
(Reuters) – O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse nesta segunda-feira que, na visão da autoridade monetária, choques de oferta como o observado neste momento com o conflito no Irã provavelmente pressionam a inflação para cima e a atividade econômica para baixo.
Em evento promovido pelo banco J. Safra, em São Paulo, Galípolo defendeu parcimônia na análise dos efeitos da guerra, que impactou preços do petróleo, argumentando que o BC tem adotado a postura de avaliar dados de eventos desse tipo de maneira cautelosa, incorporando impactos gradativamente aos seus cenários.
Segundo ele, a autarquia sempre reagirá de forma a reduzir o peso de posições “mais extremadas” observadas em certos momentos no mercado.
“O Banco Central tem toda uma governança justamente para tentar aparar as pontas, para que a gente não tenha posições mais extremadas sobrepondo o processo de decisão de política monetária”, disse.
Galípolo avaliou que os ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã produziram um choque de oferta, que gera efeitos distintos de um aumento da cotação do petróleo causada por uma elevação na demanda.
Para ele, em um ambiente de mercado de trabalho apertado como a economia brasileira tem atualmente, os efeitos dos choques de oferta sobre a economia tendem a ser amplificados.
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Galípolo acrescentou que a cada momento se fortalece uma visão de que o conflito no Oriente Médio vai ficando mais intenso e com repercussões maiores.
O presidente do BC ponderou que o Brasil parece estar em uma posição mais favorável do que seus pares, citando que o país é exportador líquido de petróleo e convive com nível restritivo de juros.
Ele voltou a dizer que as decisões do BC de manter a Selic em 15% ao ano por período prolongado até os primeiros meses deste ano geraram uma “gordura” que permitiu à autarquia manter o plano que deu início ao ciclo de calibração da taxa básica neste mês.
O BC abriu neste mês um ciclo de corte de juros ao reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,75% ao ano, e não apresentou sinalização futura clara ao defender cautela para os próximos passos da calibração da taxa básica ao destacar “forte aumento da incerteza” em meio ao acirramento dos conflitos no Oriente Médio.
Ao afirmar que o BC debateu neste mês uma possível mudança em seu balanço de riscos para a inflação, optando por mantê-lo inalterado, Galípolo disse que parte dos riscos listados pela autarquia em suas comunicações já se materializou.
“Tem que se entender que, às vezes, a ocorrência do risco, seja baixista ou altista, demanda você retirar ele dali… A gente chegou a debater isso, mas também entendeu que poderia aguardar, ter agora mais 45 dias para entender quais são os desdobramentos”, afirmou.
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