O Hyundai i20 já esteve longe do Brasil por ser, em sua essência, um “irmão” gringo do HB20 destinado a mercados mais ricos. Porém, a marca encontrou uma brecha para trazê-lo ao mercado brasileiro. Em uma geração completamente nova, o i20 2027 desembarca por aqui em um posicionamento diferente do europeu: ele será mais um integrante do acirrado segmento de pequenos SUVs já formado por Fiat Pulse, Chevrolet Sonic, Renault Kardian e Volkswagen Tera.
Embora o i20 passe a ser um modelo global e estreie uma geração inédita, o modelo produzido em Piracicaba (SP), ao lado de HB20 e Creta, é uma solução brasileira e poderá ser exportado para países vizinhos da América Latina. Isso por ele adotar a estratégia de ser um SUV subcompacto, embora seja o que, por aqui, mantenha a maior parte das características de um hatch. Na Europa, o modelo deverá seguir em seu formato original, assumindo-se como hatch.
O modelo chega em cinco versões e os preços serão divulgados ainda nesta sexta-feira (12). QUATRO RODAS andou no modelo.
Nova identidade visual
O novo Hyundai i20 é o primeiro de uma nova linguagem de design da marca no Brasil, o que faz muito bem a ele frente aos concorrentes. Ao menos para a versão Ultimate, o i20 busca passar uma imagem de maior refinamento em relação aos rivais Pulse, Tera, Kardian e Sonic.
Suas dimensões são semelhantes às dos demais modelos da categoria. São 4,13 metros de comprimento, 1,78 m de largura, 1,50 m de altura e 2,58 m de entre-eixos. Ou seja, em comprimento, ele é 2 cm menor do que um Tera, mas 3 cm maior do que um Pulse. Seu entre-eixos é o maior entre os rivais mas, sua altura, é a menor – também por não ter barras longitudinais no teto. Ele também é o mais largo. O porta-malas tem bons 346 litros – o Tera tem 350 litros e, o Sonic, ganha com folga com seus 392 litros.

Na dianteira, os faróis full led têm formato que remete a uma seta. Porém, a intenção é apresentar uma letra “H” estilizada com a assinatura luminosa, cujos traços verticais estão nas extremidades dos faróis e, o traço horizontal, é composto pela régua iluminada que vai de um farol a outro, atravessando a base do capô. O efeito é visto ao menos na versão mais cara, Ultimate.

O para-choque tem a base em plástico sem pintura, mesclando partes em preto brilhante e cinza. Todas as superfícies da dianteira são predominantemente lisas, bem como o capô, com dois vincos marcados, mas sem volumes em destaque.
Visto de lateral, o i20 2027 usa os apliques plásticos como maior artifício visual para posicionar-se como um SUV de entrada. Sua altura em relação ao solo, de 16,5 cm, é a menor entre os concorrentes, fazendo dele o “mais hatch” entre os pequenos SUVs derivados de hatches.

Ele tem como destaque a linha ascendente das portas traseiras, que ajudam a dar uma impressão de altura – embora o i20 seja o mais baixo da categoria. As rodas da versão Ultimate são de 17 polegadas, com pneus 205/50.
A traseira do modelo promete ser polêmica, já que produz efeito de acanhamento semelhante ao do HB20 apresentado em 2019, como linha 2020. Isso porque as lanternas são pequenas nas extremidades e rentes à carroceria – esta, por sua vez, com chapas retas na tampa do porta-malas. Também na tampa há uma barra de led interligando as lanternas, mas parece faltar algo. O para-choque, por sua vez, é bem trabalhado e tem uma boa distância da tampa para protegê-la de impactos.

Interior tem personalidade, mas…
Assim como o exterior, o interior do Hyundai i20 também tem personalidade e se destaca frente aos rivais. O desenho foge do comum com uma mescla de traços e volumes, entre cortes retos, elementos redondos e linhas verticais.

Os comandos do ar-condicionado, por exemplo, são sensíveis ao toque (mas físicos!) e ficam dispostos de forma vertical, entre as saídas de ar centrais, também verticais. As saídas de ar das extremidades repetem a orientação, mas se parecem com tubos ou garrafas embutidos no painel.

As telas posicionadas no topo do painel, por sua vez, contrastam por comporem um grande conjunto vertical – são 12,3 polegadas para cada uma delas. O volante fecha com chave de ouro ao ser exclusivo entre HB20 e Creta, e por “brincar” com o logotipo central. Nele, a letra “H” em itálico da Hyundai não aparece. No lugar estão quatro pontos, que significam justamente a letra “H”, mas em código morse, como no Ioniq 5.

A personalidade, porém, distrai os olhos de um acabamento que deixa a desejar. Todos os materiais utilizados em painel e portas são rígidos e sem refinamento na textura, diferente de Tera e Kardian, que têm faixas centrais em revestimento sintético ou tecido, e iluminação ambiente. No i20, nada disso. Em áreas como nos comandos de ar-condicionado e da multimídia, há um plástico liso que deixa evidente marcas engorduradas dos dedos.

Não há sequer um apoio macio para os apoios de braços das portas (nem para as dianteiras!). Nas imagens, os painéis de porta parecem ter material estofado nas porções superiores, mas não passa de uma impressão causada pelos vincos diagonais, que estão ali justamente para isso. Também é possível visualizar encaixes e rebarbas em alguns pontos.
Nas portas traseiras, além dos painéis compostos por materiais totalmente rígidos, a reduzida espessura dos painéis de porta mostram economia, mas uma busca pela otimização do espaço lateral.

