
Afrancesa Mistral AI, um dos nomes mais quentes do cenário de IA – e provavelmente a maior do segmento na Europa – acabou de captar uma quantia alta para aumentar o seu “poder de fogo” na acirrada corrida com os grandes nomes do Vale do Silício. Foram mais de € 750 milhões (cerca de US$ 830 milhões) em financiamento para a construção de um data center próprio.
Com sede em Paris, a empresa vai usar o dinheiro para comprar 13,8 mil chips avançados da Nvidia, a base de um novo centro em Bruyères-le-Châtel, ao sul de Paris, com previsão de entrar em operação no segundo trimestre de 2026.
A escolha do local, feita em fevereiro de 2025, faz parte de uma estratégia maior: criar infraestrutura suficiente para treinar e rodar modelos avançados de IA dentro da própria Europa.
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Segundo o CEO Arthur Mensch, o aumento de capacidade local é um passo importante para o negócio. “Escalar nossa infraestrutura na Europa é crítica para empoderar nossos clientes e assegurar que inovação e autonomia em IA permaneçam no coração da Europa”, disse o executivo, em nota.
Soberania
Não é de agora que a Mistral está puxando a frente de um movimento para tornar a Europa uma força independente no desenvolvimento de IAs. No fim do ano passado, ela recebeu um aporte de € 1,7 bilhão – a maior parte dele bancada pela ASML, gigante holandesa do segmento de semicondutores.
Na época, a parceria entre as duas foi vista por especialistas como um marco para o desenvolvimento da soberania europeia em IA. Esse movimento atende uma demanda crescente de governos e empresas que querem alternativas aos provedores americanos — especialmente em setores sensíveis, onde soberania de dados e segurança viraram prioridade.
No começo do ano, o CEO da deep tech chegou inclusive a cutucar suas concorrentes ianques, dizendo que o maior trunfo de sua empresa era “não ser americana”, o que funciona como diferencial estratégico ao angariar grandes clientes europeus.
Nessa toada, a Mistral já anunciou um segundo data center na Suécia e quer chegar a 200 megawatts de capacidade computacional na Europa até 2027. A empresa já vem se posicionando nesse espaço, inclusive fornecendo modelos de IA para as Forças Armadas francesas.
Conteúdo produzido por Startups.
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