
A oposição ao governo na Câmara dos Deputados anunciou, na quarta-feira (22), que vai protocolar no Senado pedidos de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
“Mais uma vez ele rasga a Constituição. Então vamos protocolar hoje o impeachment do ministro Gilmar Mendes. Iremos protocolar também, apesar de ser seu amiguinho, o pedido contra o engavetador-geral da República, o senhor omisso, o senhor prevaricador [Paulo] Gonet”, disse o líder da oposição, o deputado Cabo Gilberto (PL-PB), durante coletiva de imprensa em Brasília.
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Também estiveram presentes os deputados Marcel Van Hattem (Novo-RS), Hélio Lopes (PL-RJ) e o pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo).
A ação ocorre após Gilmar Mendes ter enviado uma representação ao também ministro Alexandre de Moraes para que o ex-governador de Minas Gerais seja investigado por um vídeo publicado em seu perfil nas redes sociais, satirizando integrantes da Corte.
Na representação, Gilmar pediu que Zema seja investigado no inquérito das fake news por suspeita de crime contra a imagem do STF e do próprio ministro. “O vídeo vilipendia não apenas a honra e a imagem deste Supremo Tribunal Federal, como também da minha própria pessoa”, afirma um trecho do documento.
Durante a coletiva, Zema teceu novas críticas aos ministros da Corte e ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), pela demora em dar andamento aos pedidos de impeachment e à abertura de novas comissões parlamentares em ano eleitoral.
“Quero lembrar que nós do Partido Novo já propusemos, inclusive na semana passada, medidas para estancar essa pouca vergonha que acontece em Brasília. Primeiro, a maioria do Senado é suficiente para abrir qualquer inquérito, qualquer pedido de impeachment. Não precisamos ficar dependendo de presidente omisso que tem o rabo preso. […] Eu tenho certeza que o caminho é esse. Hoje o Supremo está podre, porque foi para o STF advogado do presidente, advogado do partido do presidente, foi para a Corte ministro nomeado pelo presidente. Só faltou colocar o filho”, disse Zema.
Apesar de não citar nominalmente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Zema fez referência às recentes indicações do petista para a Suprema Corte. Em ordem: Cristiano Zanin, ex-advogado de Lula, e Flávio Dino, ex-ministro da Justiça.
Confira o trecho da coletiva:
Impeachment contra Gonet
A solicitação de impeachment contra Paulo Gonet ocorre sob a acusação de prevaricação. A oposição acusa o PGR de ter arquivado manifestações relacionadas a supostas irregularidades cometidas por ministros da Suprema Corte e da inação diante do escândalo do Banco Master.
Uma acusação semelhante foi feita no relatório rejeitado da CPI do Crime Organizado, que pedia o indiciamento de Gonet por “omissão total e o silêncio institucional” nas investigações sobre a fraude milionária promovida por Daniel Vorcaro.
No texto, o relator da CPI, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), apontou fatos descobertos pela investigação sobre o Banco Master e o envolvimento de ministros do STF que poderiam motivar a ação do PGR e que, em sua ausência, explicitam a omissão.
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