A quinta e última temporada de O Urso promete uma rodada final de caos e fortes emoções no momento mais crítico do restaurante mais amado da ficção e encerra uma das melhores séries da era do streaming. Esse carinho transcendeu as telas e mudou a forma como enxergamos a culinária e sua cultura, impactando diretamente justamente os estabelecimentos que inspiraram a criação da produção.
Parece que foi ontem que Carmen “Carmy” Berzatto (Jeremy Allen White) chegou à lanchonete da família, um estabelecimento que herdou de Mikey (Jon Bernthal), seu irmão recém-falecido. Quatro temporadas – e um episódio especial – depois, muita coisa mudou não apenas para o chef, sua equipe e família, mas quanto a série impactou no mundo real? Para falar sobre isso, o Minha Série teve acesso a um material exclusivo fornecido pela Disney. Confira abaixo.
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Chefes comentam sobre mudanças perceptíveis
O primeiro grande impacto da série foi mudar a forma como boa parte de seu público ao redor do mundo enxerga os restaurantes. Ao abrir as portas de sua cozinha, O Urso, do FX, exibiu o cotidiano desses estabelecimentos e deu um gostinho do quão caóticos e intensos podem ser os processos até o prato chegar na mesa de jantar. Sua abordagem crua conquistou justamente por sua sinceridade, especialmente quando volta suas atenções à equipe.
O ingrediente secreto da produção é a construção de seus personagens, cujos dramas, traumas e sonhos servem de combustível em meio a um cotidiano tão exaustivo. A forma como a paixão de seus personagens pela culinária é colocada em tela contagia, em especial por tratar o ato de cozinhar como o de criar uma obra de arte. Esse sentimento forte que ganha camadas ao ser temperado com filosofias sobre a importância de atender o cliente e tornar seu dia especial.
O sucesso dessa abordagem poderia ser medido pelo caminhão de troféus que a série do FX ganhou em premiações como Emmy Awards, Globo de Ouro e mais. Porém, seu êxito pode ser atestado também pelos próprios trabalhadores do ramo, como a chef e escritora Juliette Feller, que escreveu em seu site sobre como ficou “muito ciente do impacto da série na reputação” de sua área, mesmo sem assisti-la.
“Não é exagero dizer que, pelo menos uma vez em cada duas vezes que digo a alguém que trabalho como chef em um restaurante, a resposta imediata é: ‘Você já assistiu O Urso?’, ou ‘Ah, é como O Urso?’. (…) Restaurantes pararam de ser o lugar onde você simplesmente se senta e come. Em vez disso, as pessoas começaram a levantar os olhos do prato para ver quem estava fazendo sua comida.”
E ela não está sozinha. Muitos chefs e trabalhadores da área elogiaram a série pela forma realista como aborda o dia a dia desses estabelecimentos. E há um motivo para isso: a produção vem de um lugar sincero.
Baseado em cozinhas reais
O Urso, do FX, foi criada por Christopher Storer, cineasta que cresceu na cidade de Chicago e tinha como amigo, Christopher Zucchero, filho do dono do Mr. Beef, um restaurante que serve um sanduíche de carne muito famoso. Ao longo dos anos, Zucchero se tornou chef e dono do estabelecimento enquanto Storer foi atrás de uma carreira em Hollywood.
Ainda que nunca tenham perdido o contato, os caminhos dos dois voltaram a se cruzar anos depois, quando Storer voltou à Chicago para cumprir uma antiga promessa de um dia escrever uma história sobre o Mr. Beef. Na verdade, ele fez mais do que isso e usou o próprio local como cenário para o episódio piloto da série, que ainda conta com uma ponta do antigo amigo – que depois retornou à série no papel de Chi-Chi.
Outra fonte importante para Christopher foi sua irmã, Courtney Storer, que atua como produtora culinária na série. Chef de cozinha que passou por algumas das cozinhas mais renomadas do mundo, ela também colocou a mão na massa em O Urso ao prestar consultoria a roteiristas e designers de produção, treinar os atores para executar as atividades na cozinha e até mesmo preparar sobremesas que aparecem na produção.
A produção não parou no círculo de amigos de seu criador; ela usou a jornada de seus personagens para celebrar a cultura culinária de Chicago. Ao longo do enredo, Carmy decide transformar a lanchonete em O Urso, um estabelecimento de alta gastronomia fortemente inspirado em locais reais que também dão as caras na série.
Uma das grandes inspirações foi o Ever, um restaurante com estrela Michelin – grande objeto de desejo de Carmy e companhia –, cuja simplicidade e sobriedade guiaram a equipe de design. O resultado foi a construção de um cenário prático, em que se podia cozinhar de verdade.
Além das inspirações diretas, a série também usou de cenário vários restaurantes da cidade, onde seus personagens viveram histórias, aprenderam lições ou simplesmente desfrutaram de uma refeição deliciosa. Essa celebração à cultura culinária local não passou batida pelo público, que por sua vez deu origem a um fenômeno que ficou conhecido como “O Efeito Urso”.
“O Efeito Urso”: retroalimentando a cultura gastronômica
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A ascensão da popularidade da série deu origem ao que jornalistas, críticos e escritores começaram a chamar de “The Bear Effect” ou, “O Efeito Urso”. Esse foi o nome informal dado ao impacto positivo que a produção teve em restaurantes de Chicago, que viram sua visibilidade explodir após aparecerem na produção.
Não faltam listas de restaurantes mostrados na série do FX, na internet, mas a repercussão é sentida na prática pelos estabelecimentos em seu dia a dia. Muitos donos celebraram o fato de que a clientela aumentou substancialmente após o lançamento dos episódios e comemoraram o desafio de conseguir continuar servindo clientes regulares sem decepcionar os novos chegados.
Em uma reportagem do Food & Wine, a diretora editorial Dana Fouchia atestou o “efeito” ao relatar a vez em que tentou visitar um restaurante de dumplings que costumava ir. O que era um ambiente tranquilo agora estava esgotando suas reservas para a noite às 18 horas da noite. E tudo isso após aparecer por menos de um minuto em um episódio da segunda temporada. Mais do que uma anedota divertida, esse é um dos vários exemplos de como O Urso conseguiu retribuir – ou retroalimentar – aos restaurantes que inspiraram sua criação.
O “Efeito Urso” talvez seja um grande exemplo do patrimônio instantâneo de uma produção tão jovem. Afinal de contas, para se medir um legado com precisão, é necessário algum grau de distanciamento histórico, tornando quase impossível mensurá-lo em apenas quatro anos. Porém, quantas obras podem ostentar o fato de ter causado um efeito real na cidade, nos locais e nas pessoas que a inspiraram?
Fato é que essa trajetória rica ajuda a entender a expectativa em torno da quinta e última temporada de O Urso, do FX, que retoma a história um dia após o time chefiado por Sydney (Ayo Edebiri), Richie (Ebon Moss-Bachrach) e Natalie (Abby Elliott) receber a bombástica notícia de que Carmy saiu do ramo. O restaurante, que pode estar prestes a fechar as portas, agora está nas mãos deles.
Com sua última temporada já disponível, você pode assistir ao desfecho dessa história exclusivamente no Disney+.
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