
O sucesso da ficção científica de 1985 De Volta para o Futuro prometeu carros voadores e skates flutuantes até 2015. Uma década depois, temos veículos automáticos que batem em postes e exigem assinatura mensal para ajustar o banco.
Hoje, pode ser preciso usar dois carros para completar uma viagem: o robotáxi que deixa você no destino e outro, enviado depois, para fechar a porta quando você sai. Alguns clientes de robotáxi são tão preguiçosos que a Waymo fez parceria com a DoorDash para enviar motoristas a fechar as portas de veículos automáticos que ficam imobilizados.
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Uma publicação no Reddit, no subreddit r/DoorDash_Dasher, mostra a captura de tela de uma oferta da DoorDash, no centro de Atlanta, para “fechar a porta de um Waymo”. O entregador receberia US$ 6,25 (R$ 32) para aceitar a tarefa e mais US$ 5 (R$ 26) ao concluí-la.
A parceria com a DoorDash é o mais recente esforço da Waymo para resolver uma falha nada automatizada de seu programa de robotáxis: as portas precisam de um humano para serem fechadas.
A empresa já adotou prática semelhante em Los Angeles, informou o The Washington Post, usando o aplicativo Honk, que contrata empresas de guincho para bater a porta e fechá-la.
Motoristas no app — apelidado de “Uber do guincho” — relataram receber até US$ 24 (R$ 125) para fechar a porta de um Waymo. Rebocar um carro — como foi necessário durante um apagão recente em San Francisco, que deixou muitos veículos da Waymo parados — pode render até US$ 80 (R$ 414).
A expansão dos robotáxis da Waymo pode não ter criado empregos para motoristas, mas gerou uma microeconomia para trabalhadores de aplicativos, que podem passar até uma hora procurando os carros, segundo o Post.
Na ocasião, a porta-voz da Waymo, Katherine Barna, disse ao jornal que os problemas com as portas “não são tão comuns” e que a empresa está focada em “educar e orientar nossos passageiros” sobre fechar a porta.
A subsidiária da Alphabet já opera veículos comerciais totalmente autônomos em 10 cidades dos EUA, incluindo Miami e Austin, além de Atlanta e Los Angeles, e planeja expandir para Dallas, San Antonio e Orlando ainda neste ano.
Em outubro do ano passado, DoorDash e Waymo anunciaram uma parceria para levar o serviço de entrega autônoma a clientes na região metropolitana de Phoenix, onde os consumidores receberão seus pedidos da DoorDash em veículos autônomos da Waymo.
“Estamos animados para tornar as tarefas do dia a dia mais simples com o Waymo Driver, oferecendo a tranquilidade adicional que vem com nossa tecnologia segura e confiável”, afirmou Nicole Gavel, chefe de desenvolvimento de negócios e parcerias estratégicas da Waymo, em comunicado anunciando a parceria.
A parceria avançaria “nossa visão de um futuro autônomo multimodal para o comércio local”, acrescentou David Richter, vice-presidente de negócios e desenvolvimento corporativo da DoorDash.
Waymos afetados nas ruas
A Waymo apontou o apagão em San Francisco como um teste de estresse ambiental que evidenciou as limitações dos veículos autônomos, prometendo fazer mudanças na forma como os carros operam em diferentes cenários de emergência.
“Lidar com um evento dessa magnitude representou um desafio único para a tecnologia autônoma”, dizia uma publicação da empresa.
Quando o apagão derrubou grande parte dos semáforos da cidade, as autoridades precisaram orientar o trânsito manualmente. Os veículos da Waymo contam com um recurso de projeto que, às vezes, solicita uma checagem de confirmação para determinar o que o carro está enfrentando nas ruas.
“Embora tenhamos atravessado com sucesso mais de 7 mil cruzamentos sem sinalização luminosa no sábado, o apagão gerou um pico concentrado dessas solicitações. Isso criou um acúmulo que, em alguns casos, levou a atrasos nas respostas, contribuindo para congestionamentos em ruas já sobrecarregadas”, dizia o comunicado.
Veículos autônomos parecem ter se tornado alvo de vandalismo recentemente. Em 2024, um homem de San Francisco perseguiu carros autônomos da Cruise com um machado. Funcionários do programa de robotáxis de curta duração da General Motors relataram à Fortune inúmeros casos de pessoas furando pneus e até desmontando partes dos veículos enquanto seguiam viagem.
Mais recentemente, em junho do ano passado, manifestantes incendiaram pelo menos seis veículos da Waymo em Los Angeles durante protestos anti-ICE (a polícia de imigração).
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