O Grupo São Leopoldo Mandic assumiu, nesta segunda-feira (13), parte da estrutura da Casa de Saúde de Campinas para ampliar a oferta de atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A inauguração da nova operação foi realizada pela manhã e contou com a presença de autoridades, entre elas o prefeito de Campinas, Dário Saad (Republicanos).
Apesar da cerimônia marcar o início da parceria, o atendimento aos pacientes começa efetivamente no dia 27 de julho – última segunda-feira deste mês. A unidade será administrada em parceria com o Governo do Estado de São Paulo e atenderá exclusivamente pacientes encaminhados pela Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (CROSS). Não haverá atendimento por demanda espontânea nem encaminhamentos feitos pela Prefeitura de Campinas.
Na primeira etapa, a estrutura contará com 23 leitos de internação destinados a cirurgias eletivas de média complexidade nas áreas de cirurgia geral, ortopedia, urologia e cirurgia vascular. O espaço também terá exames de ultrassonografia, tomografia e ressonância magnética.
De acordo com a São Leopoldo Mandic, até dezembro, a expectativa é ampliar a capacidade para 72 leitos de internação, sete salas cirúrgicas e oito leitos de UTI.
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Nova estrutura deve aliviar pressão sobre a saúde pública
Segundo o prefeito Dário Saad, a parceria representa um reforço importante para a rede pública de saúde, principalmente diante da demanda regional atendida por Campinas. Segundo ele, entre 20% e 25% dos pacientes atendidos na cidade são moradores de outros municípios, percentual que chega a cerca de 35% em algumas especialidades, como pediatria e neonatologia.
O prefeito destacou que a nova estrutura ajudará a reduzir a pressão sobre os hospitais da cidade e da Região Metropolitana de Campinas, já que os leitos serão regulados pelo Governo do Estado por meio da CROSS.
“Levamos essa demanda para o Governo do Estado e fomos atendidos. Primeiro com o anúncio do Hospital Metropolitano e agora com esse chamamento público que permitiu a adesão da Casa de Saúde por meio da São Leopoldo Mandic. Esse é o primeiro passo para ampliar bastante o atendimento SUS”, afirmou.
Dário também chamou atenção para o desafio financeiro enfrentado pelos municípios para manter a rede pública de saúde. Segundo ele, nas últimas duas décadas houve uma inversão nas fontes de financiamento do SUS.
“Há 20 anos, cerca de 70% dos recursos da saúde vinham do Governo Federal e uma parte do Governo do Estado. Hoje, a situação se inverteu: cerca de 70% a 75% do dinheiro que o município aplica na saúde vem do próprio orçamento da Prefeitura, com recursos do IPTU e do ISS.”, disse.
O prefeito explicou que isso ocorreu porque os municípios precisaram ampliar a oferta de serviços com recursos próprios diante da defasagem da tabela nacional do SUS.
“Ninguém acredita que a tabela SUS financia um atendimento em 100%. Dependendo do procedimento, ela cobre 5%, 10% ou 15% do custo.”, explicou.
Ele também destacou que a criação da chamada Tabela SUS Paulista ajudou a reduzir parte desse déficit e agradeceu ao Governo do Estado pelo apoio na implantação da nova unidade.
Atendimento será regulado pelo Estado
A operação da São Leopoldo Mandic funcionará exclusivamente para pacientes encaminhados pela CROSS, responsável pela regulação estadual de vagas hospitalares. Isso significa que moradores de Campinas e de outros municípios poderão ser direcionados para a unidade conforme a necessidade da rede pública.
Segundo Dário Saad, a ampliação da oferta de leitos regulados pelo Estado era uma das principais reivindicações dos prefeitos da Região Metropolitana.
“Esse é um dos temas que a gente mais debate na rotina da Região Metropolitana. Precisamos aumentar a oferta de vagas reguladas pelo Estado para atender toda a população”, explicou.
Segundo o prefeito, além do atendimento hospitalar, a parceria também amplia o campo de prática para estudantes e profissionais da área da saúde, transformando a unidade em um importante espaço para formação médica integrada à rotina hospitalar.
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Pandemia ainda impacta filas por cirurgias
Durante o evento, Dário Saad lembrou que a pandemia de Covid-19 ainda gera reflexos na rede pública de saúde por causa da suspensão das cirurgias eletivas durante o período mais crítico.
“Ficamos dois anos sem fazer cirurgia eletiva. O sistema já tinha filas e paramos tudo para atender a pandemia. Calcula o impacto que isso teve nos anos posteriores.”, comentou.
O prefeito afirmou ainda que o envelhecimento da população também tem aumentado a demanda por serviços de saúde.
“A expectativa de vida da população aumenta a cada ano. Isso é uma excelente notícia, mas também aumenta o número de pessoas idosas e, consequentemente, a demanda por atendimento. É um desafio imenso para todos os municípios.”, explicou.
Segundo ele, a ampliação dos leitos e da capacidade cirúrgica será importante para reduzir a fila de espera por procedimentos eletivos e fortalecer o atendimento regional.
Vera Cruz mantém operação na Casa de Saúde
A chegada da São Leopoldo Mandic não altera os serviços prestados pelo Vera Cruz Hospital na Casa de Saúde.
Segundo a rede, as duas instituições passam a atuar de forma independente no mesmo prédio. Enquanto a Mandic ocupará uma ala exclusiva destinada ao atendimento do SUS, o Vera Cruz continuará operando normalmente com Pronto-Socorro, ambulatório e internação para seus pacientes.

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