Lançado no último mês de junho, o novo Hyundai i20 já apareceu na QUATRO RODAS em sua versão de topo, a Ultimate, a única disponibilizada pela marca para um breve contato até agora. É uma estratégia comum em lançamentos para que um modelo exponha o seu melhor em visual e tecnologia. Porém, aqui prezamos pela informação completa e buscamos pelo outro extremo, a configuração de entrada, Comfort, que parte de R$ 99.990.
O Hyundai i20 Comfort tem visual mais simples, uma lista de equipamentos mais enxuta e um conjunto mecânico menos empolgante, mas também mostra que está pronto para substituir o HB20 em uma faixa de grandes volumes. A unidade foi cedida pela Localiza, que já o oferece em suas agências, para este contato em primeira mão. Fica o nosso agradecimento.
O i20 Comfort não esconde que é a versão mais barata da linha e tem uma aparência que fica não apenas simples demais, mas antiquada. Na dianteira, em relação ao Ultimate, ele perde a faixa iluminada entre os faróis – que são full led com acendimento automático de série.
De lado, ele mantém os arcos plásticos nos para-lamas, e maçanetas e retrovisores são pintados na cor da carroceria. As atenções se voltam às calotas, que além de terem desenho que remete aos anos 1990, deixam muito à mostra as rodas de aço de 15”. Os pneus 185/60 reforçam a má impressão, mas ao menos fazem uma boa diferença no conforto ao rodar.
A traseira é, desde o lançamento, o ângulo mais polêmico do i20, e isso ganha força no Comfort. As lanternas da versão mais simples substituem os leds por lâmpadas convencionais, com direito às lentes alaranjadas nos espaços dedicados às setas – assim como as calotas, leva o i20 ao passado. A configuração também deixa de ter a faixa iluminada que interliga as lanternas. No lugar, um simples friso em preto brilhante com detalhe cinza. Atrás, são mantidos os sensores de estacionamento e a câmera de ré.

O interior segue o das versões mais caras, com personalidade no desenho, mas materiais simples e montagem que poderia ter mais cuidado. A diferença é que o Comfort tem plásticos em preto, contra o cinza claro do Ultimate, que busca dar ares mais refinados.
O ar-condicionado analógico tem botões enfileirados na vertical e o volante é o mesmo das demais configurações, com acabamentos adequados à configuração, e repete a “brincadeira” de substituir o “H” da Hyundai por quatro pontos, que significam a mesma letra em código morse. Os bancos são revestidos por um tecido de toque levemente áspero e sem qualquer estampa, mas com conforto suficiente para o dia-a-dia.

Por falar na convivência, o i20 trata bem ocupantes e bagagens quando o assunto é espaço. Atrás, duas pessoas viajam com folga para as pernas. Um ocupante central não ficará tão confortável lateralmente, mas há espaço suficiente para acomodar os pés. Para todos que vão atrás, há apenas uma porta USB-C, sem saídas as de ar-condicionado vistas na versão topo de linha.
O porta-malas é bom para a categoria, com seus 346 litros. Ou seja, são apenas 4 litros a menos do que o compartimento do Volkswagen Tera.

A lista de equipamentos do modelo passa por evidentes cortes além do que foi dito, mas preserva alguns itens de conforto e segurança. Ele mantém seis airbags, sistema de partida em aclives, câmera de ré, faróis full led automáticos com ajustes elétricos, retrovisores elétricos, sensores de ré, alerta de presença no banco traseiro, volante com regulagem de altura e profundidade, banco do motorista com ajuste de altura e chave presencial com partida do motor por botão.

Há ainda o já citado ar analógico, computador de bordo e piloto automático. O quadro de instrumentos, segundo a Hyundai, tem 12,3”. Na prática, são vários mostradores de cristal líquido independentes, como no HB20, com visual simples, mas de fácil leitura. A central multimídia tem 10,25”, Android Auto e Apple CarPlay sem fio, conexão com sistema para controles remotos do veículo e atualizações remotas (Over-the-Air, ou OTA).
Por outro lado, perde rodas de liga leve, freio de estacionamento eletrônico, barras de led frontais e traseiras, carregador de celular por indução e retrovisores externos com rebatimento elétrico. Também não há nenhum auxílio à condução (ADAS), como ACC, frenagem automática de emergência, alertas de pontos cegos, monitoramento de pressão dos pneus, farol alto adaptativo e assistentes de permanência e centralização em faixa.

