
Um estudo encomendado pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável contraria o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao afirmar que jogos de apostas têm pouco impacto na renda familiar. De acordo com o levantamento, os gastos com bets representam 0,46% do consumo, não sendo as principais responsáveis pelo aumento do endividamento.
O IBJR é composto por gigantes do setor de apostas, como a Betano, Betfair e a Bet Nacional.
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Em 15 de abril, a bancada do PT na Câmara apresentou um projeto que tenta proibir as bets em todo o país. Para isso, o texto tenta revogar trechos do marco legal das apostas esportivas e jogos online no país, além de vetar desde a operação das plataformas até o processamento de transações financeiras no meio, o que, na prática, torna as bets inviáveis comercialmente.
Lula também tem criticado diretamente o modelo de negócio, acusando as bets de “assaltarem” o orçamento da população, que já enfrenta um aumento na necessidade de consumo.
O levantamento, feito pela consultoria econômica LCA, se baseia em dados da Secretaria de Prêmios e Apostas cruzados com informações do IBGE sobre o consumo de famílias no ano de 2025.
No período, o consumo total foi de R$ 8,1 trilhões, enquanto o gasto com bets foi de R$ 37 bilhões, faixa semelhante à despendida com bebidas alcoólicas, que custaram R$ 40,5 bilhões ao bolso da população.
No entanto, os gastos descritos pela pesquisa não estão separados por faixas de renda, o que dificulta a percepção clara de que o gasto está ou não concentrado no público atingido pelo aumento do endividamento familiar.
Estudos mostram o contrário
Um levantamento produzido pelo Procon de São Paulo, entre o final de 2025 e o início deste ano, mostrou que quatro em cada dez apostadores se endividaram após usarem bets.
De acordo com o estudo, os apostadores geralmente são homens (61,8%), de até 44 anos (82,5%) e com renda de até dois salários mínimos. O valor das apostas consome, em média, mais de R$1.000,00 por mês da renda de 30% entrevistados.
Entretanto, Mas entre as pessoas que afirmaram já terem se endividado por causa de apostas online, a maior parcela, quase 54%, é formada por mulheres de até 30 anos (44,7%) e com renda de até dois salários mínimos (46,8%).
Outro estudo, produzido pela FIA Business School em parceria com o Ibevar, analisou dados entre 2011 e 2025 para afirmar algo semelhante. O levantamento aponta que o avanço das apostas online passou a ter peso maior no endividamento das famílias brasileiras do que fatores tradicionais, como juros e crédito.
Segundo o levantamento, o impacto estatístico das apostas sobre a dívida doméstica é praticamente o dobro que outras variáveis. O coeficiente associado às bets foi de 0,2255, enquanto o efeito dos juros ao consumidor ficou em 0,0709 e o do crédito sobre a renda em 0,0440.
Estima-se que 39,5 milhões de brasileiros tenham utilizado serviços de apostas no último ano. Desse total, 19% afirmam ter comprometido a renda e 17% deixaram de pagar contas básicas para jogar.
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