A taxa de letalidade da febre maculosa em Campinas é maior que a do Brasil. Segundo dados do Ministério da Saúde e da Prefeitura, entre 2014 e 2026, foram registrados no município 110 casos da doença com 57 mortes, o que resulta em um percentual de óbitos de 51,8%. Já no Brasil, a taxa de letalidade da febre maculosa é de 30,6%. Na última segunda-feira (18), a infecção fez sua primeira vítima do ano na cidade.
No mesmo período, foram observados no estado de São Paulo 1.006 casos da doença, sendo que 547 acabaram em mortes. Ou seja, uma taxa de letalidade de 59,04%.
Campinas entra no período de maior risco para febre maculosa
Com a aproximação do período de sazonalidade da doença — entre junho e novembro —, a Secretaria de Saúde reforçou os alertas para prevenção e atenção aos sintomas da febre maculosa. Segundo a bióloga Heloísa Malavasi, durante esse período ocorre o predomínio das fases jovens do carrapato, que apresentam menor seletividade de hospedeiros.
“As pessoas entram em áreas verdes e acabam sendo mais facilmente parasitadas”, explicou a especialista.
A região de Campinas é considerada endêmica para a doença devido às características ambientais e presença frequente do carrapato-estrela. Jasmim Oliveira, bióloga da Unidade de Vigilância de Zoonoses da Prefeitura, associa a taxa de letalidade da febre maculosa no município a dois fatores: o carrapato e a bactéria Rickettsia rickettsii.
“Então, em Campinas a gente tem o encontro de um carrapato, que é o carrapato-estrela, com uma bactéria, que é a Rickettsia rickettsii, que juntos eles causam uma doença que é muito letal aqui na região”, explicou em entrevista a EPTV Campinas.
A orientação de Jasmim é que a população fique atenta aos sintomas da febre maculosa sempre que frequentar uma área de risco.
“E o que seria uma área de risco? Uma área que tenha vegetação, que tenha grama, que tenha folhas secas caídas, e principalmente que seja próxima a cursos d ‘água, especialmente ainda se você visualizar a presença de capivaras, cavalos ou outros animais que pastam. Então, após frequentar esses locais, ficar de olho se vai aparecer febre, associada às vezes à dor de cabeça, dor no corpo, mal-estar”, disse.
Segundo a bióloga, caso uma pessoa tenha algum desses sintomas, é preciso procurar com urgência o serviço de saúde e informar ao médico que esteve em uma área de risco.

O soldado Guilherme, filho de Marcia Ribeiro de França, foi uma das vítimas da febre maculosa, em abril de 2022. De acordo com ela, o jovem começou a passar mal logo depois de um treinamento militar. Ele apresentava febre, dores no corpo e marcas de picadas de carrapato. Mas, após procurar atendimento no posto médico do Exército, foi medicado e liberado para voltar para casa.
“Ele chegou lá, eles medicaram os rins dele, porque ele estava com problema no rim, e mandaram pra casa. Só que daí foi agravando a doença, né? Aí chegou de sábado para domingo de madrugada, ele começou a ter convulsões. Aí foi onde levamos pro Mário Gatti. Ele tomou 22 picadas de carrapato. Saiu no laudo da Vigilância Sanitária. E o quartel alegou que a área tinha sido higienizada, mas impossível”, disse Marcia.
Na época, o exército pagou os custos do velório do filho de Marcia e uma indenização no valor de R$ 4,5 mil para a família do jovem. Mais recentemente, os pais do soldado entraram com uma ação na Justiça Federal de Campinas contra a União e, em abril deste ano, o Exército foi condenado a pagar uma indenização de R$ 500 mil.
Procurado, o Exército afirmou que ainda está apurando as informações sobre o caso de Guilherme e que, por isso, não mandou uma posição oficial.
Já a Prefeitura de Campinas informou ainda que monitora locais estratégicos para a instalação de placas de alerta de risco de transmissão da febre maculosa. A Gestão também afirmou que já faz um trabalho de manejo para o controle reprodutivo das capivaras que vivem livremente nos parques públicos da cidade.

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Campinas registra primeira morte por febre maculosa em 2026
A secretaria de Saúde confirmou na última segunda-feira a primeira morte por febre maculosa registrada em Campinas em 2026. O caso também é o primeiro diagnóstico da doença neste ano no município.
A vítima era um homem de 74 anos, morador da área de abrangência do Centro de Saúde Santa Rosa, na região Noroeste da cidade.
Idoso morreu após sintomas de febre maculosa
Segundo a secretaria de Saúde, os primeiros sintomas surgiram no dia 15 de abril. O paciente foi atendido em um hospital público da cidade, mas morreu no dia 21 de abril.
De acordo com a investigação epidemiológica, o provável local de infecção foi a própria região onde o idoso morava e realizava serviços de jardinagem, próxima a áreas verdes e cursos d’água.
Em 2025, Campinas registrou seis casos de febre maculosa, todos com evolução para óbito.
*Com informações da EPTV Campinas
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