
A eleição de 2026 deve provocar uma reconfiguração relevante no comando dos estados. Dos 27 governadores em exercício, 18 não poderão disputar um novo mandato por já terem sido reeleitos, o que amplia o espaço para rearranjos políticos e acelera a busca desses nomes por novos cargos.
A mudança não se limita à troca de candidatos. A impossibilidade de reeleição força governadores a antecipar decisões estratégicas, especialmente com a proximidade do prazo de desincompatibilização.
Até abril, quem pretende concorrer a outro cargo precisa deixar o comando do estado, abrindo espaço para a posse dos vices e alterando o equilíbrio político local.
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A mesma janela de abril também concentra outras exigências formais. Para que a candidatura seja válida, o político precisa estar filiado ao partido pelo qual pretende concorrer. Esse período costuma estimular trocas de legenda e reorganização de alianças, especialmente em um cenário com tantas cadeiras estaduais em aberto.
A definição oficial, no entanto, ocorre apenas meses depois. As candidaturas precisam ser aprovadas nas convenções partidárias e, posteriormente, registradas na Justiça Eleitoral, etapa que formaliza a entrada dos nomes na disputa.
Com a impossibilidade de continuidade em 18 estados, o Senado aparece como destino natural para parte desses governadores. Historicamente, o cargo funciona como uma extensão de carreira política para chefes do Executivo estadual, além de oferecer maior visibilidade nacional. A eleição de 2026, que renovará dois terços das cadeiras da Casa, tende a intensificar essa disputa.
O movimento também tem implicações no tabuleiro político mais amplo. A corrida pelo Senado vem sendo tratada por grupos da direita como estratégica para ampliar influência institucional, enquanto o governo Lula busca fortalecer uma base aliada capaz de equilibrar essa correlação de forças.
Nem todos, porém, devem mirar a Câmara Alta. Governadores com menor capital político ou maior rejeição tendem a buscar vagas na Câmara dos Deputados, onde o custo eleitoral é diluído. Nesse caso, a estratégia permite manter presença no cenário político sem enfrentar uma disputa majoritária mais restrita, como ocorre no Senado.
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Apesar do número elevado de estados sem possibilidade de reeleição, o cenário não aponta necessariamente para renovação política. A tendência, segundo especialistas, é que boa parte dessas vagas seja ocupada por nomes ligados às atuais gestões, como vice-governadores, aliados diretos ou integrantes de grupos políticos já consolidados.
Não podem se reeleger em 2026 (já estão no segundo mandato):
Acre — Gladson Cameli (PP)
Alagoas — Paulo Dantas (MDB)
Amazonas — Wilson Lima (União Brasil)
Distrito Federal — Ibaneis Rocha (MDB)
Espírito Santo — Renato Casagrande (PSB)
Goiás — Ronaldo Caiado (União Brasil)
Maranhão — Carlos Brandão (PSB)
Mato Grosso — Mauro Mendes (União Brasil)
Minas Gerais — Romeu Zema (Novo)
Pará — Helder Barbalho (MDB)
Paraíba — João Azevêdo (PSB)
Paraná — Ratinho Júnior (PSD)
Rio de Janeiro — Cláudio Castro (PL)
Rio Grande do Norte — Fátima Bezerra (PT)
Rio Grande do Sul — Eduardo Leite (PSD)
Rondônia — Marcos Rocha (União Brasil)
Roraima — Antonio Denarium (PP)
Tocantins — Wanderlei Barbosa (Republicanos)
Podem se reeleger em 2026 (estão no primeiro mandato):
Amapá — Clécio Luís (Solidariedade)
Bahia — Jerônimo Rodrigues (PT)
Ceará — Elmano de Freitas (PT)
Mato Grosso do Sul — Eduardo Riedel (PP)
Pernambuco — Raquel Lyra (PSD)
Piauí — Rafael Fonteles (PT)
Santa Catarina — Jorginho Mello (PL)
São Paulo — Tarcísio de Freitas (Republicanos)
Sergipe — Fábio Mitidieri (PSD)
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