Responsável pela operação de importação dos carros da Kia desde 1992, o Grupo Gandini pode estar se preparando para iniciar a operação de mais uma marca no Brasil: a JMC, sigla para Jiangling Motors Corporation.
Faz alguns meses que o Grupo Gandini importou unidades da nova geração da picape JMC Vigus (também conhecida como Grand Avenue) para testes no Brasil. Embora seja a versão mais atualizada da picape, ela é bastante modesta perto de outras picapes médias à venda no Brasil. Isto, no entanto, poderia garantir preços acessíveis caso venha a ser lançada.
Procurado, o Grupo Gandini preferiu não comentar o assunto.
Caso estabeleça um acordo com a JMC, esta será a segunda marca chinesa representada pelo grupo sediado em Itu (SP). Entre 2012 e 2014, o Grupo Gandini foi responsável pela importação de carros da Geely. Os veículos da JMC já circulavam no Brasil naquela época: entre 2011 e 2019 a Effa importou os pequenos caminhões JMC N601 e N900. Em 2020, chegou ao Brasil a primeira geração do Ford Territory: o SUV foi desenvolvido pela joint-venture entre a Ford e a JMC na China, de onde é importado até hoje.
O bom desempenho do Ford Territory no Brasil (onde já soma mais de 30.000 unidades vendidas), aliás, é comemorado pela JMC. À agência de notícias estatal chinesa Xinhua, o gerente-geral da JMC, Sun Xiaoquan, disse que a empresa continuará usando sua força industrial “para fornecer ao Brasil produtos de alta qualidade, apoiar o ecossistema de mobilidade verde do país e lançar as bases para o aprofundamento da cooperação China-Brasil”.
O SUV da Ford pode ter despertado o interesse da JMC no Brasil. A marca já está presente em muitos países vizinhos, como a Argentina, e vende seus carros em mais de 100 países. Há, ainda, 16 linhas de montagem em SKD e CKD espalhadas pelo mundo. Não por acaso, 63% dos carros produzidos pela JMC são destinados à exportação. Mas quem faz sucesso mesmo são os caminhões e as picapes médias.
Como é a JMC Vigus?

A Vigus pode ser equipada com um motor 2.5 turbodiesel de 167 cv e 43,8 kgfm, que a fabricante diz ter uma vida útil de 800.000 km, ou com um 2.0 turbo a gasolina com 218 cv e 35,7 kgfm. Ambos estão disponíveis tanto com um câmbio manual de seis marchas fornecido pela Magna quanto com um automático de oito marchas da chinesa DongAn, que pertence à Changan. A tração é 4×4 sob demanda, com sistema 4WD da BorgWarner e ainda pode ter blocante no diferencial traseiro.

A carroceria tem 5,33 m de comprimento, 1,88 m de largura, 1,83 m de altura e entre-eixos de 3,15 m, dimensões equivalentes às de uma Toyota Hilux. A capacidade de carga é de 870 kg, quando grande parte das picapes médias podem transportar mais de 1 tonelada. Isto, no entanto, pode mudar de acordo com o mercado, assim como o vão livre do solo, que é de 21 cm – pouco para uma picape média.

De frente, a JMC Vigus pode até lembrar uma Ranger devido aos faróis quadrados, mas tem uma identidade própria. A cabine com linhas retas ajuda a definir alguma personalidade, assim como a tampa da caçamba com vinco que define a posição da maçaneta. Há poucos adereços estéticos e as rodas de liga leve são, no máximo, aro 17″.

O lado mais simples da Vigus é visto, principalmente, na cabine. O painel é simples, com porta-objetos entre as telas e uma faixa de toque macio com costuras contrastantes. No entanto, o quadro de instrumentos digital de cristal líquido destoa em um segmento onde muitas picapes já usam telas de leds de alta resolução. A central multimídia de 12,8″, no entanto, é compatível com Android Auto e Apple Carplay sem fio.
