A Polícia Federal (PF) concedeu uma entrevista coletiva nesta sexta-feira (27) para falar sobre o furto de material biológico que ocorreu em um laboratório do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp. De acordo com o Delegado Chefe da PF em Campinas, André Almeida de Azevedo Ribeiro, a professora doutora Soledad Palemeta Miller, da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da universidade, presa em flagrante na última segunda-feira (23), também é investigada por fraude processual, já que descartou parte das amostras.
“Após a busca à residência, ela retorna à Unicamp e descarta o material que poderia representar o descarte de materialidade probatória do ponto de vista investigativo-criminal”, disse o delegado.
A PF foi notificada do desaparecimento das amostras no sábado (21) e cumpriu mandados de busca e apreensão na casa de Soledad e em dois locais da Unicamp. Após a visita dos policiais federais, a professora retornou aos laboratórios no mesmo dia e descartou parte das amostras. Na segunda-feira, a Unicamp interditou temporariamente todos os laboratórios da FEA.
Na terça-feira (24), a Justiça concedeu liberdade provisória à Soledad, que terá que cumprir as seguintes exigências:
- Comparecer à Justiça todo mês
- Pagar fiança de 2 salários mínimos
- Proibida de deixar Campinas por mais de cinco dias
- Proibida de sair do país sem autorização
- Proibida de acessar laboratórios envolvidos
Ela vai responder em liberdade pelos crimes de furto, transporte irregular de material geneticamente modificado e por expor a saúde pública a risco.
Também de acordo com a PF, o marido dela, Michael Edward Miller, que é aluno do IB, também é investigado.
“Vamos investigar todas as imagens, todos os vídeos apreendidos, para poder delimitar quem são as pessoas que participaram”, afirmou o delegado, que também descartou a hipótese de terrorismo biológico.
Cronologia
- 13/02 – Caixas com amostras de vírus somem do laboratório nível NB3
- 21/03 – PF cumpre mandados de busca e apreensão na casa de Soledad e em dois locais da Unicamp. Professora retorna ao laboratório do IB com um aluna, que abriu o local.
- 23/03 – Soledad é vista de novo nos laboratórios e instalações da FEA são interditadas. PF encontra material furtado e percebe que parte havia sido descartada. A professora é presa em flagrante pela PF
- 24/03 – Liberdade provisória é concedida à Soledad
H1N1 e H3N2 estão entre as amostras furtadas.
Amostras dos vírus H1N1 e H3N2, responsáveis pela gripe tipo A, estavam entre os materiais biológicos retirados indevidamente do Laboratório de Virologia do IB, de acordo com apuração da reportagem do g1 Campinas. A instalação é de nível de biossegurança 3 (NB-3)
De acordo com as investigações, os micro-organismos foram levados sem autorização para outros laboratórios dentro da própria universidade e permaneceram desaparecidos por cerca de 40 dias.
A PF informou que não há risco à população, já que as amostras não saíram do ambiente controlado da universidade, tendo sido transferidas apenas entre laboratórios internos da Unicamp. O material foi recuperado e encaminhado ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para análise.
O que diz a Unicamp
Em nota, a Reitoria da Unicamp informou que está conduzindo uma sindicância interna sobre o furto de amostras no IB e que respeita o devido processo legal. A universidade afirma que seguirá as normas institucionais, não comentará detalhes do caso para não prejudicar as investigações e destaca que todo o material está sob responsabilidade da Polícia Federal. Também reforça que colabora com as autoridades e que adotará medidas legais caso sejam comprovadas irregularidades.
Leia a nota na íntegra:
A Reitoria da Universidade Estadual de Campinas reafirma, em relação à ocorrência de furto de amostras de pesquisa no Instituto de Biologia (IB) e aos respectivos desdobramentos das investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF), seu compromisso com o devido processo legal assim como com a sindicância interna instaurada para apurar o caso.
A Universidade seguirá rigorosamente as normas processuais e institucionais. Manifestações detalhadas sobre o mérito da investigação serão realizadas exclusivamente nos autos dos processos, nas esferas externa e interna. Cabe ressaltar que todo o material recolhido está sob a guarda e responsabilidade legal da PF.
A Unicamp, ao acionar as autoridades competentes, delegou ao órgão de segurança a atribuição de encaminhar os itens apreendidos para análise pericial, que já está sendo realizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pelo Ministério da Agricultura e Pecuária.
Em respeito à autoridade legal da PF e para não comprometer a integridade das investigações em curso, a Universidade não se pronunciará, por ora, sobre o conteúdo específico dos materiais em questão.
A Unicamp reitera que segue colaborando integralmente com as autoridades policiais e judiciárias para o esclarecimento dos fatos e, caso fiquem comprovadas as implicações criminais, tomará todas as medidas cabíveis para a devida responsabilização dos envolvidos no âmbito da legislação vigente.
O que diz a CNbio
Em nota, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) informou que está acompanhando de perto o incidente no laboratório NB-3 da Unicamp, em conjunto com o Ministério da Ciência e a Polícia Federal. O órgão afirma que adotou medidas imediatas, está colaborando com as investigações e reforça o compromisso com a segurança biológica e a transparência.
Leia a nota na íntegra:
A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), no exercício de suas atribuições e em coordenação com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), informa que acompanha com prioridade o incidente ocorrido nas instalações de nível de biossegurança 3 (NB-3) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Desde que teve ciência do fato, a CTNBio adotou as providências cabíveis, em alinhamento com a Polícia Federal, e articulou-se com os órgãos competentes para assegurar uma resposta célere e coordenada.
A CTNBio e o MCTI mantêm interlocução permanente com as autoridades policiais e demais instituições envolvidas no caso, disponibilizando informações e o suporte técnico necessários para o adequado avanço das apurações. A comissão permanece mobilizada, prestando auxílio especializado às investigações, garantindo que os protocolos de segurança biológica sejam estritamente observados e avaliados.
A CTNBio reafirma seu compromisso com a biossegurança, com a transparência institucional e com a integridade do patrimônio científico nacional.
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