Uma grávida de Sumaré denunciou um possível erro médico após receber o diagnóstico de aborto espontâneo e passar por uma curetagem no Hospital Estadual de Sumaré (HES). Cerca de um mês depois do procedimento, porém, ela descobriu que o bebê continuava vivo.
A paciente, que não quer ser identificada, estava com uma gestação considerada normal até apresentar um sangramento e procurar atendimento médico, em julho. Segundo ela, após um exame de toque, uma médica informou que havia ocorrido um aborto espontâneo. A mulher afirma que não foi realizado outro exame para confirmar o diagnóstico antes da curetagem.
Depois do procedimento, ela continuou sentindo sintomas de gravidez. Exames de sangue e de urina feitos semanas mais tarde deram positivo. Um ultrassom realizado em 14 de agosto confirmou que a gestação continuava e apontou que o feto estava com 16 semanas.
“Eu vivi um luto, foi 14 dias assim depressiva dentro de casa, sabe? E eu saber que ainda o bebê tá dentro de mim, isso não tem explicação”, relatou a paciente à reportagem.
O exame também identificou ausência de líquido amniótico, o que tornou a gestação de alto risco e pode comprometer o desenvolvimento do bebê.
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Gestação era considerada normal
A mulher descobriu a gravidez em junho e, antes do atendimento no Hospital Estadual de Sumaré, havia realizado uma ecografia no Hospital Municipal de Paulínia.
O exame apontava uma gestação tópica, ou seja, dentro do útero, com aproximadamente seis semanas e cinco dias. O embrião apresentava frequência cardíaca de 122 batimentos por minuto e, segundo o documento apresentado à reportagem, não havia indicação de problemas.
Em 12 de julho, pouco mais de um mês depois, a paciente procurou o Hospital Estadual de Sumaré após apresentar um sangramento. Segundo o relato dela, não havia dor.
“Fui atendida por uma médica, a médica me examinou, fez o exame de toque, e foi constatado o aborto espontâneo”, contou.
Questionada se outro exame havia sido realizado para confirmar a perda gestacional, ela respondeu que não.
Um documento obtido pela equipe da EPTV, afiliada da Rede Globo na região, registra o diagnóstico de aborto espontâneo e a realização de uma curetagem pós-aborto no mesmo dia.
A curetagem é um procedimento cirúrgico realizado para retirar tecidos do interior do útero. Segundo a paciente, o procedimento foi feito após ela receber a informação de que havia perdido o bebê.

Paciente continuou com sintomas de gravidez
Após receber alta, a mulher voltou para casa, mas afirma que continuou sentindo enjoos, dores e outros sintomas que associava à gravidez.
“Eu sentia muito enjoo, sentia muita dor na lombar, na barriga (…) e uma sensação como se eu ainda estivesse grávida”, relatou.
Cerca de um mês depois, antes de tomar um anticoncepcional, ela realizou um exame de gravidez, que apontou resultado positivo.
Diante do resultado, a paciente retornou ao Hospital Estadual de Sumaré em 14 de agosto. Foi então submetida a um novo ultrassom.
Segundo o exame apresentado à reportagem, o feto estava com aproximadamente 16 semanas, peso estimado em 170 gramas e frequência cardíaca de 157 batimentos por minuto.
“Aí foi realizada a outra ação, mas para a minha surpresa, na outra ação, quando o aparelho foi colocado na minha barriga, do nada, o coração bateu”, contou.
Exame apontou ausência de líquido amniótico
Apesar de confirmar que a gestação continuava, o ultrassom identificou ausência de líquido amniótico. A paciente afirma que foi informada sobre os riscos da condição e sobre a possibilidade de interromper a gestação. Ela decidiu continuar a gravidez.
“Eu tenho risco e, infelizmente, meu bebê também tem. Estou vivendo uma situação muito difícil e eu não quero tirar a vida do meu bebê”, afirmou.
Segundo ela, durante as conversas com a equipe médica, foi levantada a possibilidade de a curetagem ter provocado o rompimento da bolsa e, consequentemente, a perda do líquido amniótico.
“Eles me falaram, me pediram perdão, mas eu acho que perdão e desculpa não vai mudar o cenário que eu estou vivendo hoje”, disse.
Ela agora segue em acompanhamento médico e deverá realizar novos exames para avaliar o desenvolvimento do bebê.

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Hospital abre sindicância para investigar caso
O Hospital Estadual de Sumaré informou que abriu uma sindicância para apurar a conduta da equipe responsável pelo atendimento da paciente.
Em nota, a unidade lamentou o ocorrido e afirmou que, caso sejam constatadas irregularidades, serão adotadas as medidas cabíveis.
A unidade também afirmou que acolheu a paciente e os familiares e prestou apoio e esclarecimentos.
Segundo o hospital, a paciente está recebendo acompanhamento e já passou por novos exames de ultrassonografia. A previsão é que, ao completar 20 semanas de gestação, seja realizado um exame morfológico 4D para acompanhar o desenvolvimento do feto.
*Com informações da EPTV
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