A BMW aproveitou o Concorso d’Eleganza Villa d’Este, na Itália, para apresentar o Vision BMW Alpina, conceito que antecipa a nova fase da Alpina sob controle definitivo da fabricante alemã. O estudo de design revela tanto as futuras diretrizes estéticas quanto parte da proposta mecânica do primeiro modelo de produção previsto para 2027.
O protótipo adota uma carroceria de duas portas no tradicional estilo gran turismo e rejeita a motorização puramente elétrica ao apostar em um conjunto equipado com motor a combustão de alta cilindrada.
A incorporação definitiva da Alpina pela BMW busca reorganizar o portfólio de modelos de alto desempenho da marca, criando uma separação mais clara em relação à divisão M. Enquanto os modelos BMW M seguem focados em comportamento voltado para pistas, com suspensões rígidas e respostas mais agressivas, os futuros Alpina priorizarão velocidade associada a conforto extremo.
A estratégia também reduz custos de desenvolvimento ao compartilhar arquiteturas com sedãs de grande porte, mirando consumidores interessados em motores de grande capacidade, mas sem o comportamento mais radical de esportivos voltados para autódromos.

Nas dimensões, o cupê conceitual mede 5,20 m de comprimento, tamanho semelhante ao da atual geração do BMW Série 7 na configuração de entre-eixos alongado. As proporções são marcadas pelo capô extenso e pela linha de teto com queda suave em direção ao porta-malas.
O desenho utiliza referências históricas da marca e remete a modelos clássicos como o BMW 507. Há ainda balanços curtos, reinterpretação da tradicional grade de duplo rim e o característico “nariz de tubarão”.
A grade fechada pode dar a impressão deste carro ser um elétrico, mas está bem longe disso. A Alpina colocou um motor V8, contrariando a tendência de eletrificação total em conceitos de luxo na Europa. Embora a fabricante não tenha divulgado números de potência ou torque, o conjunto sugere o uso de uma evolução do motor 4.4 biturbo utilizado atualmente no BMW M5, calibrado para entregar respostas mais lineares e suaves.
Para reforçar o foco em conforto, a suspensão mantém o modo Comfort+, com amortecedores ajustados para máxima absorção de irregularidades em viagens rodoviárias.

O interior foi projetado para quatro ocupantes e aposta em amplo espaço para pernas. A arquitetura simplificada concentra boa parte dos comandos em grandes telas digitais integradas ao painel.
O acabamento combina couro bovino proveniente de produtores da região dos Alpes e comandos da transmissão esculpidos em cristal. No console traseiro, um mecanismo retrátil automatizado acomoda taças e uma garrafa de água, enquanto a redução dos botões físicos dá lugar a superfícies sensíveis ao toque iluminadas.

O primeiro modelo derivado desta nova fase da Alpina será apresentado ao mercado global no próximo ano e utilizará como base a plataforma do BMW Série 7. Ainda não há preços oficiais, mas o posicionamento ficará acima do atual sedã topo de linha da marca, vendido no Brasil por cerca de R$ 1,3 milhão.
A nova geração de modelos Alpina disputará espaço diretamente com versões da Mercedes-Maybach e modelos V8 da Bentley no segmento de luxo de alto desempenho.
