
Enquanto milhões de jovens avaliam o que fazer depois do ensino médio — seja cursar uma faculdade tradicional, seguir um programa de formação técnica ou simplesmente abrir mão do ensino superior — uma nova opção em breve entrará no radar.
Sal Khan, fundador e CEO da Khan Academy, anunciou o lançamento do Khan TED Institute, uma iniciativa conjunta com a TED e a gigante de testes ETS, que oferecerá um diploma de baixo custo focado em IA, projetado para rivalizar com instituições de elite como Harvard e Stanford.
Leia também: “Odeio trabalhar 5 dias”, diz CEO do Zoom, que prevê semana de 3 dias até 2031
“O ensino superior tem atendido muito, muito bem a muitas, muitas pessoas. E acreditamos que há muitas boas razões para frequentar uma universidade tradicional, mas nem todos têm acesso a essas oportunidades”, disse Khan em um vídeo anunciando o programa.
“Além disso, o mundo está mudando muito, muito, muito rápido. Queremos garantir que existam caminhos para que até mesmo pessoas com diplomas tradicionais possam continuar se requalificando e complementar suas formações, para estarem preparadas da melhor forma possível para um futuro em constante transformação.”
A expectativa é que o Khan TED Institute seja lançado nos próximos 12 a 24 meses e busque credenciamento acadêmico. O custo estimado deve ficar abaixo de US$ 10.000 — uma fração do que os estudantes pagam nas instituições mais prestigiadas do país. Para efeito de comparação, apenas a mensalidade em Stanford deve chegar a US$ 67.731 no próximo ano letivo, enquanto em Harvard será de US$ 62.226.
O programa começará com um bacharelado em IA aplicada e se expandirá ao longo do tempo, atendendo desde recém-formados até profissionais em meio de carreira — especialmente aqueles excluídos das universidades tradicionais ou que desejam adicionar habilidades tecnológicas em alta demanda a um diploma já existente.
Khan afirmou que o objetivo não é substituir o ensino superior tradicional, mas ampliar o acesso e alinhar melhor a formação às exigências de um mercado de trabalho em rápida transformação.
Geração Z repensa ensino superior, e Khan acredita ter solução
A relação dos jovens com o ensino superior está cada vez mais tensionada à medida que o custo de um diploma continua a subir. Mais de 42,5 milhões de americanos possuem dívidas federais de empréstimos estudantis, com saldo médio superior a US$ 39.000.
Ao mesmo tempo, muitos graduados enfrentam dificuldades para se firmar no mercado de trabalho: 5,6% dos recém-formados estão desempregados, enquanto 42,5% estão subempregados — trabalhando em funções que normalmente não exigem diploma —, segundo o Federal Reserve Bank de Nova York.
Essa dinâmica fez com que cerca de 51% dos graduados da Geração Z se arrependessem de ter cursado uma faculdade, segundo uma pesquisa de 2025 da Indeed.
Khan afirmou que a nova instituição pretende reduzir essa lacuna trabalhando diretamente com parceiros corporativos — incluindo Google, Microsoft, Accenture, Bain, McKinsey e Replit — para moldar o currículo e garantir que ele reflita as habilidades que os empregadores realmente valorizam.
Isso inclui foco tanto em IA e competências técnicas em alta quanto em habilidades comportamentais, como colaboração, senso de comunidade, criatividade e comunicação.
Esta não é a primeira tentativa de Khan de adaptar a educação a um mundo em rápida transformação impulsionado pela tecnologia. Há três anos, ele lançou o Khanmigo, um chatbot com IA projetado para atuar como tutor para alunos e assistente para professores. Mas a implementação ficou aquém das expectativas.
“Para muitos alunos, não fez diferença”, disse Khan ao Chalkbeat no início deste mês. “Eles simplesmente não usaram muito.”
A nova instituição representa uma aposta mais ambiciosa — de que o aprendizado baseado em habilidades orientado por IA pode ser incorporado à própria estrutura de um diploma, e não apenas adicionado como complemento.
“Isso realmente pode causar um impacto positivo no que o mundo precisa”, disse Khan em seu vídeo de anúncio. “Podemos criar um mundo em que mais pessoas realmente tenham acesso ao seu potencial e às oportunidades.”
Na nova escola, os alunos se formarão ao comprovar suas habilidades
Grande parte do curso do novo instituto será online e assíncrona, o que pode representar um desafio para jovens que buscam desenvolver habilidades de comunicação e colaboração em um mundo fragmentado pelas redes sociais.
Um relatório de 2024 do LinkedIn constatou que um em cada cinco trabalhadores da Geração Z não teve nem sequer uma conversa direta com alguém acima de 50 anos em seu ambiente de trabalho no último ano.
No entanto, o CEO da ETS, Amit Sevak, afirmou que o programa será projetado especificamente para reproduzir alguns dos benefícios menos tangíveis da faculdade — como networking, socialização e crescimento pessoal —, mas em um formato que reflete como as pessoas realmente trabalham hoje.
“Muitas das relações profissionais mais significativas atualmente são formadas em equipes distribuídas, entre diferentes fusos horários, e por meio da resolução conjunta de problemas”, disse Sevak à Fortune.
“Com isso em mente, os alunos trabalham em equipes estruturadas, ajudam colegas como tutores, participam de sessões de diálogo e colaboram em projetos práticos de IA em grupo com pessoas do mundo todo.”
Além disso, em vez de medir o progresso pelo tempo de presença, os alunos avançam ao demonstrar que realmente dominaram o conteúdo.
Sevak vê isso como a principal razão pela qual o modelo pode funcionar onde o ensino superior tradicional tem falhado — e por que tem uma chance real de cumprir sua promessa para futuras gerações céticas quanto ao retorno sobre o investimento em educação.
“Reduzir custos é importante, mas acesso sem resultados não amplia oportunidades”, afirmou Sevak. “Quando os alunos conseguem perceber progresso e os empregadores conseguem ver preparo, a persistência e a conclusão melhoram. Esse alinhamento é o que dá a esse modelo uma chance real de funcionar.”
2026 Fortune Media IP Limited
The post Este CEO se uniu a Google e Microsoft para criar curso que quer rivalizar com Harvard appeared first on InfoMoney.