Carro de frota?
Mais do que ser mais simples em acabamento, visual e tecnologia, o i20 Comfort também passa por cortes na mecânica. Ele troca o motor 1.0 turbo da versão Ultimate, que tem 115 cv e 17,5 kgfm, e o câmbio automático de seis marchas, por um motor 1.0 aspirado de 80/75 cv e 10,2/9,6 kgfm (etanol/gasolina), sempre com câmbio manual de cinco marchas. De acordo com a Hyundai, esse conjunto é suficiente para levá-lo de 0 a 100 km/h em 15,5 segundos.

O número assusta e, de fato, não dá para esperar bom desempenho do modelo – que sequer nasceu para isso. Porém, ele permite uma boa convivência no trânsito urbano, com saídas e retomadas suficientes, desde que se use das reduções de marcha para garantir mais fôlego. Em rodovias a história muda e, aí sim, o i20 pede cautela para manobras mais arriscadas por não ter tanta força.

Em qualquer uma dessas situações, ele tem bom isolamento acústico do motor, cujo ruído não invade a cabine de forma incômoda, e uma boa dissipação das vibrações do motor, que também não são repassadas em demasia aos ocupantes. O consumo do i20 1.0 aspirado, segundo a Hyundai, é de 13,9 km/l na cidade e 14,8 km/l na estrada, quando abastecido com gasolina. Média do segmento.

A dirigibilidade do i20 é bastante semelhante à do “irmão” HB20, com foco no conforto, mas sem abandonar o controle do veículo. Na prática, a suspensão tem ajuste mais firme, que ajuda na estabilidade, mas com absorções suaves de imperfeições. É mais confortável do que Onix e Pulse, por exemplo, e remete ao Tera.
Isso embora o i20 seja o mais hatch entre os rivais, com posição mais baixa de dirigir e uma direção mais direta, com um pouco mais de peso que dá mais prazer ao dirigir, sem tornar a experiência artificial. O câmbio, por fim, tem engates fáceis e de pouco esforço – melhores do que no Onix, mas não tão precisos como no VW Tera.

O Hyundai i20 Comfort tem o que é preciso em uma versão de entrada em termos de equipamentos, e vai além com itens multimídia e de conforto. Porém, poderia ter ao menos frenagem de emergência. Na prática, porém, o foco da versão é menos a Pessoa Física e mais o CNPJ: esta é a versão alvo para frotas, seja de locadoras, empresas ou transportes de aplicativos, e que começará, aos poucos, a substituir o HB20 nas ruas – e nas lojas.
- Agradecimentos ao Parque Villa-Lobos e Localiza
Ficha técnica – Hyundai i20 Comfort 1.0
Motor: flex, dianteiro, transversal, 3 cilindros, aspirado, 12V, 998 cm³, 80/75 cv (etanol/gasolina) a 6.200 rpm, 10,2/9,6 kgfm a 3.750/5.250 rpm (etanol/gasolina)
Câmbio: manual, 5 marchas, tração dianteira
Direção: elétrica
Suspensão: McPherson (diant.), eixo de torção (tras.)
Freios: disco ventilado (dianteira), tambor (traseira)
Pneus: 185/65 R16
Dimensões: compr., 413 cm; larg., 178 cm; alt., 150,5 cm; entre-eixos, 258 cm; altura livre do solo, 16,5 cm; porta-malas, 346 litros; tanque de combustível, 50 litros
Desempenho (dados de fábrica): 0 a 100 km/h, 15,5 s; velocidade máxima, 160 km/h
Consumo (dados de fábrica): 13,7 km/l (cidade) e 14,8 km/l (estrada), com gasolina