O interior da versão Ultimate mescla dois tons de cinza, sendo um deles mais claro, não tão adequado para um carro de uso diário. Os bancos são revestidos com material sintético de toque agradável e macio.
Ainda no interior, o Hyundai i20 vai muito bem no quesito espaço. Atrás, duas pessoas de estatura média viajam com conforto. Há bom espaço para pernas, cabeça e ombro, além dos pés, graças à posição mais alta dos bancos dianteiros. Porém, um ocupante central ficará desconfortável, já que o console central invade a área que seria dedicada às suas pernas.

O console central, por sua vez, abriga um porta-objetos, uma porta USB do tipo C, e surpreende ao ter saídas de ar-condicionado, uma exclusividade no segmento. Para as bagagens, o porta-malas de 346 litros só é menor do que o do Tera, que tem 350 litros, e o do Sonic, que tem 392 litros.
Lista de equipamentos (quase) sem brechas
O pacote de itens de série do novo Hyundai i20 pode ser bastante recheado, considerando a configuração topo de linha, Ultimate. A versão mais cara, única que QUATRO RODAS teve contato até a ocasião do lançamento, tem ar-condicionado digital de uma zona com saídas traseiras, faróis e lanternas de led, rodas de liga leve de 17 polegadas, sensores de estacionamento traseiros e câmera de ré.

A lista segue com quadro de instrumentos de 12,3 polegadas, central multimídia de 12,3 polegadas com Android Auto e Apple CarPlay sem fio, carregador de celulares por indução, chave presencial, freio de estacionamento eletrônico com AutoHold, três portas USB-C e retrovisores externos com ajustes e rebatimento elétricos.
Há ainda piloto automático adaptativo com função Stop&Go, seis airbags, detector de fadiga do motorista, frenagem automática de emergência com detecção de carros, ciclistas e pedestres, assistente de permanência e centralização em faixa, alerta de saída segura, sistema de monitoramento de pressão dos pneus, alerta de tráfego cruzado traseiro, farol alto adaptativo e assistente de partida em rampas.

Ele fica devendo itens menores, mas um deles importante: sensores de estacionamento dianteiros. Além dele, uma câmera frontal seria bem-vinda.
O SUV mais hatch
O novo i20 compartilhará suas motorizações com o “irmão” HB20. Para as versões de entrada, o modelo terá o conhecido motor 1.0 aspirado flex de 80 cv e 10,2 kgfm, sempre acompanhado pelo câmbio manual de cinco marchas. Para as mais caras, como a Ultimate, o motor será o 1.0 turbo flex de 115 cv e 17,5 kgfm, este sempre com câmbio automático de seis marchas.

De acordo com a Hyundai, com o motor turbo, o modelo leva 11,7 segundos para ir de 0 a 100 km/h – na média do segmento. O conjunto mostra agilidade, com boas acelerações e retomadas, embora o contato com o modelo tenha sido rápido e em um circuito fechado, onde não é possível atestar condições do dia-a-dia.
Ainda segundo a marca, as médias de consumo homologadas junto ao Inmetro são de 12,6 km/l na cidade e 14,3 km/l na estrada, quando abastecido com gasolina. Também números próximos aos divulgados para os concorrentes.

Em movimento, a direção é leve e tem ajuste intermediário entre o conforto e agilidade, e promete ser agradável para o trânsito urbano. A suspensão, embora as condições do primeiro contato não tenham sido as ideais, impede inclinações exageradas da carroceria e dá boa estabilidade ao i20 – consequentemente, uma boa sensação de segurança.
Na prática, as primeiras impressões apontam para uma condução legítima de um bom hatch compacto: ágil, estável e com suspensão de ajuste mais firme, embora confortável. Isso faz com que, além das dimensões, ele também seja o SUV mais hatch do segmento em dirigibilidade. E isso não é ruim.

Veredicto
O Hyundai i20 tem personalidade, bom espaço e uma lista de equipamentos que dá inveja a quase todos os seus concorrentes, mas o acabamento poderia ser mais caprichado. A condução faz dele um legítimo hatch disfarçado de SUV.
Ficha técnica – Hyundai i20 Ultimate 2027
Motor: flex, dianteiro, transversal, 3 cilindros, turbo, 12V, 998 cm³, 115 cv a 6.000 rpm, 17,5 kgfm a 1.500 rpm
Câmbio: automático, 6 marchas, tração dianteira
Direção: elétrica
Suspensão: McPherson (diant.), eixo de torção (tras.)
Freios: disco ventilado (dianteira), disco sólido (traseira)
Pneus: 205/50 R17
Dimensões: compr., 413 cm; larg., 178 cm; alt., 150,5 cm; entre-eixos, 258 cm; altura livre do solo, 16,5 cm; porta-malas, 346 litros; peso, 1.1.205 kg; tanque de combustível, 50 litros
Desempenho (dados de fábrica): 0 a 100 km/h, 11,7 s; velocidade máxima, 184 km/h
Consumo (dados de fábrica): 8,8 km/l (cidade) e 10,1 km/l (estrada), com etanol; 12,6 km/l (cidade) e 14,3 km/l (estrada), com gasolina


















