O Deepal S09 chega ao Brasil ainda neste ano como a principal aposta da Caoa Changan para o segmento de SUVs grandes de luxo. “Está sendo feito o possível para que este SUV seja lançado no Brasil ainda em 2026”, confirmou um executivo ligados à operação no Brasil e na China. Mas você poderia nunca ouvir falar neste nome.
Não é só para evitar piadas com a pronúncia em português, mas porque a Caoa Changan precisa estabelecer seu nome neste início de operação no Brasil e, para isso, concentrará as marcas da fabricante chinesa sob a bandeira da Caoa Changan. A única exceção é a marca de luxo Avatr, que já teve algumas dezenas de carros vendidos no país.
O Deepal S09 — que tem grandes chances de ser rebatizado de Caoa Changan S09 no Brasil — assumiria o posto de SUV topo de linha da marca, focado em espaço e sofisticação. Ao mesmo tempo, seria o primeiro elétrico com autonomia estendida (EREV) da Changan.
No S09, um motor 1.5 turbo de 150 cv atua exclusivamente como gerador de energia, sem tracionar as rodas. Está nos planos da Changan que este motor já seja flex quando o SUV for lançado no Brasil, aproveitando a adaptação feita para o Uni-T.
A versão com tração integral tem dois motores que somam 492 cv, que podem ser alimentados diretamente pela energia gerada pelo motor 1.5 ou pela que está acumulada na bateria de fosfato de ferro-lítio de 40,18 kWh.
Essa solução garante energia para movimentar a pesada carroceria de seis lugares por até 180 km sem ligar o motor a gasolina. Além disso, o S09 tem arquitetura elétrica de 800V, o que possibilita que sua bateria, mesmo com capacidade limitada, tenha carregamento rápido de até 120 kW, podendo sair de 10 a 80% em apenas 10 minutos de tomada.

O porte do Deepal S09 impressiona logo no primeiro olhar. O utilitário mede 5,20 m de comprimento, 1,99 m de largura e 1,80 m de altura, com uma generosa distância entre-eixos de 3,10 m é praticamente o tamanho de um Defender 130. Mas o chinês não tem a mesma personalidade.
O design aposta em linhas limpas, faróis divididos em leds e ausência de grade convencional. Na traseira, uma faixa luminosa única cruza a tampa do porta-malas, a típica receita dos carros chineses de hoje. A capacidade do compartimento de bagagem é de 313 litros mesmo com todos os bancos ocupados. No entanto, a terceira fila tem rebatimento elétrico.

O habitáculo acomoda seis passageiros em um arranjo interno bastante espaçoso. As poltronas da segunda fileira possuem função de gravidade zero e ajustes elétricos horizontais. As fileiras traseiras ainda têm a disposição uma grande tela retrátil presa ao teto que funciona como central de entretenimento e permite comandar sistemas de conforto, como a massagem e ventilação dos bancos traseiros.
Um outro destaque deste SUV chinês é o console central é deslizante. Um comando elétrico permite que ele se desloque para trás por até 70 cm, chegando até a terceira fila. Neste arranjo, a base de carregamento sem fio, o compartimento inferior e até o compartimento térmico de 10 litros, com temperaturas que podem variar entre -5°C e 50°C, passam a ficar disponíveis para quem viaja na segunda fila. Para o motorista, resta um porta-objetos secreto que antes ficava escondido na junção com o painel.

Em geral, os carros da Deepal não têm quadro de instrumentos tradicional, pois as informações de condução são projetadas em um head-up display com projeção equivalente a 43 polegadas. Duas telas de 15,6 polegadas dominam o centro do painel.
Gigante ao volante
Ainda que para o mercado ocidental o Deepal S09 possa representar uma alternativa mais barata aos BMW X7, Audi Q7 e Mercedes GLS, na China ele tem rivais de peso que já fazem muito sucesso, como o Aito M9 e Li Auto L9. Estes sim entregam o nível de tecnologia e espaço equivalentes. Mas algumas características destes grandes SUVs podem causar estranheza ao consumidor ocidental.

Uma delas é o comportamento que prioriza o conforto antes da dinâmica. Carros com tecnologia REEV, embora tecnicamente tenham tração apenas elétrica, não têm o mesmo ímpeto nas arrancadas de carros elétricos. Mesmo com 492 cv, o Deepal S09 foi bastante comedido nos primeiros momentos de aceleração nesta primeira experiência, no campo de provas da Changan nos arredores de Chongqing – que seria o maior do mundo.
O conforto dinâmico da cabine é garantido pelo uso combinado de suspensão a ar e amortecedores adaptativos, mas que assume comportamento que atuam mais para deixar a carroceria livre de irregularidades do piso do que para controlar a rolagem da carroceria nas curvas. A sensação é de navegar em um grande mar de asfalto e cada puxada agressiva no volante mais parece o contato com uma onda.

A solução de abrir mão do quadro de instrumentos não é incômoda por ter o head-up display informando o motorista, mas o topo da tela central também faz as vezes de quadro de instrumentos. O pacote tecnológico inclui o sistema de condução autônoma ADS 3.3 da Huawei, auxiliado por um lidar no teto, que permite que o carro tome, sozinho, decisões como trocar de faixa e tomar a saída de uma via mesmo sem ter o percurso previamente mapeado.
Na China, as vendas do Deepal S09 começam neste primeiro trimestre com preços a partir do equivalente a 48.000 dólares. No Brasil, ele dificilmente custaria menos que R$ 500.000. Seria uma opção de SUV de seis lugares acima do GWM Wey 07.
