linha.
O arranjo também beneficiaria diretamente as marcas asiáticas. Com as recentes tarifas impostas pela União Europeia aos carros elétricos chineses, a produção local se tornou a maneira mais eficaz de contornar os impostos de importação e garantir competitividade de preço no mercado europeu.

A Volkswagen, no entanto, não seria pioneira no movimento. A Stellantis já confirmou a produção de modelos das chinesas Dongfeng e Leapmotor em suas plantas europeias. A Volvo segue o mesmo caminho e já demonstrou interesse em abrigar outras marcas do Grupo Geely, seu controlador.
Ao comentar a dinâmica do setor à Automotive News Europe, o CEO da Volvo, Håkan Samuelsson, pontuou que apenas exportar não é suficiente para uma presença de longo prazo na Europa. Para o executivo, as montadoras chinesas são obrigadas a investir na fabricação local se quiserem consolidar suas operações na região.
