A Defesa Civil de Campinas interditou e recomendou a demolição ou reconstrução dos imóveis atingidos pelo incêndio de grandes proporções registrado na Estrada da Rhodia, em Barão Geraldo, no sábado (15).
A avaliação foi realizada com acompanhamento da Secretaria Municipal de Urbanismo. A partir de agora, o proprietário deverá contratar um engenheiro para avaliar as estruturas e definir se os imóveis serão demolidos ou reconstruídos.
Segundo a prefeitura, a madeireira atingida pelas chamas não tinha alvará de funcionamento.
A Secretaria de Urbanismo informou ainda que outros estabelecimentos funcionavam na área atingida, entre eles uma adega, uma marmoraria e uma pizzaria, além de um imóvel que aparentava estar desativado. De acordo com a pasta, nenhum deles possuía alvará.
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Incêndio mobilizou 24 bombeiros
O Corpo de Bombeiros foi acionado às 10h31 de sábado. Por causa da ocorrência, a Estrada da Rhodia precisou ser interditada e só foi totalmente liberada para o trânsito na manhã deste domingo (16).
Ao todo, 24 bombeiros e dez viaturas participaram da operação. As equipes trabalharam por aproximadamente seis horas para controlar as chamas e impedir que o incêndio avançasse para outros imóveis da região.
O terreno atingido possui cerca de 2 mil metros quadrados e armazenava grande quantidade de madeira. Por causa das características do material, os bombeiros precisaram remover e revirar partes do estoque para localizar e resfriar pontos que ainda poderiam provocar uma retomada do incêndio.
Durante os trabalhos, uma escavadeira da prefeitura foi utilizada para derrubar uma parede e permitir que os bombeiros chegassem ao estoque. As equipes também tiveram que cortar uma porta para acessar uma das áreas atingidas.
As causas do incêndio ainda serão apuradas.
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VIU ESSA? – Após incêndio criminoso, corrente de solidariedade ajuda a reconstruir loja no Centro de Campinas
dias depois de ver a empresa construída ao longo de 26 anos ser destruída por um incêndio criminoso, no Centro de Campinas, o proprietário da loja Ivan Peligrineli começou a encontrar, em meio aos escombros, uma rede de apoio formada por comerciantes, fornecedores, moradores e empresas de Campinas dispostos a ajudá-lo a recomeçar.
O incêndio, provocado por um ex-funcionário, consumiu completamente o imóvel onde funcionava a loja. Além da estrutura, todo o estoque foi perdido, seja pelas chamas, pela água utilizada no combate ao fogo ou durante a retirada dos escombros.
A destruição interrompeu o atendimento presencial e colocou em risco imóveis vizinhos, obrigando moradores a deixarem suas casas durante a madrugada enquanto as equipes do Corpo de Bombeiros combatiam o incêndio.

Ao retornar ao local após a tragédia, Ivan descreve o sentimento de quem viu décadas de trabalho desaparecerem em poucas horas.
“É como um luto, como a perda de um ente querido, uma pessoa que você conviveu muitos anos, porque essa empresa aqui tinha 26 anos, ela nasceu pequenininha, foi crescendo, foi crescendo, foi me dando muitas alegrias”, relatou.
Mesmo diante do prejuízo, a empresa conseguiu evitar a paralisação total das atividades. Como a loja já atuava com vendas pela internet para clientes de todo o país, um espaço cedido por um comerciante vizinho permitiu que a equipe reorganizasse parte da operação e continuasse atendendo os pedidos online.
Mas foi a mobilização que surgiu logo após o incêndio que deu novo fôlego ao empresário. Além da ajuda oferecida por comerciantes da região, Ivan recebeu apoio dos próprios funcionários, que continuaram trabalhando mesmo diante da destruição.
Além disso, fornecedores ampliaram os prazos de pagamento e disponibilizaram novas mercadorias para que ele continuasse com as vendas. Segundo o comerciante, alguns moradores do bairro também estão se organizando para criar eventos beneficentes com o objetivo de arrecadar recursos destinados à reconstrução da loja.
De acordo com ele, essa rede de apoio foi determinante para que desistir deixasse de ser uma opção.
“Tem gente boa nesse mundo, não é só as pessoas querendo destruir você, tem pessoas te ajudando a construir”, comentou.
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Vizinho abriu espaço para manter empresa funcionando
Entre as primeiras demonstrações de solidariedade está a do empresário André César, proprietário de um centro automotivo localizado ao lado da loja incendiada.
Assim que soube da dimensão do prejuízo, ele disponibilizou parte do próprio estabelecimento para que Ivan e seus funcionários pudessem instalar provisoriamente a operação da empresa. O espaço tem permitido a separação e o envio das mercadorias comercializadas pela internet, garantindo uma fonte de renda enquanto a loja não pode receber clientes presencialmente.
Segundo André, a decisão foi motivada pela relação construída ao longo dos anos entre os comerciantes da região.
“Não pode parar, né? A gente tem que sempre estar ajudando, quem está do lado. São vizinhos, amigos. Acho que tem que dar continuidade. Acho que não é nada demais o que a gente está fazendo”, afirmou o comerciante vizinho.
Além de emprestar o espaço, André forneceu imagens das câmeras de segurança que auxiliaram nas investigações sobre o incêndio.

Campanha busca arrecadar materiais para reconstrução
Outra frente da mobilização está sendo organizada pelo Instituto Cristo Restaura, ligado à Construtora Inter Crédit.
A iniciativa assumiu a coordenação da arrecadação de materiais de construção e também será responsável por desenvolver gratuitamente todos os projetos técnicos necessários para a reconstrução da loja, incluindo arquitetura, estrutura, instalações elétricas e demais documentos exigidos para aprovação da obra.
Segundo Thiago, responsável pela iniciativa, a ideia surgiu assim que ele assistiu uma reportagem sobre o incêndio.
“A gente se colocou muito no lugar daquele empresário porque são anos de lutas, anos de trabalho, um patrimônio da família, onde uma pessoa, por um incêndio criminoso, perdeu tudo. A gente falou: ‘Peraí, vamos ajudar, vamos mobilizar’”, explicou Thiago.

De acordo com ele, diversos fornecedores já confirmaram doações de materiais, equipamentos e serviços para a obra. A campanha oficial de arrecadação deve ser lançada nos próximos dias e será voltada tanto para empresas quanto para pessoas físicas interessadas em colaborar.
Antes disso, porém, será necessário concluir a liberação da área junto à Prefeitura de Campinas, já que o imóvel permanece interditado após o incêndio. Somente depois dessa etapa será possível elaborar os projetos executivos e iniciar a reconstrução.
Segundo Thiago, a expectativa é reconstruir completamente o imóvel, em uma obra estimada em R$ 2 milhões com duração de pelo menos dois anos.
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